O volume da música em bares e ambientes de entretenimento pode influenciar diretamente o comportamento dos consumidores. Um estudo realizado por pesquisadores franceses descobriu que pessoas expostas a músicas mais altas tendem a beber mais rápido e consumir uma quantidade maior de álcool do que aquelas que frequentam locais com som em níveis moderados.

Experimento foi realizado em bares
A pesquisa foi conduzida pela Universidade de Bretagne-Sud, na França, em ambientes reais e sem que os participantes soubessem que estavam sendo observados. Os cientistas acompanharam o comportamento de 40 homens com idades entre 18 e 25 anos que já haviam pedido pelo menos uma cerveja em bares selecionados para o estudo.
Com autorização dos proprietários dos estabelecimentos, os pesquisadores alteravam aleatoriamente o volume da música ambiente entre 72 decibéis, considerado um nível normal, e 88 decibéis, classificado como alto. Após a saída de cada participante observado, o volume era novamente ajustado antes da seleção de um novo cliente.
Clientes beberam mais rápido com som alto
Os resultados mostraram uma diferença significativa no comportamento dos frequentadores. Quando a música estava em volume moderado, os participantes levavam, em média, cerca de 14,5 minutos para terminar uma cerveja. Já nos momentos em que o som estava mais alto, esse tempo caía para aproximadamente 11,5 minutos.
Como consequência, os clientes também consumiam mais bebidas ao longo da permanência no bar. Segundo os pesquisadores, o aumento do ritmo de consumo fez com que os participantes pedissem, em média, uma cerveja adicional quando estavam expostos aos níveis mais elevados de som.
O que pode explicar o fenômeno?
Para Nicolas Guéguen, pesquisador da área de comportamento e um dos responsáveis pelo estudo, existem algumas hipóteses para explicar o resultado. A principal delas é que sons mais intensos aumentam o nível de excitação fisiológica das pessoas, fazendo com que elas consumam bebidas mais rapidamente.
Outra possibilidade levantada pelos autores é que a música alta dificulta as conversas e reduz a interação social dentro dos bares. Com menos diálogo e mais dificuldade para se comunicar, os frequentadores poderiam acabar direcionando mais atenção ao consumo das bebidas.

Outras pesquisas encontraram efeitos semelhantes
Os resultados estão alinhados com estudos anteriores que investigaram a relação entre música e comportamento de consumo. Pesquisas já indicaram que músicas aceleradas podem levar as pessoas a mastigar mais rápido, enquanto músicas lentas tendem a aumentar o tempo de permanência em bares e restaurantes.
Outros trabalhos também sugerem que ambientes barulhentos podem alterar a percepção do sabor das bebidas alcoólicas, fazendo com que elas pareçam mais doces e dificultando a avaliação da quantidade consumida.
O impacto da música vai além do entretenimento
Embora a música seja vista principalmente como um elemento de entretenimento, estudos apontam que ela pode influenciar decisões e hábitos de consumo de maneiras pouco perceptíveis. O volume, o ritmo e até o estilo musical são fatores capazes de alterar comportamentos, afetando desde o tempo que uma pessoa permanece em um estabelecimento até a quantidade de comida e bebida consumida durante a visita.
