Santa Catarina está entre estados com mais desastres naturais nos últimos dez anos, diz pesquisa

De acordo com dados da Confederação Nacional de Municípios (CNM), prejuízo financeiro para os Estados sulistas foi de R$ 4 bilhões

Compartilhe:

Mais de 4,2 milhões de pessoas no país tiveram de deixar as próprias casas (Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil)

Entre 2013 e 2022, desastres naturais como tempestades, inundações, enxurradas e alagamentos atingiram 5.199 municípios brasileiros, o que representa 93% do total de 5.570, sendo que a Região Sul do país teve um prejuízo financeiro de R$ 4 bilhões e o maior percentual de casas afetadas: 46,79%. Os dados são da Confederação Nacional de Municípios (CNM). Ou seja, Santa Catarina está entre os estados, junto com Rio Grande do ul e Paraná, em que mais acontecem os desastres.

Continua após a publicidade

Receba notícias de Santa Catarina pelo WhatsApp

Esses desastres afetaram a vida de mais de 4,2 milhões de cidadãos brasileiros, que tiveram de abandonar as próprias casas. Nesses casos, os prefeitos fizeram registros de emergência ou estado de calamidade pública.

Continua após a publicidade

 — O prejuízo em todo o país de danos em habitação, nesse período de dez anos, ultrapassa R$ 26 bilhões. E os municípios estão praticamente sozinhos, na ponta, para socorrer a população. Não há apoio para prevenção nem investimentos — diz o presidente da CNM, Paulo Ziulkoski.

No período de dez anos que o estudo cobre, 2022 foi o que teve os piores números. Foram contabilizadas 371.172 moradias danificadas ou destruídas no país. Antes, 2015 tinha os resultados mais negativos: 325.445. Quando se consideram os prejuízos financeiros, os anos de 2020 a 2022 juntos representam 70% do total de perdas, ou R$ 18,3 bilhões.

Tragédia de 2008: as marcas que ficaram na natureza e nas pessoas 

Os registros de desastres e danos, segundo a CNM, são enviados pelos municípios desde 2012 por meio do Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2ID). A plataforma permite que sejam solicitados recursos do governo federal. Eles podem ser usados para prevenção, resposta aos desastres, recuperação e reconstrução. Também é possível registrar os desastres em tempo real e pedir que sejam reconhecidos a situação de emergência e o estado de calamidade pública.

Continua após a publicidade

Regiões afetadas

No Nordeste, foram 14,88% das habitações impactadas e prejuízo de quase R$ 16 bilhões. No Sudeste, o problema atingiu 20,98% das casas e custou R$ 4,3 bilhões. No Norte, o percentual foi de 16,33% e o impacto financeiro de R$ 1,7 bilhão. No Centro-Oeste, a taxa foi de 1%, com uma perda de R$ 122,3 mil.

Relembre os maiores estragos causados pelo mar em SC

Continua após a publicidade

Segundo a CNM, a diferença no valor dos prejuízos pode ser explicada por um conjunto de fatores: custos relacionados à reconstrução, preços de terreno e do imóvel. No caso do Nordeste, que teve as maiores perdas financeiras, uma explicação é que os desastres provocados por chuvas atingiram principalmente municípios litorâneos turísticos.

Ausência de políticas de gestão urbana

O estudo da CNM também defende que os impactos sociais e econômicos poderiam ter sido menores se tivessem sido criadas políticas de gestão urbana, habitação e prevenção do risco de desastres. O órgão diz que o investimento federal nesses últimos dez anos foi muito baixo na área de proteção e defesa civil. Além disso, houve queda brusca de novos contratos habitacionais por meio de programas como o Minha Casa, Minha Vida.

Continua após a publicidade

Tragédia da chuva em SC tem mortos, desaparecidos e 17 cidades com prejuízos

Contratos de moradias em municípios que estão no cadastro nacional de risco tiveram queda desde 2015 e foram praticamente zerados a partir de 2019. Nesse ano, houve apenas um registro. Para efeitos de comparação, foram 884 em 2010. Os valores investidos também caíram: passaram de bilhões de reais entre 2009 e 2014 para R$ 42 milhões em 2019.

Continua após a publicidade

Leia também

Megacidade futurista na Arábia Saudita pode ser um pesadelo, diz estudo

“Paga as contas e sobra para tomar um caldo de cana”, diz Bolsonaro em SC sobre Pix