Dinheiro é a maior causa de estresse para 42% dos brasileiros, aponta pesquisa

Estudo inédito revela que o dinheiro supera saúde e emprego como principal fator de estresse no Brasil. Veja impacto das dívidas na rotina das famílias

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Pesquisa nacional revelou que as preocupações de ordem financeira superaram a saúde e o emprego no topo das inquietações do cotidiano popular (Foto: Ilustração, IA)

Mais do que a saúde ou o emprego, pagar as contas em dia virou a maior preocupação na rotina de quase metade dos brasileiros. Um novo estudo da fintech Onze, realizado em parceria com a Icatu Seguros e divulgado pelo G1, mostra que o dinheiro é o principal gerador de estresse para 42% da população, ultrapassando barreiras históricas como a segurança pública e a política.

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O resultado acende um alerta sobre como a inflação do cotidiano e a falta de sobra no fim do mês têm pressionado o bem-estar das famílias.

Além do desafio econômico, o levantamento indica que a instabilidade financeira tem afetado o bem-estar e a qualidade de vida. Para boa parte dos entrevistados, a preocupação constante com despesas, dívidas e renda insuficiente já provoca impactos na saúde mental e amplia a sensação de insegurança em relação ao futuro.

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O levantamento foi realizado entre 26 de maio e 1º de junho e ouviu 8.391 brasileiros de diferentes perfis. A amostra reuniu trabalhadores com carteira assinada (CLT), microempreendedores individuais (MEI), empresários, servidores públicos, aposentados e pessoas desempregadas, oferecendo um panorama abrangente sobre a percepção da população em relação à própria situação financeira.

Como a falta de sobra no mês aperta as famílias 

Segundo a pesquisa, 53% dos brasileiros afirmam que a renda mensal não é suficiente para cobrir todas as despesas ou dizem estar endividados ou com o nome negativado. O cenário evidencia a dificuldade de equilibrar o orçamento diante do aumento dos gastos cotidianos.

Na prática, muitas famílias recorrem ao crédito para complementar a renda e manter despesas essenciais, o que contribui para o crescimento do endividamento e reforça a preocupação com a situação financeira.

O perigo de não ter uma reserva para imprevistos

Outro dado que chama atenção é a dificuldade para lidar com imprevistos. O levantamento mostra que 56% dos entrevistados não possuem reserva de emergência, enquanto outros 15% afirmam que, além de não terem recursos guardados, também enfrentam dificuldades para sair das dívidas.

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Sem uma proteção financeira, despesas inesperadas, como problemas de saúde, desemprego ou consertos domésticos, podem comprometer ainda mais o orçamento e aumentar a insegurança das famílias.

Cartão de crédito puxa as famílias para a dívida

Entre os brasileiros que possuem dívidas, o cartão de crédito continua sendo o principal responsável pelo endividamento. De acordo com a pesquisa, cerca de 60% dos entrevistados apontam essa modalidade como a origem dos débitos. Em seguida, aparecem o empréstimo pessoal, com 30% e o crédito consignado, que inclui o Crédito do Trabalhador, com 26%.

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Para Antonio Rocha, CEO e cofundador da Onze, o cartão de crédito permanece como o principal vetor do endividamento por reforçar uma percepção distorcida de poder de compra.

— A partir do momento que você comprou a mais, no mês seguinte não vai conseguir pagar a fatura. Começa a pagar o mínimo e entra numa bola de neve de juros — afirma o especialista. 

O estresse financeiro que adoece o trabalhador 

Os reflexos das dificuldades econômicas vão além das contas. Segundo o levantamento, 72% dos entrevistados afirmam que os problemas relacionados ao dinheiro prejudicam a saúde mental, o bem-estar e a qualidade de vida.

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Nos casos mais graves, 9% dos entrevistados relatam que as preocupações financeiras já impactam a saúde física. Entre os efeitos mais citados estão ansiedade (65%), insônia (53%) e depressão (18%), indicando o peso do estresse financeiro no bem-estar da população e sua presença no cotidiano de milhões de brasileiros.

Educação financeira ainda é pouca conversada dentro de casa

A pesquisa também aponta obstáculos para uma melhor organização das finanças. Entre os entrevistados, 53% disseram que raramente conversam sobre dinheiro dentro de casa, enquanto 63% afirmaram não possuir qualquer tipo de proteção financeira.

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Além disso, 89% nunca buscaram orientação profissional para organizar as finanças, indicando que o planejamento financeiro ainda é pouco utilizado como ferramenta para prevenir o endividamento e fortalecer a segurança econômica das famílias.

Henrique Diniz, diretor de Produtos de Previdência da Icatu Seguros, afirma que o ambiente de consumo atual também contribui para o avanço do endividamento.

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— As pessoas são estimuladas o tempo todo ao consumo pelas redes sociais. Segurar esse consumo para evitar a bola de neve dos juros é um desafio comportamental. O mundo hoje estimula muito o consumo digital. Quando sobra um espaço na renda, a pessoa acaba consumindo, por necessidade ou pelo ambiente em que vive — completa.

As consequências da ansiedade financeira na produtividade 

Os resultados mostram que o dinheiro deixou de ser somente uma questão ligada ao orçamento doméstico e passou a influenciar diferentes aspectos da vida dos brasileiros. A combinação de renda insuficiente, dívidas, ausência de reserva de emergência e baixo planejamento financeiro cria um cenário de insegurança que afeta desde o consumo até a saúde mental, consolidando o estresse financeiro como um dos principais desafios sociais do país.

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*Com edição de Luiz Daudt Junior.