O feriadão de Corpus Christi em meados de junho é apontado como um dos responsáveis pelo expressivo aumento de casos do novo coronavírus nos últimos dias em Blumenau, avalia o secretário de Promoção da Saúde, Winnetou Krambeck. Aquele fim de semana prolongado teve também o Dia dos Namorados. O movimento nas estradas e restaurantes foi maior e a consequência está nos números, acredita o gestor.
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Winnetou lembra que ao avaliar o reflexo de um grande descuido durante uma pandemia é preciso olhar para 14 dias antes, já que o vírus pode levar esse tempo para se manifestar no corpo do infectado. Em Blumenau, na segunda-feira pós-feriadão, em 15 de junho, havia 1.134 diagnosticados e, entre eles, 13 internados. Duas semanas depois (29), eram 2.277 casos e 19 hospitalizados – um aumento de 100%. O maior número em 24h registrado até esta quinta-feira (2) ocorreu justamente entre os dias 29 e 30 de junho, quando 181 moradores tiveram o exame positivo para a Covid-19.
É claro que o salto é explicado também por outros motivos. O relaxamento da população para as regras de proteção tem sido criticado incansavelmente pela prefeitura, que já anunciou, inclusive, que multará quem não utilizar a máscara nas ruas. Os testes rápidos passaram a ser feitos no começo de junho e contribuíram para o crescimento – quanto mais exames feitos, mais pacientes são descobertos. O inverno chegou e os dias mais frios são conhecidos pela maior incidência de doenças respiratórias, acrescenta Winnetou.
— As pessoas viajaram, houve um extrapolamento no feriado. Apesar do aumento, estamos com a situação controlada, mas não posso dizer que estará assim daqui a uma semana, não tem como saber — diz o secretário.
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Questionado sobre o impacto que a liberação do transporte coletivo em 15 de junho causa na quantidade de infectados, Winnetou defende que uma análise mais concreta só poderá ser feita na próxima semana.
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Alto contágio
O secretário não fala sobre o pico da doença. Para ele, já não é mais possível prever quando “o pior” chegará, pois a evolução tem oscilado junto com as flexibilizações e restrições. Ele explica que o contágio está alto e que a maioria das pessoas tem se infectado dentro de casa. Ou seja, uma pessoa pega o vírus na rua e traz para dentro do lar.
— Dentro da residência a pessoa descuida, porque está em um ambiente “seguro”. Se há mais pessoas na casa, a disseminação acaba acontecendo ali — lamenta.
Aprender a conviver com o vírus é um dos lemas que tem sido repetido pelo secretário. Com o “novo normal”, todos precisam saber evitar o contágio até a chegada de uma vacina ou remédio eficaz contra o coronavírus.
— As pessoas precisam entender como se comportar a longo prazo. Temos que conviver com o vírus da melhor forma possível, tal como foi com o H1N1, por exemplo. O coronavírus não vai acabar, precisamos saber como lidar com ele — finaliza.
