Diárias de hotéis de SC podem subir até 20% com fim da escala 6×1, dispara associação

Fim do regime de trabalho em que o empregado trabalha seis dias seguidos e descansa um está em pauta no Congresso e no governo federal

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Extinção da jornada pode trazer aumento expressivo nos custos operacionais dos hotéis e, consequentemente, reflexos nas diárias, que poderiam subir em até 20% para os hóspedes (Foto: Banco de imagens)

O debate sobre o fim da chamada escala 6×1, via PEC de autoria da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), ganhou novo capítulo em Santa Catarina com um alerta do setor hoteleiro. Margot Rosenbrock Libório, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis em Santa Catarina (ABIH-SC), afirmou ao NSC Total que a extinção dessa jornada pode trazer aumento expressivo nos custos operacionais dos hotéis e, consequentemente, reflexos nas diárias, que poderiam subir em até 20% para os hóspedes.

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O fim do regime de trabalho em que o empregado atua seis dias seguidos e descansa um está em pauta no Congresso e no governo federal, e tem amplo apoio popular. Uma pesquisa recente da Nexus — Pesquisa e Inteligência de Dados, indicou que 73% dos brasileiros são favoráveis ao fim da escala 6×1, desde que isso não reduza os salários dos trabalhadores, e que 84% defendem que o trabalhador tenha pelo menos dois dias de descanso por semana.

Os desafios da mudança na jornada de trabalho

O que está em discussão

A proposta em discussão no Congresso prevê a substituição da escala 6×1 por uma jornada com dois dias de descanso por semana (como a tradicional 5×2), além de redução da carga horária de trabalho, passando de 44 para 40 horas semanais.

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O governo federal defende o diálogo entre trabalhadores, empregadores e parlamentares para construir essa mudança de forma equilibrada, sem prejudicar a economia e com regras específicas para diferentes setores da atividade econômica.

Os impactos para a hotelaria em SC

Segundo Margot Rosenbrock Libório, os hotéis catarinenses enfrentam desafios significativos decorrentes da mudança de jornada. São eles:

  • Aumento de custos com pessoal: “a hotelaria é um setor basicamente formado por pessoas. A maior parte dos nossos custos está relacionada aos empregados,” disse a presidente da ABIH-SC. Em setores que operam 24 horas por dia, todos os dias do ano, como a hotelaria, mais folgas podem significar a necessidade de contratações extras para manter o atendimento.
  • Estimativa de impacto: Libório afirmou que, enquanto o comércio em geral pode ter aumento de custos de cerca de 10%, na hotelaria esse impacto pode ser de até 20% — e isso, acredita ela, provavelmente será replicado nas diárias dos hotéis se não houver medidas compensatórias.
  • Diferença entre perfis de hotéis: empresas com serviços de maior valor agregado podem absorver esses custos com mais facilidade; já hotéis econômicos podem sentir o impacto com mais força, pois os hóspedes desses segmentos podem ser mais sensíveis a aumentos de preço.

— Se teremos novos custos, eles provavelmente serão repassados para as diárias que nós cobramos, para que o turismo não seja prejudicado no país — afirmou Libório ao NSC Total.

Pedido de compensações tributárias

A presidente da ABIH-SC defendeu compensações tributárias do governo federal para atenuar os efeitos da mudança no setor de turismo.

— Seria muito importante que tenhamos compensações tributárias para que essa nova jornada dentro do turismo brasileiro, e catarinense também, se torne mais fácil, mais simples, menos traumática — disse Libório.

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Ela ressaltou ainda a importância de equilibrar os interesses:

— Temos que tentar equilibrar o que a maioria da população gostaria de ter, ou seja, uma jornada mais leve, aumentando as possibilidades de descanso na semana, mas que o custo também não seja tão impactante para o setor de turismo como um todo.

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Por que a hotelaria seria mais atingida

A hotelaria, explicou a presidente da ABIH-SC, é um setor que funciona de forma contínua, inclusive em finais de semana e feriados, quando a demanda é maior, especialmente no turismo de lazer. Para manter o atendimento ininterrupto e adequado nesses períodos, muitas vezes é necessária uma equipe completa de colaboradores.

— Com certeza seriam necessárias novas contratações para a gente conseguir completar as escalas adequadamente, pensando também que o nosso setor trabalha e trabalha mais nos feriados — diz.

Não é a primeira vez que o setor econômico de Santa Catarina debate os impactos de um possível fim da escala 6×1 no Estado. Em fevereiro, a Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (Facisc) disse, por nota, que a medida vai aumentar o custo, que será repassado ao consumidor, e não há previsão de compensações.

Além disso, a entidade afirma que Santa Catarina vai sofrer mais pois “71% dos empregados formais catarinenses possuem contratos entre 41 e 44 horas semanais, percentual superior à média nacional”. (leia a nota na íntegra abaixo)

Governo pode mandar novo projeto com urgência ao Congresso 

A escala 6×1 é um modelo de jornada de trabalho em que o trabalhador tem apenas um dia de descanso a cada seis dias de trabalho. A proposta em tramitação no Congresso brasileiro busca estender o repouso semanal obrigatório para dois dias, preferencialmente sábado e domingo, e pode reduzir gradualmente o limite de horas trabalhadas por semana.

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Na terça-feira (3), o ministro do Trabalho e do Emprego, Luiz Marinho, afirmou que o governo pode enviar um projeto de lei com urgência ao Congresso Nacional, se julgar que o tema não está caminhando com a “velocidade desejada” nos textos em análise pelo Legislativo.

Projetos com urgência de autoria do Presidente da República trancam a pauta do Congresso caso não seja analisado em até 45 dias pela Câmara e, posteriormente, em até 45 dias pelo Senado.

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Principal bandeira de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na economia em busca por uma nova reeleição no fim deste ano, o projeto que reduz a jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas semanais sofre resistência do setor produtivo. O principal argumento é que haverá aumento de custos, o que tende a ser repassado ao consumidor.

Um levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que a proposta de redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas pode elevar entre R$ 178,2 bilhões e R$ 267,2 bilhões por ano os custos com empregados formais na economia. Isso equivale a um acréscimo de até 7% na folha de pagamentos, diz a entidade.

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De acordo com o ministro Luiz Marinho, o debate sobre a redução da jornada de trabalho é uma necessidade cobrada pela sociedade brasileira. Ele afirmou, porém, que já há empresas que vem antecipando esse debate, reduzindo voluntariamente a jornada de seus trabalhadores.

Leia a nota da Facisc na íntegra

A Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (FACISC), juntamente com suas
associações empresariais afiliadas manifesta preocupação com o avanço, no Senado Federal, da
proposta que prevê o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho sem redução salarial.

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A medida, da forma como vem sendo conduzida, impõe aumento direto e imediato dos custos às
empresas, sem a devida análise técnica dos impactos econômicos, sem debate aprofundado com o
setor produtivo e sem previsão de compensações que garantam sustentabilidade às atividades
empresariais.

Diante da relevância e dos potenciais impactos da proposta, a FACISC solicitou formalmente que os
representantes de Santa Catarina no Congresso Nacional se posicionem de forma contrária ao
projeto, defendendo os interesses do setor produtivo, da manutenção dos empregos formais e do
desenvolvimento econômico do Estado.

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É preciso considerar, ainda, que o setor produtivo já enfrenta um ambiente de elevada carga
tributária, com impactos decorrentes da implementação da reforma tributária. A combinação entre
maior tributação, adaptação a um novo sistema tributário e a imposição de uma nova escala de
trabalho cria um cenário de forte pressão sobre as empresas.

O empresário catarinense não terá capacidade de absorver simultaneamente esses impactos sem que haja reflexos diretos nos investimentos e na competitividade.
Os reflexos não se restringem ao ambiente empresarial.

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O aumento de custos tende a ser repassado aos preços de produtos e serviços, pressionando a inflação e reduzindo o poder de compra da população. Isso afeta diretamente o comércio local, os prestadores de serviços e, consequentemente, a arrecadação municipal e a capacidade de investimento.

Em Santa Catarina, onde 2,6 milhões de trabalhadores possuem carteira assinada, o mercado
formal tem sido um dos pilares do crescimento econômico estadual. O Estado vem se destacando
nacionalmente pela geração de empregos e pelo dinamismo empresarial.

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No entanto, 71% dos empregados formais catarinenses possuem contratos entre 41 e 44 horas semanais, percentual superior à média nacional. Isso significa que os impactos da proposta serão proporcionalmente mais severos em Santa Catarina, atingindo diretamente a base produtiva do estado.

A FACISC e suas associações reforçam que são favoráveis a avanços nas relações de trabalho e na
qualidade de vida da população. Contudo, mudanças estruturais dessa magnitude precisam ser
precedidas de estudos técnicos aprofundados, análise de impactos econômicos e diálogo efetivo
com quem gera emprego e renda.

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A FACISC e suas afiliadas seguirão atuando em defesa do setor produtivo, do equilíbrio nas
relações trabalhistas e de um ambiente econômico que permita crescimento sustentável, geração de
oportunidades e segurança para trabalhadores e empreendedores
“.

*Com informações do g1