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    Pedrão deixa o PP (e os Amin) para concorrer a prefeito de Florianópolis

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    Upiara
    Por Upiara Boschi
    25/11/2019 - 16h50 - Atualizada em: 25/11/2019 - 17h25
    Pedrão anunciou que deixará o PP porque acredita que o partido apoiará João ou Angela Amin para prefeitura da Capital. Foto: Edio Hélio Ramos, CMF/Divulgação
    Pedrão anunciou que deixará o PP porque acredita que o partido apoiará João ou Angela Amin para prefeitura da Capital. Foto: Edio Hélio Ramos, CMF/Divulgação

    Vereador mais votado da história de Santa Catarina, Pedrão Silvestre anunciou nesta segunda-feira que vai deixar o Progressistas para viabilizar a candidatura a prefeito de Florianópolis em outra legenda. A decisão foi verbalizada durante a manhã, em reunião da executiva municipal da sigla. Pedrão queria que o partido antecipasse quem seria o candidato - além dele, são cotados o deputado estadual João Amin e a deputada federal e ex-prefeita Angela Amin.

    Em mensagem no Whatsapp para membros dos PP de Florianópolis, Pedrão disse estar se sentindo "cozinhado em água morna para que na hora H, quando não pudesse ter mais a possibilidade de mudança partidária, vir uma decisão desfavorável a minha candidatura". Nas últimas duas semanas haviam sido intensificadas as conversas para a definição dos critérios para escolha do candidato. Oficialmente, Pedrão e João Amin pleiteiam a vaga, mas a candidatura da ex-prefeita - derrotada por Gean Loureiro no segundo turno de 2016 por 1,1 mil votos - ganha força nos bastidores.

    Pedrão mantém conversas com o PSB e o PL do senador Jorginho Mello. Também tem contatos com o PSL do governador Carlos Moisés - que chegou a convidá-lo no início do ano -, com o PDT e com o PSDB. Ele espera definir o destino até o final de novembro. A desfiliação oficial do PP e o ingresso na nova legenda será realizada na janela partidária, em março do ano que vem

    Leia a entrevista com Pedrão

    Pedrão: “PP foi muito lento para achar uma solução"

    Por que deixar o PP?

    Eu não queria sair do partido, tenho um carinho bastante grande pelo PP. Pela autonomia e liberdade que sempre tive exercendo meu primeiro e meu segundo mandato, inclusive fazendo oposição a uma gestão de meu próprio partido fazia parte (governo Cesar Souza Junior) e não tive nenhuma retaliação por isso. Tenho um mandato muito autônomo. Mas neste momento percebo que o projeto de pré-candidato a prefeito de Florianópolis está chocando com interesses de alguns membros do partido, em especial o João Amin. Tem a figura da Angela que possivelmente seja candidata.

    O senador Esperidião Amin declarou recentemente que gostaria que o senhor fosse o candidato do PP. Não foi suficiente para lhe dar essa garantia?

    Tentamos conversar dentro do diretório municipal para chegar a um consenso. Tivemos hoje de manhã (segunda-feira) o final de uma série de reuniões. Senti que o partido está muito lento para achar uma solução. De outra monta, observo várias outras siglas partidárias com interesse muito grande de ter uma candidatura interessante para a cidade. E o PP, com um potencial candidato, não dando a devida atenção. Não me senti mais confortável em permanecer.

    Acha que o PP terá uma candidatura de Angela ou João Amin?

    Acredito que um dos dois deva ser o candidato.

    E o senhor já tem destino partidário?

    Estou conversando com algumas siglas, partindo delas o convite, inclusive para montagem de alguma coligação caso eu permanecesse no PP. Tenho, também, algumas portas abertas. Vamos continuar dialogando, não tenho ainda partido definido. Acredito que esta semana já consiga bater o martelo.

    Tem prazo limite?

    Quero até o fim deste mês de novembro já ter definido o destino partidário.

    Hoje o cenário tem a candidatura à reeleição de Gean Loureiro, o senhor apontou Angela ou João Amin, a esquerda tenta consolidar uma frente com Elson Pereira (PSOL), o PSL, o Novo. Onde o senhor tenta se encaixar nesse cenário?

    Em um cenário de extremos, eu não consigo me encaixar nem na extrema-esquerda e nem na extrema-direita. Particularmente não gosto dessas definições porque elas são que servem simplesmente para dividir a população para chegar ao poder. É meio Arte da Guerra. Eu fico mais na questão de centro, meu foco é gestão pública, que é minha formação. O que pretendo é ter a oportunidade de fazer uma administração decente para Florianópolis, que traga transparência e resultado. O que não vejo na atual gestão. Vejo muito marketing e pouca ação efetiva.

    Por ser oposição na Câmara de Vereador, sua atuação acaba sendo muito próxima a dos vereadores do PSOL e do PT. O senhor pode compor com essa frente de esquerda?

    Não, compor a frente de esquerda, não. Já temos isso bem claro no nosso projeto, nossa intenção é ficar mais no centro. Com a possibilidade de dialogar tanto com uma ala mais liberal quando com uma ala mais ligada ao social. Vejo que a cidade tem que ser um somatório de todos. Algumas ações devem ser pensadas numa linha mais social e outras mais liberal. Ficar rotulado apenas em um extremo não vai trazer o resultado que a cidade precisa. Eu não consigo e não quero ficar polarizado numa questão. Acho que a cidade inteira perde. Basta ver o que aconteceu na nossa eleição para presidente, que ficou polarizada entre Haddad e Lula contra Bolsonaro, PT e PSL.

    No início do ano o senhor chegou a ser convidado pelo PSL do governador Carlos Moisés, mas disse que seu eleitor talvez não entendesse o senhor no partido de Bolsonaro. Esse PSL sem Bolsonaro é uma opção?

    O PSL do governador é um partido diferente do PSL em nível federal. Moisés é uma pessoa por quem tenho um respeito grande e admiro algumas decisões que ele vem tomando. É uma possibilidade de diálogo que já foi aberta. Se o PSL do Moisés continuar caminhando para o centro, fortalece a possibilidade de estarmos próximos.

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