O prédio mais icônico de Brasília esconde um labirinto de túneis que formam uma verdadeira cidade subterrânea e, embora o mundo o conheça apenas como Congresso Nacional, seu nome oficial é Palácio Nereu Ramos, uma homenagem ao político catarinense natural de Lages que garantiu a fundação da capital. A estrutura, que vai muito além das famosas cúpulas de Oscar Niemeyer, abriga desde gráficas e centros de dados escondidos no subsolo até o imponente Salão Verde, que guarda alguns dos maiores tesouros artísticos e diplomáticos da República.
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O nome de SC no coração do poder
A escolha de batizar o edifício como Palácio Nereu Ramos é um reconhecimento ao papel crucial do lageano na história republicana. Entre 1955 e 1956, Ramos ocupou a Presidência da República em um período de extrema turbulência política. Sem a mediação de Nereu Ramos, o projeto de Juscelino Kubitschek de transferir a capital para o Planalto Central dificilmente teria sido aprovado no Congresso Nacional. Essa articulação decisiva ligou para sempre o nome do Estado à arquitetura mais famosa do país.
O simbolismo das cúpulas
Visualmente, o conjunto é definido pelo contraste das duas semiesferas que representam a natureza de cada Casa Legislativa. A cúpula maior, voltada para o céu, abriga a Câmara dos Deputados e simboliza a abertura ao povo e à diversidade de opiniões. Já a cúpula menor e invertida pertence ao Senado Federal, sugerindo um ambiente de reflexão e maturação das leis. Para que essas formas monumentais parecessem flutuar, o engenheiro Joaquim Cardozo desenvolveu cálculos revolucionários que permitiram o uso de cascas de concreto com espessuras mínimas, desafiando a percepção de peso da estrutura.
A engenharia invisível e os labirintos do subsolo
O que o público observa da Praça dos Três Poderes é apenas a ponta de um iceberg tecnológico e logístico. Sob o concreto de Niemeyer, estende-se uma rede de circulação conhecida como Corredor do H, por onde parlamentares e servidores transitam entre os blocos anexos e os plenários sem precisar sair ao ar livre. Esse ecossistema subterrâneo funciona como uma engrenagem autossuficiente, abrigando setores administrativos e operacionais que permitem que a rotina dos parlamentares ocorra de forma integrada e protegida das variações climáticas do cerrado.
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O Salão Verde e o tesouro das nações
Um dos espaços mais nobres do complexo é o Salão Verde, área de recepção da Câmara que funciona como uma galeria de arte de acesso restrito. O local abriga obras fundamentais, como o painel de azulejos de Athos Bulcão e o icônico vitral de Marianne Peretti, além de esculturas de Alfredo Ceschiatti. É também neste setor que se encontra a sala de presentes protocolares, onde ficam expostos objetos de luxo, pratarias e artesanatos finos recebidos de delegações estrangeiras ao longo das décadas, servindo como um registro físico das relações diplomáticas brasileiras.
Como visitar o gigante de concreto
Toda essa riqueza histórica e arquitetônica está ao alcance do público por meio de visitas guiadas gratuitas, que permitem explorar os salões e entender o funcionamento do poder de perto. Recentemente, o roteiro passou a integrar o processo de restauro das tapeçarias e vidros blindados danificados em 2023, transformando a recuperação do prédio em um novo capítulo da memória institucional. Ao abrir as portas gratuitamente para o público, o Palácio Nereu Ramos reforça que o Congresso, para além do símbolo de poder, é um espaço de acesso, memória e formação política para o cidadão.
Conhece a história dos Túneis Secretos de Brasília? Veja fotos
*Com edição de Luiz Daudt Junior.



















