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Desfiliação

PSB e Paulo Bornhausen selam divórcio, mas ainda falta a partilha de mandatos

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Por Upiara Boschi
11/04/2019 - 19h29 - Atualizada em: 11/04/2019 - 22h47
Bornhausen sai após conversa com Siqueira (ao centro). Donos de mandato como Rodrigo Coelho ainda estão indefinidos. Foto: PSB/Divulgação
Bornhausen sai após conversa com Siqueira (ao centro). Donos de mandato como Rodrigo Coelho ainda estão indefinidos. Foto: PSB/Divulgação

Saiu, enfim, em termos inicialmente amigáveis, o divórcio entre o ex-deputado federal Paulo Bornhausen e o PSB nacional. Com uma mensagem aos companheiros de partido no Estado, ele anunciou a desfiliação após longa conversa com Carlos Siqueira, presidente do PSB. Faz parte da decisão a autodissolução do diretório estadual.

O anúncio de Paulo Bornhausen diz respeito a um time de oito prefeitos, 10 vice-prefeitos, três deputados estaduais e um federal eleitos sob o comando do ex-deputado, que assumiu o partido em 2013 das mãos do então presidenciável Eduardo Campos - morto no ano seguinte em desastre aéreo. A volta do PSB às origens que indicam a palavra “socialista” que integra a sigla tornava cada vez mais difícil a permanência do grupo no partido.

A dúvida que fica são os termos do divórcio e quem seguirá Bornhausen em seu novo destino - estão avançadas as negociações com o Podemos, embora o ex-deputado ainda não confirme. Na segunda-feira, a executiva do PSB estadual reúne-se para dissolver-se. Os dirigentes nacionais escalaram o ex-prefeito de Palmas, Carlos Amashta, figura conhecida de outros carnavais florianopolitanos para ser um observador da reconstrução do diretório. Os prefeitos e vices devem sair sem dificuldades - deputados e vereadores devem negociar pontualmente. Poucos devem continuar no PSB. Nem todos devem acompanhar Bornhausen - PR e DEM são destinos possíveis de prefeitos e vereadores. O ex-deputado não se abala.

- Sei liderar, sei construir, reconstruir e construir de novo. Quem estiver comigo, está em caminho seguro. Eu construo carreiras - disse na noite desta quinta-feira.

Aproveitei a conversa para perguntar se ele se sentia aliviado por nunca mais ter que responder sobre a contradição de integrar um partido socialista. Eis a resposta:

- Aprendi muito, conheci o outro lado, estou muito mais apto para entender quem pensa de forma diferente, convivi com pessoas decentes e nunca fiz nada que ferisse minhas convicções. Está na minha biografia.

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Leia a íntegra da mensagem de Paulo Bornhausen às lideranças do PSB-SC:

Queridos amigas e amigos líderes!

Estive hoje com o Presidente Carlos Siqueira como é do conhecimento de todos.

Foi uma conversa amiga, cordial e franca.

Entre dois homens públicos que se respeitam e se admiram mutuamente.

Em duas horas e meia, conversamos

francamente sobre nossa vitoriosa trajetória até aqui e dos desafios que nos esperam no futuro.

Demonstrei ao Presidente meu entendimento e respeito sobre as decisões tomadas pelo partido a nível nacional .

Da mesma forma que enumerei as questões que me levam, nesse momento, a não poder seguir tais orientações.

Optei por me desligar do partido, saindo pela mesma porta que entrei: a da frente!

A minha decisão é pessoal e não coletiva.

Nenhum companheiro e nem nenhuma companheira tem a menor obrigação de seguir os meus passos. Até porque o PSB é um partido correto e verdadeiro nas suas posições.

Mesmo não concordando em muitas delas, tenho um respeito e admiração pela coerência e liderança exercida pelo Pres Carlos Siqueira.

Combinamos uma transição harmônica que, com a concordância do nosso Presidente @Ronaldo Freire será efetuada até 30/4.

Seguiremos o caminho da dissolução expontânea do Diretório Estadual para que a Nacional possa nomear uma nova executiva que seguirá a normalidade da vida partidária.

Já comuniquei ao Pres Ronaldo que o Presidente Siqueira nomeou o Prefeito Carlos Amasta, membro do Diretório Nacional, interlocutor para a transição em Santa Catarina.

Na próxima segunda-feira, ele terá um encontro com a Executiva Estadual para dar sequência aos encaminhamentos e conduzir o processo.

A palavra que posso utilizar nesse momento é gratidão!

Gratidão a todos vcs, ao Siqueira, a aqueles que estiveram conosco nessa caminhada e os que já não estão.

Em especial ao nosso eterno líder Eduardo Campos, aonde estiver, e que certamente também compreenderia meus argumentos e a decisão tomada.

Estarei na reunião da executiva na segunda junto com meu amigo, líder e irmão Ronaldo.

So me desligarei formalmente do partido no momento final da transição.

Peço a compreensão de todos.

Devo muito a vocês.

Sou eternamente grato pela confiança que em mim sempre depositaram.

Peço desculpas por minhas falhas e omissões que possam ter acarretado prejuízo a algum de vocês . Estaremos sempre juntos nos nossos ideais de construir um país e um Estado mais justo e fraterno!

Um forte, respeitoso e afetuoso abraço a todas e a todos!

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Faz a leitura e a análise do contexto do cenário político de Santa Catarina, com informações de bastidores. Explica motivações e consequências das principais decisões tomadas nos poderes do Estado.

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