O que Jaraguá do Sul faz para se tornar a cidade mais segura do Brasil

Trabalho em conjunto das forças de segurança, poder público, judiciário e iniciativa privada ajudam a fazer a diferença no Município do Norte de SC

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Jaraguá do Sul é considerada a cidade mais segura do Brasil

As pesquisas que dão o título a cidade, levam em consideração o número de homicídios (Foto: PMJS, Divulgação)

Estar no topo de um ranking que avalia índices de segurança e ser considerada a cidade mais segura do Brasil, já não é mais novidade para os moradores de Jaraguá do Sul, cidade ao Norte de Santa Catarina. Há anos que este reconhecimento é celebrado no Município.

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As mais recentes conquistas ocorreram no ano passado, com a divulgação do Anuário 2023 (Cidades Mais Seguras do Brasil) e agora em junho, com o levantamento Atlas da Violência 2024. As pesquisas levam em consideração o número de homicídios.

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Mas o que faz o município de aproximadamente 182 mil habitantes, com economia fortemente industrial, ser considerado o local mais seguro do Brasil para viver? Uma série de fatores como investimentos, organização das forças de segurança, cultura da comunidade e muito trabalho coletivo e voluntário fazem Jaraguá do Sul, que completa 148 anos neste dia 25 de julho, ser referência no país.

Senso de pertencimento

A comandante do 2º Comando Regional da Polícia Militar, em Jaraguá do Sul, a coronel Arlene Sousa da Silva Villela, atua no Município desde 1999. Anteriormente, ela já havia trabalhado em corporações das cidades de Joinville e Florianópolis, e foi transferida para Jaraguá com a missão de implantar a filosofia da polícia comunitária na cidade.

— Quando começamos a levar para a comunidade o desejo em trabalharmos em conjunto, imediatamente apareciam voluntários, tanto entidades como pessoas físicas. Chamava a atenção a preocupação dos moradores. Elas queriam saber como poderiam ajudar, pois sentiam que faziam parte daquilo — explicou a comandante.

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Para o vice-presidente da Associação Empresarial de Jaraguá do Sul (ACIJS), Luiz Carlos Buzzarello, que atua há mais de 10 anos sendo um elo entre comunidade, classe empresarial e forças de segurança, o senso de participação de vários setores da comunidade, por meio do voluntariado, pode ser considerado algo que faz parte do DNA do jaraguaense desde sua fundação.

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— Se temos um lugar mais seguro para todos, temos um ambiente de bem-estar, com mais qualidade de vida e, inclusive, favorável aos negócios. Então, motiva a todos a busca destas condições não somente na questão de segurança pública, mas em outras áreas que são importantes para a coletividade — detalha Buzzarello.

Para o delegado regional de Jaraguá do Sul, Dr. Eric Uratani, é impossível não citar o trabalho em conjunto para o alcance deste resultado.

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— Temos um governo municipal, uma Câmara, entidades e instituições comprometidas com a questão da segurança pública, e uma comunidade com uma cultura de combate e de intolerância ao crime. Isso contribui bastante — refletiu.

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Polícia Comunitária

Segundo o comandante do 14º Batalhão da PM, tenente-coronel João Carlos Benassi Borges Kuze, a polícia trabalha com várias estratégias de aproximação rotineiras com a comunidade.

— Nós temos o entendimento que precisamos ser o exemplo do que é certo. E em todas as nossas áreas de atuação: no policiamento de rua, na atuação do canil, do tático, e das equipes que atuam nas redes de prevenção. E somos também extremamente rigorosos em eventuais fomentos de corrupção. Se a comunidade sabe que a polícia é séria, ela confia — avalia o comandante Kuze.

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Outras frentes importantes são os programas de prevenção, como o Programa Educacional de Resistência às Drogas e Violência (Proerd), com crianças e adolescentes; a Rede Catarina, no apoio às mulheres vítimas de violência e que possuem medidas protetivas; e a Rede de Vizinhos, que se tornou um importante instrumento da polícia comunitária, com moradores atentos e denúncias frequentes de possíveis situações criminosas.

As polícias Militar e Civil, assim como os bombeiros, realizam ainda visitas frequentes, rodas de conversas e palestras em empresas, escolas, entidades, igrejas e mesmo lares de idosos, falando sobre prevenção de casos de violência e acidentes. A PM também realiza ações como o “Quartel Aberto”, para receber a comunidade. Em março deste ano, mais de 600 pessoas visitaram o batalhão.

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Associação Amigos da Segurança Pública

Jaraguá do Sul também foi a primeira cidade, ainda no ano de 2016, a criar uma Associação de Amigos da Segurança Pública, reunindo representantes das polícias (PM, PRF, Civil, Polícia Penal e Polícia Científica), bombeiros, judiciário, entidades de classe e de iniciativa privada, além do poder público estadual e municipal. A associação é, inclusive, reconhecida com o Título de Utilidade Pública Estadual.

— O nosso trabalho visa buscar investimentos para melhor equipar as corporações, reformas e melhorias nas estruturas físicas, e treinamentos para os profissionais. O objetivo é criar um ambiente favorável para o desempenho das funções das forças de segurança e fazer com que eles se sintam motivados e pertencentes à esta comunidade — observou o presidente da Associação, Leandro Schmöckel Gonçalves.

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Os recursos para estes investimentos são oriundos de doações de pessoas físicas e jurídicas, e do Ministério Público e do Judiciário (recursos de penas pecuniárias), informou o presidente da associação.

— Cidades como Joinville, Blumenau, e recentemente Brusque, já nos contaram para iniciarem uma associação em sua cidade. Acredito que Jaraguá esteja conseguindo passar este exemplo de trabalho em conjunto — complementou Leandro Schmöckel.

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Investimentos

A associação já investiu em uma academia a céu aberto para a PM; na compra de tatames para práticas de artes marciais no presídio de Jaraguá do Sul e na delegacia de Polícia Civil; a construção da chamada Sala Lilás, para atendimento exclusivo para vítimas que procuram a DPCAMI; reforma do posto da PRF em Guaramirim; instalação de condicionadores de ar na sala de agentes penais e na delegacia.

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Além da compra de uma série de equipamentos como duas viaturas blindadas para o Tático da PM; a aquisição de um drone; armas a laser; coletes balísticos; torres de iluminação para identificação de locais de crimes para a Polícia Científica; câmeras para identificar chassis adulterados, e outros.

O comandante Kuze ainda ressalta a importância da parceria das prefeituras da região de Jaraguá do Sul, através dos convênios de trânsito e de radiopatrulha, que são utilizados para a manutenção e atualização das viaturas; e compra de EPIs, armamento e mesmo cursos de tiro aos policiais.

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Tecnologia, estratégia, repressão e solução de crimes

Os comandantes da PM ainda destacam o uso da tecnologia, com novos equipamentos e o sistema de videomonitoramento do município, como pontos estratégicos na repressão ao crime, além do apoio da comunidade, com denúncias em casos suspeitos.

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— O bandido tem dificuldade para se estabelecer. Se, através do trabalho de investigação e denúncias, sabemos que tem uma quadrilha tentando se firmar por aqui e ainda não temos elementos suficientes para prisão, nós conseguimos fazer uma atuação feroz no trânsito. Com instrumentos de tecnologia como leitores de placas, identificamos carros suspeitos e iniciamos uma abordagem. Fazemos questão de levar os suspeitos para delegacia, para uma condução em flagrante ou termo circunstanciado — relatou o comandante do 14º BPM.

Hoje, não há registro de grandes organizações criminosas instaladas em Jaraguá do Sul. O delegado regional Eric Uratani ainda ressalta a atuação da investigação na resolução de crimes e 100% de casos de homicídio solucionados em Jaraguá do Sul no último ano.

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