A história do hotel de JK que abrigou o poder antes da Capital Brasileira existir

Conheça a trajetória do Brasília Palace, ícone de Oscar Niemeyer que abrigou os bastidores da nova Capital brasileira e renasceu após 28 anos de abandono

Compartilhe:

Primeiro marco de hospitalidade do Distrito Federal, o Brasília Palace Hotel foi fundado por Juscelino Kubitschek em 1958 para acolher comitivas estrangeiras antes mesmo da inauguração da nova Capital brasileira (Foto: Arquivo Público do DF, Divulgação)

Fundado em 30 de junho de 1958 por Juscelino Kubitschek, o Brasília Palace consolidou-se como o primeiro grande marco de hospitalidade do Distrito Federal (DF). Muito antes da inauguração oficial da nova capital brasileira, o edifício já recebia comitivas estrangeiras e autoridades interessadas em acompanhar de perto os acampamentos de obras que brotavam no Cerrado.

Continua após a publicidade

FOTOS: As memórias do hotel que sediou o poder no Brasil

O QG da utopia no cerrado

Antes da Esplanada dos Ministérios se formar, o hotel funcionava como o único ponto de civilidade na poeira da Novacap. Políticos, engenheiros e embaixadores dividiam o mesmo balcão, transformando os corredores do Palace no epicentro das negociações que viabilizaram a transferência da estrutura federal.

Para o historiador Afrânio Gonçalves Castro, professor da Universidade Católica de Brasília (UCB), o Palace nasceu como parte do próprio projeto da capital.

Continua após a publicidade

Antes de haver cidade, era preciso haver hospitalidade para que o sonho de Brasília pudesse ser mostrado, negociado e legitimado diante das elites políticas e culturais do Brasil e do exterior“, explica em depoimento registrado pelo Correio Braziliense.

O Brasília Palace não hospedou apenas hóspedes; ele hospedou a própria construção da identidade nacional“, acrescenta, apontando o peso histórico do lugar.

Arte sobrevivente nas paredes

A arquitetura de Oscar Niemeyer e o design de interiores do hotel traduziam visualmente o conceito do Brasil moderno. As famosas colunas em “V” dão leveza ao bloco, que parece flutuar sobre o gramado, integrando-se de forma harmônica à paisagem da jovem cidade.

Nas paredes do lobby, o imenso painel de azulejos de Athos Bulcão e o afresco de Paulo Werneck deixaram de ser apenas elementos decorativos. Hoje, essas obras funcionam como um patrimônio tombado que atrai turistas, arquitetos e estudantes do mundo inteiro.

Continua após a publicidade

Do incêndio ao cartão-postal

Mas essa trajetória quase virou fumaça em 1978, quando um incêndio devastador destruiu o interior do prédio e o condenou a 28 anos de abandono. O esqueleto de concreto pichado, vizinho ao Palácio da Alvorada, foi por muito tempo uma das feridas urbanas mais dolorosas da cidade.

O cenário só mudou em 2006, quando uma restauração minuciosa devolveu o hotel à vida, respeitando o traço original de Niemeyer. Hoje, o Brasília Palace não vive apenas de passado, ele permanece ativo como uma testemunha viva da própria memória política e cultural do Brasil.

Continua após a publicidade

Leia também

*Com edição de Luiz Daudt Junior.