Mãe do menino morto por não dar “bom dia” ao pai é solta em nova reviravolta no caso, mas não poderá ver filhos

Mayanna Rodgers deixa a prisão preventiva e terá que cumprir medidas cautelares; menino morreu em Viamão, no Rio Grande do Sul

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Mãe foi autorizada a ir até velório da criança, que foi realizado na quarta-feira (22) (Foto: Reprodução)

Mãe de menino morto por não dar "bom dia" ao pai é solta no RS (Foto: Reprodução)

Mayanna Angelina Rodgers, mãe do menino de três anos morto por não dar “ bom dia” ao pai, recebeu liberdade provisória. A decisão da Justiça ocorreu na quinta-feira (8) e substitui a prisão preventiva por medidas cautelares. O caso ocorreu em Viamão, no Rio Grande do Sul.

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Mayanna responde por quatro crimes de tortura por omissão, relacionados ao menino morto e seus três irmãos. O pai, o missionário norte-americano D’andre Grayson, 33 anos, é réu por homicídio qualificado com dolo eventual e por quatro crimes de tortura e segue preso preventivamente, segundo a Zero Hora.

“Embora sejam graves os fatos descritos na denúncia, verifica-se que o panorama processual atualmente existente é distinto daquele considerado por ocasião da decretação da prisão, de modo que os fundamentos para a manutenção da medida extrema se encontram significativamente enfraquecidos”, diz o texto assinado pelo juiz Guilherme Pires Mitidiero.

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Veja fotos da família

Mãe de menino morto por não dar “bom dia” terá que cumprir medidas cautelares

  • Manter seu endereço atualizado nos autos e comparecer a todos os atos do processo, quando intimada;
  • Não se ausentar da Comarca de Porto Alegre e do território nacional sem prévia autorização judicial;
  • Cumprir recolhimento domiciliar no período noturno, das 20h às 6h, e nos dias de folga;
  • Não manter contato, por qualquer meio de comunicação, e não se aproximar dos filhos, ressalvada expressa determinação diversa emanada pelo Juízo da Infância e Juventude;
  • Utilizar tornozeleira eletrônica de modo a propiciar o seu monitoramento;
  • Comparecer em Cartório, no prazo de 24 horas contadas de sua efetiva soltura, para entregar o seu passaporte.

Em nota ao Zero Hora, a defesa de Mayanna informou que a a decisão “restabelece a justiça” ao reconhecer expressamente a ausência de qualquer envolvimento da mãe na morte do menino.

” O próprio Poder Judiciário constatou a inexistência de riscos cautelares e a total desnecessidade da prisão preventiva, que não podia prevalecer sobre acusações que sequer integram mais o processo. Mayanna responde unicamente por uma suposta conduta omissiva e sempre esteve e continuará integralmente à disposição da Justiça para colaborar com a elucidação dos fatos e demonstrar sua inocência no curso do processo”, afirmou.

Filhos sofreram agressões e passaram por sofrimento psicolóico

Segundo o MP, quatro crianças da família passaram por sofrimentos físicos e psicológicos entre 2024 e julho de 2026 em pelo menos três estados: São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Os filhos eram agredidos com socos, tapas, mordeduras e espancamentos com fios e cordas, conforme a denúncia. As imputações de tortura têm como agravantes os fatos de as vítimas serem descendentes, menores de 12 anos e estarem inseridas no ambiente doméstico e familiar.

A investigação indicou que Mayanna também teria participado de agressões contra os filhos.

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“Temos indícios que a mãe também praticava algumas agressões e acreditava na violência como forma de controle. E, mesmo que ela não praticasse, pela omissão ela com certeza também responderia pelas torturas”, afirmou a delegada Luana Medeiros quando o inquérito foi concluído.

Depois da morte do menino, os irmãos dele foram levadas para acolhimento institucional.

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Irmãos também foram agredidos

Durante a investigação, o Instituto-Geral de Perícias (IGP) realizou uma perícia física que confirmou que os irmãos de 9 e 7 anos também tinham lesões recentes e cicatrizes antigas, conforme informações do g1. Segundo a delegada Luana Medeiros, os pais orientavam os filhos a usar roupas compridas para esconder os machucados, além de inventar histórias sobre as marcas pelo corpo.

Entre os argumentos para justificar as agressões, segundo a polícia, os pais citaram a cultura e a religião da família.

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Menino foi espancado após não dar “bom dia”

A investigação começou em 5 de julho, quando D’andre foi preso após espancar Oliver. Segundo a investigação, o pai admitiu ter agredido o filho porque o menino não teria lhe dado “bom dia”.

Oliver sofreu lesões graves e traumatismo cranioencefálico. Ele foi levado ao Hospital de Pronto Socorro (HPS), onde permaneceu internado, mas morreu em 8 de julho. A perícia necroscópica concluiu que a causa da morte foi traumatismo cranioencefálico grave, com hemorragia subdural.