Para garantir que os alimentos se mantenham fresquinhos por mais tempo e, assim, reduzir o desperdício, é fundamental se atentar aos cuidados de higiene e armazenamento. Cientistas da Universidade de São Paulo (USP), associados ao Centro de Pesquisa em Alimentos (Food Research Center – FoRC), alertam que falhas na limpeza de alimentos, como frutas, legumes e verduras, podem causar doenças e contaminações com origem nas cozinhas de nossas residências.

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Pensando nisso, o time da Diferente, foodtech focada no acesso a alimentos saudáveis, apresenta uma série de dicas para melhorar a higiene e o armazenamento dos alimentos. Confira!

1. Higienizando do jeito certo

Todos os vegetais devem ser higienizados antes de serem utilizados, observando as particularidades de cada um deles. A maioria das frutas, verduras e legumes podem ser lavados assim que chegam na sua casa. Mas, no caso dos mais sensíveis, como morangos, jabuticabas e pêssegos, a recomendação é limpar só na hora de consumir. 

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O uso de substâncias como vinagre ou detergente não é indicado por especialistas, por não serem totalmente capazes de limpar propriamente os alimentos. Ainda assim, a forma sugerida é bastante simples:

  1. Remova raízes e partes muito deterioradas;
  2. Lave as frutas e legumes de forma unitária e as hortaliças folha por folha em água corrente, retirando potenciais sujeirinhas;
  3. Caso ache necessário, pode utilizar uma escovinha ou esponja para auxiliar; 
  4. Deixe-as de molho por 15 minutos em solução clorada. 

Para fazer uma solução clorada caseira a receita é fácil: dilua uma colher de sopa de hipoclorito de sódio (cerca de 10 ml) em 1 litro de água potável. Enxágue-as bem, em água corrente abundante. Deixe-as secar ou seque com auxílio de papel toalha.

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2. Armazenamento dos vegetais

Quanto ao armazenamento, é válido explicar que os alimentos têm características próprias de perecibilidade e, por isso, modos diferentes de serem guardados para durarem mais. Nem todas as frutas, legumes ou verduras devem ficar na geladeira. Para muitos deles, o ambiente gelado pode acelerar a deterioração e diminuir o tempo de aproveitamento.

Além disso, várias frutas, como banana, abacate, maçã, tomate, mamão e manga, são emissores de etileno, um gás natural que incentiva o amadurecimento. Por isso, faz toda a diferença deixar os vegetais que são grandes emissores de etileno longe daqueles que o emitem em pouca quantidade e, por isso, são sensíveis a este gás, como batatas, pepino, brócolis, folhosas e hortaliças no geral.

Para facilitar, listamos alguns dos principais legumes, verduras e frutas agrupados conforme sua durabilidade:

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  • Cebola, batata, abóbora e alho são vegetais de alta durabilidade: mantenha-os em local limpo, fresco e arejado. Para ficarem protegidas da luz e durem ainda mais, deixe as batatas em um saco de papel, em local fresco.
  • Couve, couve-flor, repolho, brócolis, berinjela, pepino, quiabo, pimentão, cenoura, tomate, beterraba, batata-doce e mandioca são vegetais de média durabilidade: após higienizados, guarde-os em recipientes próprios, na gaveta da geladeira. Vale ressaltar que o tomate é uma das frutas que seguem amadurecendo pós-colheita; por isso, se quiser que se mantenham verdes por mais tempo, deixe-os na geladeira. Caso contrário, é só deixá-los na fruteira que irão amadurecer mais rápido. 
  • Alface, rúcula, agrião, milho-verde e mandioquinha são vegetais de baixa durabilidade: depois de higienizados, devem ser mantidos na geladeira até o consumo. Portanto, guarde-as dentro de embalagens plásticas bem vedadas para evitar que murchem.
Comida congelada na geladeira; Legumes nas prateleiras do congelador
Congelar alguns alimentos pode ser uma ótima alternativa para preservar a durabilidade (Imagem: BravissimoS | Shutterstock)

3. Como preservar os vegetais higienizados por mais tempo

Você sabia que existem técnicas culinárias supersimples que podem prolongar o prazo de consumo dos alimentos orgânicos? Ao adotá-las, estamos contribuindo para a redução do desperdício em nossa cozinha e com a sustentabilidade de nossa alimentação. Destacamos abaixo duas das principais:

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Branqueamento

Essa técnica consiste numa cocção rápida seguida de um choque térmico, que faz com que os alimentos tenham características de cor, sabor e nutrientes preservados e permite que sejam guardados na geladeira ou no freezer até o consumo:

  • Higienize os alimentos, coloque uma panela cheia de água para ferver e, ao lado, prepare uma bacia com água e gelo. 
  • Assim que a água ferver, despeje os vegetais, observando o tempo indicado para cada um: beterraba, nabo, cenoura, couve-flor, brócolis, abóbora, batatas, quiabo, inhame e milho-verde: cerca de 3 minutos. Espinafre, couve, ervilha, vagem, abobrinha: até 1 minuto.
  • Passado o tempo de cocção indicado, tire os alimentos da panela e, imediatamente, coloque-os na água com gelo até que esfriem totalmente. 
  • Depois de branqueados, os alimentos devem ser armazenados em saquinhos herméticos ou recipientes bem vedados, de plástico ou vidro. Duram, na geladeira, de 5 a 7 dias. No congelador, de 6 a 12 meses.

Congelamento

Além dos vegetais branqueados, outros alimentos também podem ser congelados mantendo suas propriedades nutricionais. A exceção são as hortaliças consumidas cruas, pois não resistem às temperaturas baixas e acabam queimando:

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  • Temperos e ervas como hortelã, manjericão, salsinha e cebolinha podem ser picados e guardados em potes apropriados, prontos para o uso. 
  • Congele frutas descascadas e picadinhas, já porcionadas na medida certa para fazer um suco ou vitamina. 
  • Etiquete tudo que vai ao freezer, indicando a data de validade. De modo geral, se bem armazenados, estes alimentos podem durar até um ano, segundo a Embrapa. 
  • Depois de descongelados, os vegetais devem ser consumidos em até 2 dias.

Por Renato Caliman

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