Caso de menino morto por não dar “bom dia” tem reviravolta e mãe da criança pode ser solta após decisão

Julgamento dos pais do menino de três anos ainda não tem data marcada para acontecer no Rio Grande do Sul

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As denúncias contra Mayanna Angelina Rodgers, mãe do menino de três anos morto por não dar “bom dia” ao pai no Rio Grande do Sul, por homicídio foram arquivadas pela Justiça. Mayanna e o pai da criança, o missionário norte-americano D’andre Grayson, de 33 anos, se tornaram réus na última sexta-feira (28), quase dois meses após o crime, que aconteceu no início de julho.

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D’andre é réu por homicídio qualificado com dolo eventual e por quatro crimes de tortura, contra o menino e outros três filhos. Já Mayanna, apesar de ter tido a denúncia de homicídio arquivada, virou réu por quatro crimes de tortura por omissão, relacionados às quatro crianças, conforme informações do g1.

O juiz Guilherme Pires Mitidiero, da 1ª Vara Criminal do Tribunal do Júri e de Execução Criminal da Comarca de Viamão, afirmou que os possíveis crimes de tortura considerados para o julgamento incluem casos que aconteceram em Santa Catarina e São Paulo. No entanto, “apesar de os crimes de tortura terem ocorrido em cidades e estados diversos, a competência para o julgamento cabe ao Juízo de Viamão, uma vez que o homicídio ocorreu no município, conforme prevê o Código de Processo Penal (CPP)”, segundo o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul.

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Inicialmente, Mayanna responderia por homicídio por omissão, já que ela teria conhecimento das agressões ao menino de três anos e os outros filhos, segundo o inquérito policial. Na denúncia, no entanto, a mulher não irá responder pela morte do menino, já que foi considerado que ela não teve participação direta.

Em nota, a defesa da mulher, que segue presa preventivamente, afirmou que “a imputação de tortura por omissão não é classificada como crime hediondo” e que, por isso, “concentrará seus esforços na busca pela liberdade de Mayanna”. Já a defesa de D’Andre afirmou que “serão apresentados ao juízo competente fatos e argumentos defensivos capazes de garantir um julgamento justo ao denunciado”.

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Crianças sofreram agressões e passaram por sofrimento psicolóico

Segundo o MP, quatro crianças da família passaram por sofrimentos físicos e psicológicos entre 2024 e julho de 2026 em pelo menos três estados: São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Os filhos eram agredidos com socos, tapas, mordeduras e espancamentos com fios e cordas, conforme a denúncia. As imputações de tortura têm como agravantes os fatos de as vítimas serem descendentes, menores de 12 anos e estarem inseridas no ambiente doméstico e familiar.

A investigação indicou que Mayanna também teria participado de agressões contra os filhos.

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“Temos indícios que a mãe também praticava algumas agressões e acreditava na violência como forma de controle. E, mesmo que ela não praticasse, pela omissão ela com certeza também responderia pelas torturas”, afirmou a delegada Luana Medeiros quando o inquérito foi concluído.

Depois da morte do menino, os irmãos dele foram levadas para acolhimento institucional.

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Irmãos também foram agredidos

Durante a investigação, o Instituto-Geral de Perícias (IGP) realizou uma perícia física que confirmou que os irmãos de 9 e 7 anos também tinham lesões recentes e cicatrizes antigas, conforme informações do g1. Segundo a delegada Luana Medeiros, os pais orientavam os filhos a usar roupas compridas para esconder os machucados, além de inventar histórias sobre as marcas pelo corpo.

Entre os argumentos para justificar as agressões, segundo a polícia, os pais citaram a cultura e a religião da família.

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Menino foi espancado após não dar “bom dia”

A investigação começou em 5 de julho, quando D’andre foi preso após espancar Oliver. Segundo a investigação, o pai admitiu ter agredido o filho porque o menino não teria lhe dado “bom dia”.

Oliver sofreu lesões graves e traumatismo cranioencefálico. Ele foi levado ao Hospital de Pronto Socorro (HPS), onde permaneceu internado, mas morreu em 8 de julho. A perícia necroscópica concluiu que a causa da morte foi traumatismo cranioencefálico grave, com hemorragia subdural.