A Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (Nooa), dos Estados Unidos, publicou uma atualização sobre as chances de o fenômeno La Niña ocorrer entre os meses de dezembro e fevereiro de 2026. As chances, que eram de 71% em setembro, agora são de 55% conforme as previsões de outubro.
Oficialmente, isso não significa a “concretização” do fenômeno, mas sim meses com as características dele. A partir de setembro deste ano, a expansão das temperaturas da superfície do mar abaixo da média no Oceano Pacífico fizeram surgir condições para que o La Niña acontecesse.
Para se ter uma ideia, para que o fenômeno ocorra, são necessários cinco meses consecutivos com a temperatura da água em uma porção do Pacífico abaixo de -0,5ºC. O último valor registrado, segundo o Noaa, foi de -0,5°C, com outras regiões permanecendo entre -0,1°C e -0,4°C.
As previsões atuais mostram a continuação das características do La Niña durante o inverno no Hemisfério Norte. A expectativa é que continue fraco, o que deve trazer menos impacto. Entre janeiro e março de 2026, o La Niña fraco deve dar lugar à neutralidade.
Qual a previsão para SC
Enquanto o El Niño intensifica a ocorrência de chuvas no país (leia mais abaixo), o La Niña traz para Santa Catarina o efeito oposto, de redução. O meteorologista Piter Scheuer explica, contudo, que os impactos devem ser pouco representativos em Santa Catarina nos próximos meses.
— Possivelmente a gente tenha chuvas próximas da normalidade no mês de outubro e até diminuindo a frequência dessas chuvas a partir do mês de novembro. Então, novembro, dezembro, a chuva já fica mais irregular, ou seja, ela já não é mais tão frequente e não acontece de uma maneira tão generalizada, e sim aleatoriamente — detalha o meteorologista.
Ele explica que a expectativa com o fenômeno é que a chuva ocorra no Estado, mas não atinja a média do mês. O mês de outubro ainda é de um sistema dinâmico, com frente frias e sistemas de baixa pressão. Já na segunda quinzena de novembro começa a ocorrer as típicas “pancadas de verão”, que ganham força com o passar do mês. Em dezembro, são esperadas temperaturas dentro da normalidade, e chuvas mais irregulares.
La Niña e El Niño
Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o El Niño é o nome dado ao aumento na temperatura da superfície da água no Oceano Pacífico, fazendo ela evaporar mais rápido. O ar quente sobe para a atmosfera, levando umidade e formando uma grande quantidade de nuvens carregadas.
Com isso, no meio do Pacífico chove mais, afetando a região Sul do Brasil, pois a circulação dos ventos em grande escala, causada pelo El Niño, também interfere em outro padrão de circulação de ventos na direção norte-sul. Essa interferência age como uma barreira, impedindo que as frentes frias, que chegam pelo Hemisfério Sul, avancem pelo país. Logo, elas ficam concentradas por mais tempo na região Sul.
O contrário, o resfriamento dessas águas, é chamado de La Niña. Normalmente, o El Niño perde força, a temperatura no oceano volta ao “normal” — o chamado período de neutralidade — e gradativamente vai ficando mais fria, entrando no La Niña. Os efeitos para Santa Catarina são o oposto do outro fenômeno, já que as chuvas caem em menor volume no Estado.
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