Impasse sobre reforma da maior barragem contra enchentes de SC ganha mais um capítulo na Justiça

Governo de SC pede remoção de indígenas que moram desde 2023 em um acampamento ao lado da barragem

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Imagem mostra onde fica o acampamento alvo da decisão judicial (Foto: Patrick Rodrigues, NSC)

Uma nova decisão judicial suspendeu a ordem que autorizava o governo de Santa Catarina a retirar à força os indígenas que vivem em um acampamento na área de segurança da barragem de José Boiteux. O documento, publicado no fim da tarde desta quinta-feira (20), também impede a demolição das casas em que essas pessoas moram. Ainda vetou a proibição genérica de circulação no local.

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A Defesa Civil do Estado disse que já pediu a reconsideração da decisão.

Na semana passada, o governo de SC conseguiu uma autorização judicial, dando cinco dias para que a comunidade que vive em um acampamento ao lado da barragem deixe o espaço espontaneamente. O prazo encerraria nesta sexta-feira (21). A alegação é de que funcionários que fazem a reforma da estrutura foram ameaçados por alguns indígenas a interromper os trabalhos, sob o risco de terem os maquinários apreendidos.

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Obra interrompida há mais de um mês

O caso foi registrado na polícia e a obra interrompida em 13 de julho. Conforme a Defesa Civil do Estado, no dia 5 de agosto, os trabalhadores voltaram à barragem para recolher ferramentas do canteiro de obras e teriam sido impedidos de tirar o material. Além disso, o relato aponta que os indígenas estavam usando os itens para construir novos barracos na área de acampamento que o governo tenta desocupar.

Os moradores que vivem nesse espaço ficaram sem casas após as enchentes de 2023. A barragem foi construída dentro da terra indígena legalmente demarcada e, quando a estrutura começa a encher, represando a água do Rio Itajaí do Norte, inunda algumas aldeias e bloqueia estradas. O governo do Estado se comprometeu a construir novas moradias para essas famílias e outras afetadas anteriormente pelos efeitos da barragem.

As casas começaram a ser construídas no fim do ano passado, mas, até o momento, nenhuma delas foi entregue. A obra chegou a ser interrompida por questão de pagamento à empresa responsável pela execução, mas já foi retomada. A Defesa Civil de SC não informou quando os primeiros imóveis devem ficar prontos.

Cacique-geral vê decisão como “vitória”

A cacique-geral Fabiana dos Santos disse ao NSC Total que a decisão desta quinta-feira representa uma vitória, pois não havia local para onde levar as famílias que estão no acampamento.

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“A empresa pode voltar a qualquer momento a trabalhar que não será impedida pela comunidade, muito menos pela liderança. A gente jamais vai se opor ao trabalho da empresa e fica à disposição também para dialogar se houver qualquer situação constrangedora que eles nos comuniquem”, afirma.

Na decisão, a desembargadora Eliana Paggiarin Marinho afirma que não ficou demonstrado que a permanência das casas impeça a continuidade da reforma da barragem, considerada por ela de extrema importância diante da previsão de El Niño forte. A magistrada também considera que “a retirada coercitiva e a demolição das estruturas são medidas desproporcionais neste momento”.

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A decisão, porém, não liberou o conflito nem disse que os indígenas podem impedir a obra. A desembargadora reconhece que as ameaças e agressões precisam cessar, tanto aquelas contra indígenas quanto as praticadas pelo grupo contra trabalhadores e agentes públicos. Ao mesmo tempo, determina que o Estado atue de forma pacífica e sem invasão imotivada da área ocupada.

O governo de SC disse que tomou conhecimento da decisão: “A Procuradoria-Geral do Estado já apresentou pedido de reconsideração, diante da necessidade premente de garantir a continuidade e a realização das obras de manutenção e segurança da Barragem Norte, em José Boiteux. A prioridade permanece sendo a segurança da barragem e da população, considerando a importância das intervenções previstas”.

Como é a barragem de José Boiteux? Veja fotos