Receber o diagnóstico de autismo de um filho costuma trazer muitas dúvidas. Além das consultas e terapias, pais e responsáveis também passam a ouvir termos técnicos que nem sempre são fáceis de entender. Um deles é mind-blindness, ou “cegueira mental”, expressão usada há anos para explicar algumas características de pessoas autistas. 

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Hoje, porém, especialistas defendem que esse conceito pode ser simplista e até reforçar ideias equivocadas, como a de que pessoas autistas não sentem empatia ou não conseguem criar conexões emocionais. 

Pesquisas mais recentes indicam que pessoas autistas podem sentir e demonstrar empatia, ainda que expressem emoções e se comuniquem de maneiras diferentes (Foto: Pexels)
Pesquisas mais recentes indicam que pessoas autistas podem sentir e demonstrar empatia, ainda que expressem emoções e se comuniquem de maneiras diferentes (Foto: Pexels)

O que significa “mind-blindness”?

De acordo com a American Psychological Association (APA), esse termo está ligado à dificuldade de entender o que outra pessoa está pensando, sentindo ou pretendendo fazer. Essa habilidade é conhecida na psicologia como Teoria da Mente. Na prática, significa perceber que cada pessoa tem emoções, opiniões e intenções diferentes das nossas e que isso influencia a forma como ele age.

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Durante muitos anos, esse conceito foi usado para explicar comportamentos de pessoas no espectro autista. Hoje, porém, pesquisadores afirmam que ele não representa toda a diversidade que existe dentro do autismo. 

Por que esse termo vem sendo questionado?

Especialistas explicam que falar em “cegueira mental” pode dar a impressão de que pessoas autistas não conseguem compreender emoções ou criar vínculos com outras pessoas. No entanto, pesquisas mais recentes mostram que essa ideia não corresponde à realidade.

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Além disso, cada pessoa autista é única. Algumas podem encontrar mais dificuldade para interpretar situações sociais, enquanto outras desenvolvem essas habilidades de maneiras diferentes, sem que isso signifique falta de interesse ou de afeto.

Por isso, muitos pesquisadores defendem que esse tipo de expressão acaba reforçando estereótipos e limitando a forma como a sociedade enxerga pessoas autistas.

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Pessoas autistas sentem empatia?

Sim. Segundo especialistas, o que costuma mudar não é a capacidade de sentir empatia, mas a forma como ela é demonstrada.

Existem diferentes tipos de empatia. A chamada empatia cognitiva está relacionada à capacidade de entender o que outra pessoa pensa ou sente. Já a empatia emocional é a habilidade de compartilhar ou responder aos sentimentos do outro.

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Essa diferença ajuda a explicar por que muitas pessoas autistas demonstram carinho, preocupação e afeto, mesmo tendo dificuldade para interpretar algumas pistas sociais.

Especialistas defendem que compreender as diferentes formas de comunicação e abandonar estereótipos é um passo importante para promover mais inclusão e acolhimento às pessoas autistas (Foto: Pexels)

O que é o problema da “dupla empatia”?

Nos últimos anos, pesquisadores passaram a falar cada vez mais sobre o chamado problema da dupla empatia.

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A ideia é que dificuldades de comunicação entre pessoas autistas e neurotípicas acontecem dos dois lados. Ou seja, não é apenas a pessoa autista que pode ter dificuldade para entender quem não está no espectro. Pessoas neurotípicas também podem não compreender a forma como autistas se comunicam ou expressam emoções.

Esse conceito ajuda a mostrar que uma boa comunicação depende de compreensão mútua, e não apenas da adaptação de um dos lados.

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Todas as crianças aprendem a interpretar emoções

Entender expressões faciais, linguagem corporal e sinais sociais é algo aprendido ao longo da vida.

Assim como acontece com crianças neurotípicas, crianças autistas também desenvolvem essas habilidades com o tempo, embora esse processo possa acontecer de formas e ritmos diferentes.

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Por isso, especialistas destacam a importância de estimular o desenvolvimento emocional respeitando as características e necessidades de cada criança.

Como a linguagem influencia a inclusão?

A forma como o autismo é descrito pode fazer diferença na maneira como crianças autistas são tratadas dentro e fora de casa.

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Expressões que sugerem incapacidade permanente podem reforçar preconceitos, dificultar a inclusão e criar expectativas negativas sobre o desenvolvimento dessas crianças.

Por outro lado, usar uma linguagem mais atualizada ajuda a entender que o autismo reúne diferentes formas de aprender, se comunicar e interagir com o mundo, sem reduzir a pessoa apenas ao diagnóstico.

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