Problemas de acessibilidade em terminais de ônibus de Florianópolis entram na mira do MP

Relatórios devem ser finalizados até a próxima semana

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Terminal de Integração do Centro foi o primeiro a ser vistoriado na Capital (Foto: Cristiano Andujar, PMF, Divulgação)

Um “choque de acessibilidade” no transporte público. É dessa forma que o promotor de Justiça Daniel Paladino define a etapa atual do trabalho desenvolvido pelo Núcleo Intersetorial de Defesa da Inclusão, do Ministério Público de Santa Catarina. O grupo, que é composto por membros do MPSC e outras 20 organizações, realizou uma vistoria nesta segunda-feira (6), no Terminal de Integração do Centro (Ticen), com o objetivo de identificar o que dificulta a mobilidade de pessoas com deficiência. 

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Durante a primeira ação foram vistos problemas de acessibilidade em banheiros, em pisos direcionais, foi constatada falta de assentos para deficientes, televisores em posição muito alta, além da altura de degraus e elevadores que dificulta o acesso aos ônibus para cadeirantes e pessoas que usam muletas, por exemplo. 

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— Ali há problemas sérios, pois o terminal vem de um projeto antigo, mas as normas de acessibilidade evoluíram — destaca Paladino. 

Segundo o MPSC, existe um planejamento para que a partir de janeiro de 2022 o terminal cidade de Florianópolis e os demais terminais dos bairros também sejam vistoriados. 

Discussão ampla

Para a Associação Florianopolitana de Deficientes Fisicos (Aflodef), a discussão sobre acessibilidade envolve mais pessoas além das que têm algum tipo de deficiência física. 

— Quando a gente fala em acessibilidade, a gente se preocupa com a totalidade. Os idosos, obesos, mães com crianças no colo, pessoas que andam com carrinho de bebês… todos são impactados de alguma maneira quando o espaço não é acessível — destaca Jucilene Moraes Homem, presidente da Associação.  

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Jucilene, que estava presente na vistoria feita pelo Ministério Público, ressaltou que ações que para muitas pessoas passam despercebidas prejudicam as pessoas com deficiência. 

— No Ticen, na parte de fora, as pessoas não têm local para sentar e ficam encostadas no corrimão. Mas, isso prejudica os cegos porque o corrimão está ali para servir de apoio. Mesmo sem perceber, quando as pessoas ficam no corrimão elas atrapalham a vida dos deficientes visuais — afirma.   

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Prazos 

As entidades que participaram da vistoria têm até a próxima semana para enviar ao Ministério Público um relatório com os apontamentos relacionados à acessibilidade. Segundo Daniel Paladino, as demandas serão repassadas aos órgãos responsáveis – como a Prefeitura de Florianópolis, o Consórcio Fênix e a Companhia Operadora De Terminais De Integração (Cotisa), reponsável pela administração dos terminais de ônibus – e existe ainda um prazo de 10 dias para que as recomendações sejam respondidas. 

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Por meio de nota, a Cotisa informou que esteve presente na vistoria e que aguardará outras orientações sobre o assunto após receber as recomendações do MPSC.

— A Companhia Operadora De Terminais De Integração (Cotisa) acompanhou atentamente o encontro e se mostrou à disposição para as adequações úteis aos usuários. Foi informada de que será elaborado relatório com os devidos apontamentos sobre as demandas. Este documento deverá ser encaminhado à Secretaria de Mobilidade e Planejamento Urbano da Capital para análise e encaminhamentos. A Cotisa, como contratada da Prefeitura Municipal de Florianópolis, mediante concessão, aguardará o envio de projetos e orientações sobre o tema — informou. 

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Já a Secretaria Municipal de Planejamento Urbano (SMPU) disse que um procedimento de manifestação de interesse está sendo feito para a readequação dos terminais. 

— A SMPU acompanhou a vistoria do Ministério Público e os apontamentos feitos já eram alvo de inclusão da Secretaria. Está sendo feita uma PMI para que os terminais sejam readequados de uma forma global e para incluir a maior valorização possível de questões de acessibilidade — afirmou. 

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