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Cotidiano

Sem trégua: De cada 10 ligações, nove são de telemarketing

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Por Viviane Bevilacqua
16/01/2019 - 15h30 - Atualizada em: 16/01/2019 - 17h15
Foto: Cleber Gomes / Agencia RBS

Dessas coincidências da vida. Ontem pela manhã, pela milésia vez, fui acordada com o telefone tocando. Com muito sono e sem óculos, não consegui ler a origem da ligação. Atendi, porque podia ser algo importante.

_ Alô… Alô… Alô…

Só consegui ouvir o barulho de vozes do outro lado da linha e já estava desligando quando uma pessoa disse que era do banco tal e estava oferecendo cartão de crédito. Meu ímpeto foi de desligar sem responder nada, mas me considero uma pessoa pelo menos um pouco educada. Agradeci, disse que já tenho cartão e que não preciso de outro. Ela insistiu, insistiu até que eu disse que iria desligar. Ser acordada de manhã cedo dessa forma ninguém merece. Ainda mais quando a pessoa é instruída a insistir e nunca aceitar um não como resposta. Haja paciência.

Ainda pensava sobre isso, ontem, quando recebi uma mensagem de um amigo. Ele escreveu: “Tens escrito colunas com temas de interesse público, abordando males que afligem a nós, pobres mortais. Me atrevo a sugerir que escrevas sobra a praga do momento, os telefonemas de call center, escritórios de advocacia com cobranças extemporâneas e/ou indevidas, ofertas de consignados, cartões de crédito e outras coisas do gênero. Procon, operadoras e, claro, a Anatel, ninguém dá jeito. Outro dia, acredite, das 7h30 da manhã às 20 h, recebi 76 ligações. Chegaram algumas depois, mas parei de contar. Minha pergunta é: como nosso cadastro foi parar na mão de bancos, financeiras, escritórios de cobrança e o escambau? Beijos do leitor assíduo”.

Transcrevi a mensagem na íntegra, apenas ocultando o nome por questão de privacidade. Mas ele tem toda a razão na sua reclamação _ e eu canso de me fazer a mesma pergunta: Como eles têm todos os nossos dados? Quem autorizou a fornecer o número pessoal de celular? Claro que alguém lucra com isso, vendendo o mail de seus clientes para terceiros. Mas, no meu caso, pelo menos, o tiro acaba acertando o próprio pé. Se telefonam tentando me vender alguma coisa e insistem após minha negativa, tornando-se inconvenientes, logo bloqueio este número no celular. Ligações no telefone convencional só atendo se conheço o número, porque de 10 telefonemas nove são de alguém oferecendo algo, de suplementos vitamínicos a apartamentos. Isso, sem contar as inúmeras vezes que ligam e não se identificam. “Só pode ser ligação de dentro da cadeia”, muita gente diz. Mas ainda não entendi com que propósito eles fariam isso.

Às vezes acontecem coisas engraçadas também. Um dia, uma pessoa me telefonou oferecendo empréstimo, a juros baixos (na opinião dela, claro). Nem sei de que empresa ela era. Eu disse que não e agradeci. Ela insistiu e eu garanti que não precisava de dinheiro, pois não tinha dívidas. Ela não acreditou. “Todo brasileiro tem”, me assegurou. Continuei repetindo que não era o meu caso, até que ela disse, baixinho: “Neste caso, tenho inveja da senhora. Boa noite”, e desligou. Quase cheguei a ficar com pena de estar com minha vida financeira em dia.

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Viviane Bevilacqua

Pessoas, lugares e atitudes que fazem refletir a partir de textos que inspiram e convidam a observar com mais atenção detalhes do cotidiano. Este espaço deixou de ser atualizada. Conheça todos os colunistas do NSC Total em: https://www.nsctotal.com.br/

viviane.bevilacqua@somosnsc.com.br

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