Primeiro prédio erguido em Brasília, em 1958, o Palácio da Alvorada serve de moradia oficial para quem ocupa a Presidência da República desde que a capital mudou para o Centro-Oeste. Desenhado por Oscar Niemeyer perto do Lago Paranoá, o espaço de sete mil metros quadrados de área construída combina a rotina do governo com peças históricas, salas para eventos oficiais e um jardim povoado por milhares de animais da região. Dividida em três andares, a construção reúne fatos curiosos, reformas feitas ao longo dos anos e detalhes da arquitetura que viraram símbolos da cidade.
FOTOS: Mural dourado, peças históricas e itens de luxo integram os ambientes do Palácio da Alvorada
O projeto que quase não saiu do papel
A fachada famosa com colunas brancas de mármore não foi a primeira ideia para a casa do presidente. O primeiro desenho feito por Oscar Niemeyer acabou recusado pelo então presidente Juscelino Kubitschek, que pediu um prédio mais marcante e imponente para a nova capital.
Na segunda tentativa, o arquiteto criou os pilares curvos que viraram a marca registrada do lugar. O cálculo do engenheiro Joaquim Cardozo fez com que cada coluna encostasse no chão por apenas um pontinho, dando a impressão de que o prédio flutua sobre a grama. As linhas curvas deram ao projeto o apelido de “barroco”, e o formato das colunas virou o símbolo estampado na bandeira e no brasão do Distrito Federal, sendo copiado em várias construções pelo país.
Animais soltos pelo jardim
A proximidade com a natureza faz com que os moradores do palácio dividam o espaço com os animais da região. Um levantamento feito pelo portal R7 em 2026 mostrou que as residências oficiais da Presidência da República somam mais de 10 mil animais circulando livremente pelos gramados e lagos do terreno.
Grupos de emas, capivaras, garças, papagaios, macacos e jabutis usam a área verde da propriedade. Já nos tanques e lagos do complexo vivem milhares de peixes, como carpas e pirarucus.
O que tem dentro da moradia oficial
A divisão dos cômodos no Palácio da Alvorada separa o trabalho da vida em família. O andar térreo é usado para recepções oficiais e guarda peças históricas:
- Muro de Ouro: logo na entrada, uma parede coberta de folhas de ouro traz gravada a frase de JK, escrita em 1956:
“Deste Planalto Central, desta solidão que em breve se transformará em cérebro das altas decisões nacionais, lanço os olhos mais uma vez sobre o amanhã do meu país e antevejo esta alvorada com fé inquebrantável e uma confiança sem limites no seu grande destino.”
- Salão de Banquetes: tem lugar para 50 convidados e guarda os talheres vindos do antigo Palácio do Catete, no Rio de Janeiro.
- Obras de arte e relíquias: a Sala de Jantar reúne móveis antigos do século XVIII, pinturas vindas da Europa e louças históricas. O andar conta ainda com quadros de pintores famosos como Candido Portinari, Di Cavalcanti e Alfredo Volpi, além de esculturas de Victor Brecheret e Alfredo Ceschiatti.
- Livros e peças antigas: a biblioteca guarda 3,4 mil livros e mapas do Brasil do século XVII, enquanto uma área aberta no andar de cima exibe três urnas funerárias feitas por indígenas da Ilha de Marajó.
Já o primeiro andar é a parte privativa da casa, com o quarto do presidente, dois quartos para visitas e salas de estar da família. Para manter tudo funcionando, o subsolo conta com cinema para 30 pessoas, auditório, posto médico, cozinha grande, lavanderia e depósito.
Histórias curiosas e troca na fiação
A rotina da casa acumula episódios curiosos. Durante uma reforma feita entre 2004 e 2006, os técnicos descobriram que toda a fiação elétrica da casa funcionava na voltagem 110V, diferente do padrão de 220V usado no Distrito Federal, o que exigiu a troca de todo o sistema.
Outra mudança aconteceu em 2017, com o gasto de R$ 24 mil para adaptações na casa, incluindo a colocação de telas de proteção nas janelas do segundo andar para Michelzinho. O filho do ex-presidente Michel Temer foi a primeira criança a morar no Alvorada desde o governo de João Goulart, nos anos 1960. Apesar dos ajustes, a família morou apenas sete dias no local e resolveu se mudar para o Palácio do Jaburu, residência do vice-presidente.
Como visitar o Palácio da Alvorada
Quem quiser conhecer a casa do presidente por dentro pode fazer uma visita gratuita aos domingos, das 9h às 14h. O passeio dura uma hora e recebe grupos de até 30 pessoas, com agendamento marcado com antecedência pelo site oficial do Governo Federal (visitapr.presidencia.gov.br).
Alunos do 4º e 5º ano do ensino fundamental de escolas públicas e particulares do Distrito Federal e de cidades vizinhas também podem participar de visitas escolares, agendadas pelo e-mail corep@presidencia.gov.br ou pelo telefone (61) 3411-2317.
Leia também
- Diário de viagem: como a visita de um jovem ao deserto egípcio inspirou projeto no coração do Brasil
- Um dilúvio engoliu essa vila inteira no Brasil e a transformou em uma “Atlântida Perdida”
- A história do hotel de JK que abrigou o poder antes da Capital Brasileira existir
- Catetinho: “Palácio de Tábuas” serviu de marco zero para sonho de JK
*Sob supervisão de Luiz Daudt Junior.





















