Harpia de 6,5kg viaja pelo Brasil para encontro reprodutivo com par de 36 anos 

Filha da primeira linhagem de reprodução em cativeiro do Paraná viaja de graça em avião comercial para formar par com macho resgatado do Cerrado.

Compartilhe:

A fêmea transferida é descendente direta das primeiras aves nascidas sob cuidados humanos no projeto pioneiro (Foto: Divulgação/Itaipu Binacional)

A história da conservação da harpia no Brasil ganhou um reencontro emocionante de gerações nesta quarta-feira (19/8). A fêmea Katrina, de 10 anos e 6,5 quilos, embarcou em Foz do Iguaçu (PR) rumo à Fundação Jardim Zoológico de Brasília para formar um novo casal com Jorge, um macho de 36 anos mantido pela instituição do Distrito Federal.

Continua após a publicidade

Encontro marcado na capital federal

O caso reacende um laço que começou há mais de duas décadas. Em 2002, o Zoológico de Brasília doou a única fêmea que possuía para dar início ao projeto de reprodução da Itaipu Binacional, no Paraná. O acasalamento deu frutos e, hoje, mais de 20 anos depois, Katrina descendente direta do casal pioneiro faz a viagem de volta para garantir que a espécie continue se multiplicando sob proteção humana.

Como a harpia é uma ave de topo de cadeia e está classificada como ameaçada de extinção devido à destruição de florestas, garantir a diversidade genética desses animais em cativeiro é uma corrida contra o tempo. O plano de manejo da Itaipu conta atualmente com 31 indivíduos, enviando animais estratégicos para parcerias em todo o país.

Continua após a publicidade

Uma ponte aérea sem custos em nome da fauna

O deslocamento de Katrina foi realizado pelo programa Avião Solidário, da Latam, que cede espaço em suas aeronaves comerciais para transportes humanitários e ambientais de forma gratuita. Raquel Argentino, gerente de Sustentabilidade e Impacto Social da LATAM Airlines Brasil falou sobre a importância do projeto e do avião sem custos usado pela Itaipu.

“Por meio do Avião Solidário, contribuímos para aproximar parceiros e viabilizar ações que fortalecem o manejo responsável e ampliam as oportunidades de conservação”, destaca Raquel.

A partir de agora, a equipe técnica da capital paulista e federal acompanha a introdução gradual do novo casal, respeitando o tempo de adaptação de duas das maiores aves de rapina do continente.

*Com edição de Nicoly Souza