Piracema: significado, curiosidades e restrições para pesca

Processo no qual os peixes nadam contra a correnteza para realizarem a desova começa em outubro e vai até janeiro

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Cardume de peixes na piracema (Foto: Banco de imagens / Unsplash)

O período de piracema, ou arribação, acontece de outubro a janeiro em Santa Catarina. Este fenômeno é conhecido como a época de reprodução de diversas espécies de peixes. De acordo com os biólogos, dessa forma a chance de sobrevivência dos peixes recém-nascidos é maior.

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A piracema acontece quando uma série de eventos se concretizam: a temperatura da água e do ar aumentam, o nível dos rios sobem em até cinco metros e há a subido dos cardumes para as áreas de cabeceira dos rios. Dessa forma, os peixes nadam contra a correnteza para a desova e reprodução.

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A duração deste percurso depende da espécie. As piavas percorrem uma média de 3 quilômetros por dia. Já os curimbatás chegam a viajar por volta de 43 quilômetros de rio em apenas um dia e uma noite.

O período de subida das águas dos rios é crucial para os peixe, já que o esforço de nadar contra a corrente garante o processo de reprodução das espécies. Eles queimam gordura, o que estimula a produção dos hormônios responsáveis pelo amadurecimento dos órgãos sexuais.

Fenômeno da piracema ocorre no mundo todo

O fenômeno da Piracema ocorre com milhares de espécies de peixes, mas não é exclusivo para Santa Catarina, tendo em vista que acontece no mundo inteiro, mesmo que em épocas diferentes, devido às variações do clima em cada região do planeta.

Para preservar e perpetuar as espécies, nas temporadas de piracema há restrições quanto à pesca no Estado de Santa Catarina e em todo o país. Os peixes, durante sua grande jornada migratória – que começa nos chamados lares de alimentação, onde eles têm comida suficiente para sobreviver na maior parte do ano – têm que vencer obstáculos naturais, entre eles as corredeiras, as cachoeiras e barragens.

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Outra estrutura que impede o processo natural dos peixes na piracema são as hidrelétricas. Tratam-se de construções que não apenas afetam os cursos dos rios e seus respectivos fluxos de água, mas atuam como barreiras que prejudicam a passagem livre dos peixes. Esse fato modifica a rota migratória de milhares e milhares de espécies de peixes.

No entanto, ainda existem outros obstáculos, como o perigo da pesca predatória, feita clandestinamente. São pescadores sem preocupação com o futuro dos peixes e com a sustentabilidade. Além disso, pessoas que, por desinformação e falta de conscientização, insistem em usar armadilhas, tarrafas, redes, puçás e tantos outros artifícios para praticar a pesca de forma indevida.

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Para garantir o respeito às restrições impostas, existe um grande empenho por parte dos órgãos de fiscalização na piracema. Justamente neste período mais quente do ano, quando as chuvas se tornam mais frequentes e intensas. este conjunto de condições ocasiona aumento no volume hídrico e a elevação da temperatura nos ambientes aquáticos.

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Qualquer atividade de pesca profissional fica proibida pelos governos federal e estadual. O período de defeso, como é chamado, vale para os rios e águas continentais. Lembrando que cada bacia hidrográfica possui legislação específica.

Quem fiscaliza a pesca durante a piracema?

Em Santa Catarina, a Polícia Militar é a responsável pela condução da chamada “Operação Piracema”, mobilização que garante a fiscalização das práticas de pesca no estado.

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Segundo o site da instituição, durante esta execução, estão envolvidas também outras unidades da PM, como 2º Batalhão de Polícia Militar Ambiental (BPMA) e Polícia Militar Rodoviária (PMRv), além da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Cidasc, Brigada Militar do Rio Grande do Sul (BMRS), Polícia Argentina, Guarda-Parque da Argentina e do Rio Grande do Sul e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

Ainda de acordo com a PM de Santa Catarina, o policiamento é ostensivo durante toda a temporada. A fiscalização é realizada por meio de atividades de patrulhamento náutico em áreas navegáveis. Há, ainda, ações em vias terrestres para coibir e autuar possíveis responsáveis pela prática da pesca amadora ou profissional em locais proibidos.

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Existem normas legais para garantir que os peixes se reproduzam. Na bacia hidrográfica do Rio Uruguai, por exemplo, as regras relativas à pesca são regulamentadas pela instrução normativa do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), número 193 de 2008. Quem for alvo da fiscalização e for pego pescando de maneira irregular pode ser preso em flagrante, sendo conduzido à delegacia para prestar esclarecimentos.

Muitas vezes, os pescadores respondem procedimento criminal e administrativo, com multa ambiental de no mínimo R$ 700,00. Sendo que a lei de crimes ambientais prevê penalidade de 1 a 3 anos de detenção.

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O que pode e o que não pode na piracema

A atividade de pesca se mantém regular quando realizada por pescadores amadores em rios da bacia, porém, apenas no modelo desembarcado. Ou seja, os barcos não podem ser utilizados, mas permite-se o uso da vara com molinete ou carretilha, linha de mão ou caniço simples. As iscas naturais e artificiais também estão liberadas nas áreas não restritas.

No entanto há um limite de quantidade e de tamanho. por espécie. A limitação é de 5 kg para os Tucunarés, Tilápias, Bagres Africanos, Brack-Bass, Peixes Rei, Sardinha-de-Água-Doce, Pescada-do-Piauí ou Corvina, Apaiaris e Carpas.

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A cada ano, o Ibama publica uma portaria que define as espécies que não podem ser pescadas na Piracema. Não há restrições para os peixes provenientes de aquiculturas e pesque-e-pague, até que estejam registrados no órgão competente, com a comprovação da origem do peixe.

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A legislação prevê, ainda, a pesca em reservatórios na modalidade embarcada e desembarcada, de espécies não nativas e híbridos. O transporte de pescado ou material de pesca por via fluvial também é liberado, porém, somente em locais cuja pesca embarcada seja permitida.

Documentos necessários para licença de pesca

Quem quer praticar a pesca amadora precisa obter uma licença de pesca. O procedimento para aquisição pode ser feito numa agência do Banco do Brasil, que faz a liberação apenas para áreas representadas. Se alguém for pego pelos órgãos fiscalizadores pescando sem a licença estará sujeito a duas multas, detenção e processo federal.

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Esta licença não substitui a carteira de pesca. Este último é um documento obrigatório a todo pescador e em todas as épocas do ano, independentemente da Piracema. O pescador flagrado sem a carteira pode ser autuado pela fiscalização e ter seu equipamento de pesca apreendido.

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Curiosidades da piracema

Origem

A origem da palavra Piracema é curiosa. A expressão vem dos indígenas. Pira significa peixe. E cema quer dizer subida.

Longas distâncias

Você sabia que algumas espécies de peixes como o dourado e o curimbatá, durante a Piracema, sobem até 600 quilômetros de rio até o local de reprodução para procriar durante a Piracema? É fato.

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Órgãos reprodutores

Enquanto a subida para as cabeceiras dos rios é feita, o testículo dos machos aumenta de tamanho, ficando esbranquiçado e repleto de sêmen. Já nas fêmeas, o aspecto amarelado das ovas indica a presença de vitelo, uma rica reserva de alimento presente nos óvulos que sustenta, depois, os peixinhos.

Caminho da roça

O que rola com os peixes quando eles começam o caminho de volta depois da fecundação?

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Os ovos são hidratados pela água. É isso que permite que eles aumentem em até três vezes o seu tamanho inicial. Dessa forma eles são carregados novamente pela correnteza. Nessa corrida, grande parte deles acaba sucumbindo, tornando-se alimento dos peixes carnívoros que ali estão. Apenas menos de 1% do total sobrevive.

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O tempo nos berçários

Somente microrganismos aquáticos são encontrados nas lagoas marginais dos rios. Por isso, esses locais são apelidados de berçários. Também porque são ricos em alimentos pros peixinhos.

A fertilização

A fecundação entre os peixes é um processo interessante. As fêmeas lançam seus ovos no fundo do rio. Depois, é chegada a hora dos machos despejarem fortes jatos de sêmen sobre os ovos depositados. A partir disso, surgem os ovos fertilizados.

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Balé aquático

Os estudiosos da vida marinha afirmam que no tempo de namoro entre os peixes machos e fêmeas, apresenta-se um verdadeiro balé aquático. O espetáculo que ocorre na Piracema pode durar até 4 horas.

Tudo começa quando machos e fêmeas se encostam por meio da lateral dos seus corpos. Para o encontro ocorrer, eles nadam no meio do rio em círculos, emitindo um ruído estridente que caracteriza o lançamento dos ovos e do sêmen no solo dos rios. O balé termina no momento da fecundação.