Após décadas longe da escola, mãe de 82 anos e filha voltam a estudar juntas e encontram na escola caminho para independência

Turma com 10 mulheres entre 23 e 82 anos, se encontra 2 vezes por semana, para ensino público na Capital catarinense

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Depois de décadas longe da escola, mãe de 82 anos e filha voltam a estudar juntas e encontram na EJA caminho para independência

Sueli e Irene, mãe e filha, companheiras de uma jornada de sonhos, coragem e educação na EJA (Foto: divulgação, Prefeitura)

Mãe e filha, Sueli e Irene Maria da Silva Cordeiro, foram atrás de completar sua educação com ajuda da Educação de Jovens, Adultos e Idosos (EJA) ligada à Secretaria Municipal de Educação de Florianópolis. A turma delas abriga 10 mulheres, entre os 23 e 82 anos, que tiveram a educação básica e o ensino interrompidos quando crianças.

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Sueli Cordeiro tem 82 anos e é a mais velha de sua turma. Já Irene Cordeiro, filha de Sueli, tem 52 anos e ambas decidiram reingressar juntas na escola.

A experiência é importante para as mulheres, que além de mãe e filha, agora são companheiras na conquista de um sonho: completar sua eduação. Para Sueli, o desafio é a uma maravilha do mundo:

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“Com a EJA, eu me sinto bem e sou feliz”, relata.

A filha concorda e afirma a importância da EJA em suas vidas:

“Principalmente as mulheres vão se sentir mais independentes, vão conhecer a liberdade e perceber que podem conquistar muitas coisas por conta própria, sem depender de ninguém”. conta.

Mulheres buscam melhorar suas vidas

As aulas da turma 20 do Núcleo EJA Sul 1, atendida no Centro de Saúde do bairro Carianos, Sul da Ilha, acontecem duas vezes por semana, na quarta-feira pela manhã, e na sexta-feira à tarde. A turma é acompanhada diretamente pelas professoras Janete Elenice Jorge e Emiliana Correa.

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As inscrições no EJA são para qualquer cidadão, independente do gênero, porém, por uma coincidência, apenas mulheres se increveram para a turma 20. As idades das estudantes variam entre 23 e 82 anos:

  • Sueli Cordeiro: 82 anos;
  • Nara Regina Coelho de Avila: 58 anos;
  • Rafaela Ivanilda da Silva: 36 anos;
  • Margarete Iris de Souza: 54 anos;
  • Eudelis Alejandra Padron Hernandez: 34 anos;
  • Evageslaine Marques Brites: 75 anos;
  • Irene Maria da Silva Cordeiro: 52 anos;
  • Maria Antoninha Bertusso: 57 anos;
  • Susana de Andrade Beirão: 44 anos;
  • Kalita Elvira Duarte: 23 anos.

As razões que levaram estas mulheres a parar de estudar quando mais jovens são diversas. Entretanto, todas tem um objetivo em comum, segundo elas o EJA ajuda a se sentirem independentes e a despertar a inteligência.

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Nara Regina Coelho de Avila está na primeira fase da EJA e esta em processo de aprender a ler e a escrever:

“Aprendi a desenvolver a minha inteligência, porque achava que não era capaz. A professora me ensinou e despertou em mim o que é a inteligência”, completa.

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Já a colega dela, Rafaela Ivanilda da Silva, afirma que com a Educação de Jovens e Adultos a sua autoestima aumentou e ela já consegue ajudar sua filha de seis anos com as tarefas da escola.

“A autoestima fica lá em cima e a gente se sente mais confiante”, diz.

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Orgulhosa, Margarete Iris de Souza, que está em fase de alfabetização, já começou resolver algumas coisas relacionadas ao banco e também a acompanhar melhor as novidades e as ferramentas do aparelho celular.

“Espero ter um futuro cada vez melhor para mim e para todos os meus colegas que estão aqui, juntos comigo, nessa caminhada”, relata.

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Educação de Jovens, Adultos e Idosos

O objetivo do EJA e o retorno à escola garantem a abertura de novas possibilidades e mudanças na vida das pessoas que, por diferentes circunstâncias, tiveram o direito à educação, interrompido, negado ou adiado.

Segundo a Prefeitura, o trabalho desenvolvido, com o grupo de estudantes, integra um planejamento construído coletivamente pelos profissionais do Núcleo, em uma dinâmica de docência compartilhada que acompanha, de forma conjunta, os percursos de aprendizagem e as pesquisas das estudantes.

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Além da sala de aula, os estudantes são incentivados a investigar a própria realidade e trabalhar com a pesquisa como princípio educativo. A professora Janete Elenice Jorge, uma das responsáveis pela turma de Sueli e Irene, afirma a necessidade da atuação própria:

“A pesquisa na EJA é uma ferramenta de leitura do mundo, não uma atividade escolar. Ao investigar o lugar onde vivem, as estudantes passam a compreender melhor a si mesmas como cidadãs de direitos”, diz.

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A professora ainda destaca que cada estudante traz consigo uma história singular. São pessoas que chegam à escola carregando experiências de trabalho, família, maternidade, cuidados, desafios e conquistas. Ao mesmo tempo, trazem desejos que continuam vivos.

Ensino público gratuito para todos

Interessados em participar de uma turma do EJA, para completar a educação, as inscrições podem ser realizadas de forma online e gratuita pelo site oficial da Prefeitura de Florianópolis. O cadastro permanece aberto durante todo o ano, possibilitando que novos estudantes ingressem na modalidade a qualquer momento.

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As aulas são oferecidas de segunda a sexta-feira, nos turnos matutino, vespertino e noturno.

Além das aulas, na EJA da rede municipal, também são oferecidas refeições e, nos casos previstos em lei, o passe escolar de transporte público, para aqueles que residem a mais de dois quilômetros da unidade e possuem renda familiar inferior a três salários mínimos.

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*Sob Supervisão de Abinoan Santiago