A decisão entre continuar na sala de aula ou buscar o sustento imediato no mercado de trabalho ganhou um forte aliado no ensino médio público do país. Levantamento do Ministério da Educação (MEC) aponta que o abandono escolar na rede pública despencou 61% entre os anos de 2022 e 2025. O período marca a expansão do Pé-de-Meia, iniciativa lançada em 2024 que hoje beneficia 5,6 milhões de jovens com apoio financeiro direto para impedir a desistência dos estudos antes da conquista do diploma.
Fotos: o que você precisa saber sobre o programa Pé-de-Meia
Entenda como funcionam as parcelas e os bônus do programa
O programa funciona como uma poupança formativa que alivia as dificuldades econômicas das famílias em situação de vulnerabilidade. O estudante recebe repasses mensais de R$ 200 vinculados à confirmação da matrícula e à frequência nas aulas. A cada ano concluído sem reprovação, o Governo Federal deposita uma parcela extra de R$ 1 mil, além de remunerar a presença nas provas do Enem.
Somando as regras cumpridas ao longo dos três anos de curso, o valor acumulado pelo jovem pode chegar a R$ 9,2 mil.
Desigualdades de renda, recorte de gênero e políticas complementares
Os números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) referentes a 2024 deixam evidente o tamanho do desafio: 42% dos jovens de 14 a 29 anos que deixaram a escola sem terminar a educação básica citaram a necessidade de trabalhar como o grande obstáculo.
No caso das estudantes do sexo feminino, as tarefas de cuidado da casa e a gravidez surgem como causas frequentes de afastamento. O governo pontua que a poupança do Pé-de-Meia, que segue a lógica do Bolsa Família na exigência de presença escolar, é fundamental, mas precisa vir acompanhada de merenda escolar reforçada, transporte gratuito e suporte integral para manter os jovens nas carteiras.
*Sob supervisão de Luiz Daudt Junior.









