A história do Pallas, navio naufragado há mais de 130 anos no rio Itajaí-Açu e que virou uma verdadeira dor de cabeça para o Complexo Portuário de Itajaí, pode estar próxima de um capítulo final. Nessa quinta-feira (3) e sexta-feira (4), mergulhadores realizaram inspeções nos destroços que serão determinantes para a definição de como a embarcação poderá ser retirada do fundo do rio.
Os trabalhos são conduzidos pela Superintendência do Porto de Itajaí (SPI) em parceria com a Univali e fazem parte da etapa final dos estudos sobre a remoção. A retirada do Pallas é considerada necessária para permitir o aprofundamento do canal de acesso naquela região e avançar nas obras de ampliação da Bacia de Evolução nº 2.
Segundo a SPI, os mergulhos aconteceram nas proximidades da Bacia de Evolução nº 2 e do molhe norte, no lado de Navegantes. Em um local de visibilidade subaquática praticamente nula e com forte correnteza, mergulhadores especializados coletaram informações sobre as condições dos destroços.
O objetivo da equipe é confirmar detalhes como o estado do casco, a quantidade de sedimento acumulado e se o navio está, de fato, partido ao meio. Informações que serão fundamentais para definir como a estrutura será cortada, movimentada e retirada com segurança.
Além dos mergulhos, o Porto de Itajaí informou também estão sendo coletadas amostras do aço do Pallas e realizados cortes experimentais. O material será analisado para ajudar a dimensionar a operação.
Os trabalhos contam com a participação de Osmar Tibúrcio da Silva, conhecido na região como Maresia, proprietário e fundador da Sulmar Serviços Subaquáticos. Além disso, o professor Jules Soto, diretor do Museu Oceanográfico da Univali, acompanha os estudos.
A previsão é de que essa etapa seja concluída já nos próximos dias. Os mergulhos ténicos fazem parte de um convênio entre a Univali e o terminal, e inclui também sondagens, análises estruturais e outros levantamentos.
Destroços do navio impedem aprofundamento do canal
Os destroços do Pallas descansam calmamente no fundo do rio, mas a carcaça da embarcação continua gerando dor de cabeça para o Porto de Itajaí. Localizados entre as boias 9 e 11, próximos à Bacia de Evolução nº 2, no lado de Navegantes, os restos do navio limitam a profundidade do canal naquela região a 16 metros. A retirada é necessária para permitir novos avanços na infraestrutura e ampliar a capacidade operacional do complexo, inclusive para a chegada de navios de maior porte.
A retirada do Pallas também está ligada a ampliação da Bacia de Evolução nº 2, projetada para alcançar 530 metros de diâmetro. De acordo com a Superintendência do Porto de Itajaí (SPI), a mudança irá promover uma melhoria nas condições para as manobras das embarcações e reforçar a segurança da navegação no local.
“Estamos trabalhando para avançar nas obras e melhorias de que o nosso canal de acesso precisa. A retirada do Pallas é uma ação estratégica, porque eliminará um obstáculo histórico e permitirá avançar no aprofundamento do canal e na ampliação da bacia de evolução”, destaca o o superintendente do Porto de Itajaí, Artur Antunes Pereira.
Remoção do navio deve custar mais de R$ 20 milhões
Atualmente, a SPI trabalha na definição de um plano de como retirar a embarcação do fundo do rio. Um convênio de R$ 310 mil foi firmado com a Universidade do Vale do Itajaí (Univali), para a realização dos estudos necessários para estabelecer como será realizada a força-tarefa que resgatará os destroços do Pallas do canal portuário.

Os trabalhos incluem inspeções subaquáticas, mergulho técnico, sondagens e análises estruturais. A etapa de campo será concluída com o mergulho técnico, que está sendo realizado desde essa quinta-feira (3).
A remoção completa do casco está estimada em aproximadamente R$ 23 milhões e deverá contar com investimentos do governo federal. Depois da retirada, a expectativa é avançar na adequação da Bacia de Evolução nº 2 e no aprofundamento do canal.
Navio afundou há 133 anos
O Pallas foi construído na Inglaterra em 1891 e fazia o transporte de cargas e passageiros entre o Rio de Janeiro e Buenos Aires, com escalas em Itajaí. A embarcação afundou no dia 23 de outubro de 1893, durante a Revolta da Armada, e acredita-se que o naufrágio aconteceu após o comandante se recusar a apoiar os revoltosos que tentavam derrubar Floriano Peixoto.
Além disso, o navio também foi saqueado e perdeu objetos de valor. Os destroços foram identificados novamente apenas em 2017, durante trabalhos de dragagem para a implantação da nova bacia de evolução do Porto de Itajaí.
Levantamentos realizados posteriormente apontaram que a embarcação está partida ao meio, com estruturas metálicas e fragmentos de madeira espalhados pelo leito do rio. Desde então, os restos do Pallas passaram a ser considerados uma limitação para os projetos de expansão da infraestrutura aquaviária do complexo portuário.































