Juarez Machado transformou lembrança de infância em painel icônico de 963 peças em Joinville

Cada detalhe do painel representa parte de um circo, com música, dança, acrobacias e dá as boas-vindas aos visitantes ao Centreventos

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Painel no Centreventos Cau Hansen (Foto: Prefeitura de Joinville, Divulgação)

Um painel de 90 metros quadrados guarda a obra “O Grande Circo”, de Juarez Machado, em um dos principais centros que recebe arte e cultura de Joinville: o Centreventos Cau Hansen. O pintor, que morreu nesta terça-feira (6) aos 85 anos, foi um verdadeiro “cidadão do mundo”, mas em sua cidade natal deixou memórias e traços que serão lembrados para sempre.

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O artista foi reconhecido mundialmente pelas suas obras, ganhou o Brasil em suas esquetes no Fantástico e ganhou o mundo com sua artes de cores marcantes e que contam histórias. Não seria diferente no painel, no Centro de Joinville, nas 963 peças de cerâmica pintadas à mão, Juarez relembrou uma experiência de infância, quando foi pela primeira vez a um circo, na Avenida Getúlio Vargas.

Veja fotos do painel:

No documentário “Juarez Machado – Memórias e Reflexões”, produção baseada em depoimentos do artista, ele lembra quando foi ao circo em Joinville e ficou maravilhado com os artistas. Edson Machado, irmão de Juarez, compartilha sobre. “O Juarez foi claro nessa informação: é a memória afetiva. Quando criança, levado pelos pais num circo mambembe de sua cidade. A figura mágica dos malabaristas, dos palhaços, fez com que ele reproduzisse isso com a sua arte”, disse.

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Cada detalhe do painel representa parte do circo, com música, dança, acrobacias e dá as boas-vindas aos visitantes ao Centreventos, que também é casa de importantes produções culturais da nossa cidade como o Festival de Dança de Joinville e o Bolshoi Brasil.

Restauros preservam a identidade da obra

O painel “O Grande Circo” passou por dois restauros desde a sua inauguração, em 1999. Segundo a Prefeitura de Joinville, o primeiro foi realizado em 2008, com a fabricação de nove peças em um processo liderado pelo próprio Juarez Machado em parceria com a Portobello Grupo, que doou as peças originais e também as cerâmicas utilizadas na recomposição.

O segundo restauro foi concluído em 2023, com a produção de 110 peças, 55 delas em substituição a fragmentos deteriorados. O processo foi conduzido pela técnica ceramista Elizângela Moresco Laus, que acompanhou o primeiro restauro junto a Juarez e aceitou o desafio de recompor o mural manualmente, reproduzindo todos os detalhes da obra.

“Ela foi a obra icônica de Juarez Machado. Desde sua criação, do pensamento de realizar uma obra nestas dimensões, ele procurou produzir nos mínimos detalhes uma obra que fosse representativa para a ribalta, as artes cênicas, para outras artes e para Joinville. Juarez falava que ela era um grande portal para a magia das artes”, destacou Edson Machado à época.

Joinville se despede de Juarez Machado

A morte de Juarez Machado causou comoção em Joinville, sua cidade natal. O artista, que sempre levou um pouco da cidade onde ia, deixou seu legado para o Brasil e o mundo.

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“Ele foi um dos grandes nomes da arte que Joinville já produziu. Ele foi desenhista, pintor, escultor, cenógrafo, caricaturista, mímico. Ele foi um artista que transitou com a mesma vitalidade pela tela, pelo bronze, pelo palco. Na década de 70, num quadro que ele teve no Fantástico na TV Globo, ele encantou o país”, explica a professora e doutora Alena Rizi Marmo, coordenadora do curso de Artes Visuais da Univille.

A prefeitura decretou luto oficial de três dias. Ainda não há detalhes sobre data, horário ou local para o velório do artista. A assessoria de imprensa do Instituto Internacional Juarez Machado informou que o corpo deve chegar a Joinville na quinta-feira (8). Após o velório, ele será cremado.

Veja fotos históricas de Juarez: