O empresário Hélio, dono do restaurante Toca do Leão, localizado em Tubarão, em Santa Catarina, publicou um vídeo abalado nas redes sociais afirmando que o estabelecimento estava sendo boicotado após ser adicionado em uma lista relacionada à partidos políticos.
Com 33 anos de história, o restaurante vem enfrentando uma onda de boicotes após ser inserido na lista. No vídeo, Hélio relata que já registrou buzinas em frente ao estabelecimento, olhares atravessados e cochichos quando aparece de uniforme na região.
No vídeo, que já conta com mais de um milhão de visualizações, o empresário aparece chorando ao lado da filha pequena Maria Catarina.
“A gente não levanta bandeira para ninguém, atendemos todo mundo da mesma maneira. Nossa família atende a sua família. Ficamos muito triste com o que aconteceu e estamos sendo hostilizados” disse o empresário.
“A gente tem família. A gente não é bandido, a gente é trabalhador”, disse Hélio, chorando.
Mesmo abalado, com a menina no colo, o empresário pediu apoio para manter as portas abertas.
“Sofrer isso injustamente é muito triste e pesado. Gostaríamos de pedir o apoio de vocês para compartilhar e divulgar esses vídeos para continuar com as portas abertas” disse o empresário.
O conteúdo, que já conta com mais de 140 mil curtidas, viralizou nas redes sociais. Nos comentários, internautas demonstraram apoio ao empresário.
“Passando por aí, faço questão de almoçar com vocês” disse um internauta. “Agora quero ir pra Tubarão pra conhecer o restaurante”, afirmou outro.
Listas de boicotes em SC
Em Jaraguá do Sul, uma lista de boicotes também fez empresários se pronunciares nas redes sociais. A lista, intitulada “Comércios Petistas da região”, vem circulando nos últimos dias nas redes sociais.
Com o selo de “encaminhada com frequência”, ela vai sendo atualizada e, na última vez que o portal NSC Total teve acesso, tinha 33 nomes. A lista não possui dados consistentes. Pelo menos um dos comércios citados tem, por exemplo, posicionamento contrário ao Partido dos Trabalhadores (PT).
Mesmo assim, temendo por prejuízos, três comerciantes com nomes citados na lista apócrifa vieram a público repudiar a citação.
Veja fotos
Na Grande Florianópolis, listas com o rótulo “empresários de esquerda” mapearam estabelecimentos em Santo Amaro da Imperatriz, Águas Mornas, Angelina e Palhoça, de ramos como transporte, saúde, advocacia e alimentação. As listas foram denunciadas pelo deputado estadual Fabiano da Luz (PT-SC) ao Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) e ao Ministério Público do Trabalho, que devem investigar o caso.
Em Praia Grande, no Sul do Estado, um servidor público municipal foi exonerado nesta quarta-feira (28), após que ele elaborar uma lista de estabelecimentos comerciais e profissionais da cidade acompanhada de mensagens que incentivam o boicote a produtos e serviços por supostos vínculos ou posicionamentos políticos.
Lista são denunciadas
Após os ocorridos, Sindicatos e associações de Santa Catarina estão denunciando a circulação das listas de boicote contra empresas e profissionais apontados como “petistas” e cobram investigações sobre relatos de demissões e encerramentos de contratos por motivação política. As mensagens circulam no Estado e em outras regiões do Brasil após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República, nas eleições de 2026.
As listas compartilhadas incentivam empreendedores e clientela a deixar de comprar nos estabelecimentos ou contratar os profissionais citados. O movimento cresceu após políticos e influenciadores digitais publicarem conteúdos que defendem a demissão de trabalhadores, a recusa de contratação de profissionais e o boicote a estabelecimentos que ajudaram a reeleger o presidente.
Boicotes não são novidade no país
O Ministério Público do Trabalho (MPT) analisa casos parecidos desde janeiro deste ano. Segundo os dados apresentados no site oficial do MPT, até terça-feira (27), foram 1.937 denúncias recebidas por assédio eleitoral em todo o país. Deste total, 21,4% destes casos foram registrados a partir do domingo de eleições (25).
O movimento é chamado de “Demita um petista” e chama a atenção das autoridades pela continuidade das práticas de assédio eleitoral, mesmo após o encerramento da votação.
Para Juliano Mandellio, presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/SC), as listas configuram uma tentativa de discriminação e intimidação profissional incompatível com o Estado Democrático de Direito.
“Listas de boicote são uma forma de intimidação, e por isso levamos o caso ao Ministério Público para que os responsáveis sejam identificados e responsabilizados”, diz.
Quem sofreu ou presenciou situações de assédio eleitoral pode apresentar denúncia ao MPT pelo site www.mpt.mp.br. O registro pode ser feito de forma remota e sigilosa, com apresentação de provas e documentos que comprovem a demissão injusta.




