Uma reserva ecológica particular reúne mais de 30 cachoeiras abertas à visitação ao longo do Ribeirão Dois Irmãos. Chamado de Chapada Imperial, o espaço fica na Fazenda Dois Irmãos, em Brazlândia (DF), a cerca de 50 quilômetros de Brasília. Situada na Área de Proteção Ambiental (APA) da Cafuringa, a 1.342 metros de altitude, a propriedade funciona como um santuário voltado para a preservação da fauna e da flora do Cerrado.

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FOTOS: Trilhas, quedas d’água e a estrutura do santuário ecológico

A estruturação da área começou em 1985 e a abertura oficial ao público ocorreu em 1999. Hoje, o local atua na linha de frente unindo o turismo de natureza a pesquisas científicas, projetos pedagógicos e práticas de sustentabilidade planejadas para reduzir o impacto ambiental na região.

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Trilhas guiadas e rotas de caminhada

As visitas aos atrativos naturais são feitas obrigatoriamente por meio de caminhadas acompanhadas por guias locais treinados em preservação ambiental. O público pode escolher entre três opções de trajetos com base na extensão: a trilha curta, de 1 quilômetro; a média, com cerca de 3 quilômetros; e a longa, que varia entre 4 e 4,5 quilômetros.

O percurso mais longo passa por até 25 cachoeiras e poços naturais, entre eles, a Cachoeira Imperial, a Cachoeira Rainha, o Poço do Escorrega e a Cachoeira das Borboletas. A reserva opera no sistema de day-use e exige agendamento prévio. Os grupos percorrem ecossistemas de cerrado rupestre, matas de galeria e veredas. Ao término da caminhada longa, o retorno dos visitantes até a sede é realizado em um caminhão adaptado do tipo pau-de-arara.

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Treinamento e integração com a comunidade

A mão de obra da reserva é composta por moradores da própria região. Toda a equipe, tanto do setor administrativo quanto de campo, passa por capacitação técnica focada na ecologia do Cerrado, em práticas sustentáveis e na condução de turistas.

Esse processo de formação inclui treinamentos periódicos de primeiros socorros realizados em parceria com o Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF). Devido às características geográficas do terreno, a própria corporação militar utiliza a área da fazenda para instrução e exercícios operacionais de suas equipes.

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Reabilitação de animais silvestres

Desde 2002, a Chapada Imperial mantém o projeto Reinas, desenvolvido em cooperação com o Ibama e sob o monitoramento do Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (Cetas). O programa recebe animais que foram apreendidos em operações contra o tráfico ou que foram entregues de forma voluntária, oferecendo reabilitação antes da soltura na natureza.

A iniciativa já soltou aproximadamente 1.000 animais silvestres por ano no bioma, acumulando mais de 20 mil reintroduções desde o início das atividades. O projeto ajudou a restabelecer espécies locais, como a arara-canindé, que saiu da lista de animais ameaçados de extinção no Distrito Federal. O território também serve de abrigo para grandes mamíferos e aves, como o lobo-guará, o tamanduá-bandeira, o urubu-rei e a onça-pintada.

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Tecnologias ecológicas e educação

A infraestrutura da sede conta com o Banheiro Verde, uma instalação projetada com base no reuso e na reciclagem de materiais. A estrutura utiliza telhas ecológicas produzidas a partir de embalagens cartonadas prensadas e iluminação natural viabilizada por lâmpadas de garrafa PET. O aquecimento solar da água é feito por um sistema montado com tubos de PVC e garrafas plásticas, e os dejetos vão para uma fossa ecológica que evita a contaminação do lençol freático.

Há pouco mais de duas décadas, o local serve de cenário para aulas de campo pedagógicas. Os programas de educação ambiental atendem desde a educação infantil até o ensino superior, abordando de forma prática temas como botânica, sustentabilidade e biodiversidade.

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A origem dos ipês da capital federal

Por meio do Projeto Árvore, a reserva realiza a coleta de sementes nativas do Cerrado para fins de pesquisa acadêmica e recuperação de áreas degradadas, trabalhando em conjunto com pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) e da Embrapa.

Esse trabalho com a flora começou na década de 1990, coordenado pela equipe do Horto da UnB. Sementes de árvores como ipês e jacarandás-do-cerrado coletadas na fazenda foram utilizadas na produção de mudas para a arborização urbana do Plano Piloto de Brasília. Atualmente, a atividade de coleta também inclui espécies como barbatimão, sucupira, pau-santo e cedro.

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História das terras e o período colonial

A Fazenda Dois Irmãos carrega ligações com o período colonial brasileiro. Originada de uma antiga sesmaria, a propriedade possui um Registro Paroquial que data de 1858, época em que a área total somava quase mil alqueires. Os documentos da época indicam que os primeiros donos foram Pedro José de Alcântara e Carolina Josepha Leopoldina, um casal com os mesmos nomes dos integrantes da família imperial do país, o imperador Dom Pedro I e a Imperatriz Dona Leopoldina.

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*Com edição de Luiz Daudt Junior.