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Plantas medicinais: como usar, quais benefícios e as mais comuns em Santa Catarina

Conheça as plantas medicinais mais usadas por suas propriedades em relação à saúde

14/10/2020 - 10h44 - Atualizada em: 10/11/2020 - 08h45

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Redação
Por Redação Hora
Plantas medicinais santa catarina
Plantas medicinais podem ser usadas em chás e outras preparações
(Foto: )

As plantas medicinais são fontes riquíssimas de cura e principalmente, de fácil acesso. Elas são utilizadas desde períodos imemoriais nas sociedades humanas. Hoje, com a abertura gradativa das medicinas complementares, e no caso, na inclusão das plantas medicinais no Sistema Único de Saúde (SUS), o seu uso tornou-se mais científico e seguro. 

Confira este guia de plantas medicinais, com as plantas mais usadas e de fácil cultivo. Além disso, descubra as espécies mais usadas em Santa Catarina. 

História das plantas medicinais

As plantas medicinais têm sido uma fonte vital de remédios naturais, que leva o nome de fitoterapia, nas preparações terapêuticas curativas e preventivas. A fitoterapia têm sido utilizada para a extração de importantes compostos bioativos das plantas medicinais. Cerca de 80% da população total mundial, de forma regular, depende e faz uso da medicina tradicional e das plantas medicinais para suas necessidades de saúde.

Muitas comunidades, tal com no estado de Santa Catarina, combinam a medicina convencional com a medicina tradicional (no caso, das plantas medicinais). Isto ocorre porque os medicamentos tradicionais, colhidos à mão ou comprados em sachês, a granel ou em frascos, são geralmente mais baratos do que os medicamentos modernos. Além disso, são provavelmente os únicos remédios naturais disponíveis e acessíveis às comunidades mais remotas, tanto do interior do estado, quanto do nosso litoral.

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Quem mora próximo às zonas rurais preferem os medicamentos tradicionais como as plantas medicinais devido à sua proximidade com as zonas de plantio. De fato, os médicos hoje, compreenderem a sua cultura e o ambiente, tão bem como os seus pacientes, e em alguns casos, incentivam o seu uso, desde que o SUS passou a incorporar suas orientações. No entanto, alguns cuidados devem ser tomados, para evitar o uso indiscriminado de certas plantas.

Fique ligado a estes cuidados que devem ser tomados no uso de plantas medicinais:

Faça uso de plantas que você tem conhecimento real ou busque mais informações sobre elas;

Jamais colha plantas medicinais próximo a locais que tenham sido pulverizadas com agrotóxicos, junto a zonas de contaminação como estradas, lixos, estacionamentos ou demais ambientes tóxicos;

Use plantas medicinais frescas ou secas e não mofadas, amareladas ou murchas;

Saiba distinguir quais são as partes a serem usadas, se são folhas, raizes ou caule;

Evite guardar as plantas medicinais por longos períodos, todas elas tem validade;

Tome cuidado no uso excessivo, e em casos particulares como alergias, gravidez, para crianças ou pessoas com doenças crônicas;

Na dúvida, procure sempre uma orientação médica.

Em cidades e comunidades onde o acesso à medicina natural é fácil e se tornou cultural, a fitoterapia popular tem sido continuamente praticada há muito tempo. Junto a isso, a diversificada flora catarinense com mais de 200 espécies de plantas catalogadas pela Epagri, é uma das mais ricas do sul do Brasil.

Desta maneira, mais de 70% dos catarinenses, segundo dados da Epagri, fazem uso dos remédios caseiros locais como sua primeira fonte de remédios. As plantas medicinais são parte fundamental da maioria das comunidades nativas do estado e o conhecimento tradicional permanece vivo, já que o conhecimento é transmitido oralmente de uma geração para a outra. Vamos conhecer as principais plantas medicinais catarinenses?

Principais plantas medicinais de Santa Catarina

Em Santa Catarina, comunidades do interior e do litoral são as que utilizam mais a grande diversidade da flora na região para o tratamento de uma miríade de moléstias ou mesmo, apenas de prevenção destas. 

Só para termos uma ideia, na flora catarinense, de acordo com o levantamento socioambiental do inventário florístico de Santa Catarina, a Epagri mapeou a maioria das espécies bioativas, e catalogaram ao todo, pela sua taxonomia, 222 espécies. Assim sendo, as principais espécies de plantas medicinais conhecidas popularmente no estado de SC, seriam:

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1. Macela do campo (Achyrocline satureioides)

Também conhecida como marcela, macela-amarela ou até macelinha, é muito usada para tratar dores estomacais, intestinais e ansiedades. Pode ser adquirida em supermercados, lojas de produtos naturais, feiras e farmácias de manipulação.

Além desses sintomas, a macela é boa para o tratamento de cálculos biliares, impotência sexual, resfriados, retenção de líquidos e colesterol alto. Ela possui propriedades conhecidas por serem antivirais, antiespasmódica, antisséptica, calmante, tônica, digestiva e anti-inflamatória.

Macela do campo
Macela do campo
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2. Carqueja (Baccharis trimera)

Planta medicinal que é usada no tratamento de má digestão, diarreia, prisão de ventre, gripe e febre, problemas no fígado, diabetes, bronquite, má circulação do sangue entre outras. Geralmente é vendida em sachês com seu caule. No entanto, tomar cuidado em caso de gravidez ou pressão baixa.

Carqueja
Carqueja
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3. Espinheira santa (Maytenus ilicifolia)

Muito tradicional do sul do Brasil, é usada no combate às dores estomacais, por ter ação cicatrizante de lesões ulcerosas, em razão dos efeitos gastroprotetores e taninos. 

Espinheira santa
Espinheira santa
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Além disso, alivia o problema de gases pela sua ação na paralisação das fermentações gastrintestinais e por ser carminativa. Há estudos que indicam que previne câncer de pele.

4. Cipó mil homens (Aristolochia Cymbifera)

O chá de cipó mil homens ficou conhecido por tratar a malária, por isso, o seu nome. Como ela é uma das plantas medicinais com muitos benefícios da nossa flora catarinense, é usada por seus óleos essenciais, que são alcaloides, flavonoides, glicosídeos e taninos, sendo por isso, antisséptico, diurético, sedativo, digestivo e analgésico.

Cipó mil homens
Cipó mil homens
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5. Manjericão (Ocimum sanctum)

Muito comum na nossa culinária regional, o manjericão está em qualquer quintal de casas e apartamentos. Ele é poderoso por ser anti-inflamatório, anti-bactericida, em razão de seus óleos essenciais, o eugenol, citronelol e linalol que ajudam a combater doenças inflamatórias e por bactérias, além de ajudar na saúde cardiovascular.

Manjericão
Manjericão
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6. Alfazema (Aloysia gratissima)

É mais uma planta muito comum em nosso estado, que cresce na forma de arbustos ornamentais, e também é utilizada na medicina. Tem efeito no tratamento para hipertensão, colesterol, dores de cabeça, problemas estomacais, fígado e gripes.

Alfazema
Alfazema
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7. Alecrim (Rosmarinus officinalis)

Muito usado na culinária para condimentar sopas, molhos e carnes, é um poderoso remédio natural para uma variedade de doenças como: prevenção ao câncer (contém carnosol), melhoria na memória e enxaqueca, anti-inflamatório (ácido carnósico), antibacteriano, melhora a circulação (óleo de alecrim) e saúde respiratória.

Alecrim
Alecrim
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8. Alho (Allium sativum)

Por causa dos inúmeros benefícios à saúde, o alho passou a ser incluído nos programas sociais do governo. estadual, destacando-se na produção regional. Ele é rico em vitaminas, sais minerais e aminoácidos, além de ser expectorante, bactericida e no combate a doenças cardiovasculares.

Alho
Alho
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9. Arnica (Sphagneticola trilobata)

Da flora do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, a arnica é uma planta medicinal usada com suas flores, folhas e raízes, no preparo homeopático na forma de tintura, pomadas ou gel. Possui propriedades curativas, anti-inflamatórias e no combate à dor.

Arnica
Arnica
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10. Babosa (Aloe vera)

Em Santa Catarina, o cultivo da babosa é bastante utilizado, tanto para uso ornamental de jardins quanto para a extração de seu suco. Suas propriedades medicinais são para o tratamento de queimaduras e doenças da pele, usada até na indústria de cosméticos, como na produção de xampus e sabonetes.

Babosa
Babosa
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11. Boldo (Plectranthus barbatus)

O boldo é uma planta muito popular em todo o Brasil, mas especificamente é bastante visto em jardins de casas em Santa Catarina. É usado para o tratamento de problemas digestivos e hepáticos. O boldo do Chile (Peumus boldus Molina), por outro lado, é apenas encontrado nas lojas de produtos naturais.

Boldo
Boldo
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12. Camomila (Matricaria chamomilla)

Altamente indicada como digestivo, que estimula a produção de saliva e suco gástrico, além de auxiliar na eliminação de inchaço e cólicas leves. Estimula o apetite e tem ação diurética.

Camomila
Camomila
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13. Confrei (Symphytum officinale)

É bastante indicado como anti-inflamatório e cicatrizante, para o caso de de feridas, úlceras varicosas, furúnculos e irritações da pele. É usado na forma de cataplasmas que podem ser feitos mesmo em cima da pele.

Confrei
Confrei
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14. Dente de Leão (Taraxacum officinale)

Hoje é considerada como uma daquelas plantas fitness, por sua ação que auxilia no emagrecimento. Por exemplo, no Jardim Botânico de São José, na Grande Florianópolis, em SC, o dente de leão foi utilizado como estudo na fitoterapia, para evidenciar a sua eficácia, podendo ser usado até como alimento, já que é rico em vitaminas A, B e C, com propriedades depurativas.

Dente de leão
Dente de leão
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15. Pata de Vaca (Bauhinia forficata)

É uma árvore nativa da Mata Atlântica de Santa Catarina e é uma daquelas árvores que passam desapercebidas pela população. Trata-se de um poderoso remédio que combate várias doenças, sendo hoje, estudada por professores regionais. Além da estética, a planta da árvore contém árvore apresenta compostos que ajudam no controle do diabetes, e na capacidade de produzir substâncias como a insulina, por exemplo.

Pata de vaca
Pata de vaca
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Prevenção e atualização das plantas medicinais

O mais interessante é que este guia de plantas medicinais da Epagri foi construído em conjunto com os profissionais do Ministério da Saúde, onde elaborou-se com a participação de voluntários, trabalhadores das redes municipais de saúde, professores, educadores ambientais e técnicos. 

Hoje, o uso de plantas medicinais, as chamadas fitoterápicas no SUS, são disponibilizadas tanto na forma in natura como também de forma, manipulado. Nesse último caso, é mesmo realizado em unidades especiais ou indicado nas lojas especiais de produtos naturais. O atendimento é realizado pelos profissionais da saúde que que receberam uma especialização na área da fitoterapia e demais medicinas complementares.

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Existem unidades do SUS, em que o fornecimento das plantas medicinais é proposto pela colheita nas próprias hortas dos postos de saúde, o que garante uma melhor segurança. No entanto, se você tiver acesso a um plantio, jardim e quintal, horta comunitária ou espaço adequado, é possível, com conhecimento, poder colher também.

Plantação de plantas medicinais
Plantação de plantas medicinais
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A popularidade das plantas medicinais se deve, na verdade, a essa facilidade de serem cultivadas em locais que não exigem tantos critérios complexos como outras espécies. Muitas vezes, as chamadas plantas medicinais são tão comuns de serem vistas que são confundidas com as "ervas daninhas". Geralmente encontradas em quintais, vasos pequenos, jardins, às vezes, de uso estético e ornamental, tudo isso facilita a rápida colheita das plantas medicinais.

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Em geral, as indicações e os usos das plantas estão mais relacionadas a certos tipos de problemas de saúde como dores de cabeça, sintomas dos sistemas digestório, respiratório, urinário, de circulação ou de pele. Entre os processos conhecidos popularmente, muito dos usos terapêuticos também costumam ocorrer dentro de práticas culturais como as chamadas "benzeduras", muito comuns em Santa Catarina.

As benzedeiras ou curadoras populares são as pessoas que são consideradas nas tradições populares como conhecedoras de plantas medicinais regionais. Muitas destas plantas, foram posteriormente confirmadas as suas aplicações tópicas e de uso externo. As habilidades de observação oriundas da sabedoria popular, tanto indígena quanto dos imigrantes, foram reconhecidas e incorporadas em alguns sistemas da medicina moderna.

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Assim, a importância das plantas medicinais para a grande população, principalmente, no que diz respeito aos benefícios à saúde, economia e menores efeitos colaterais, transformou a sua prática em algo positivo. O fato das pessoas optarem e terem preferência na utilização das plantas medicinais para a prevenção e manutenção da saúde é vista, pelos profissionais especializados, como forma dar continuidade às práticas tradicionais com o contato junto à flora local.

As plantas medicinais definitivamente possuem menos efeitos adversos dos medicamentos industrializados, e além do que, seu custo é mais acessível. Além disso, muitas das plantas acabam possuindo benefícios outros, além daquele que foi procurado, tratando assim, diferentes sintomas.

Quem tiver interesse em começar a plantar estas plantas ou fazer uso delas onde tiver acessibilidade, procure orientações sobre a forma de cultivo e a aplicação correta junto aos profissionais da saúde.

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