É sentada entre as lojas e restaurantes do Parque Vila Germânica que Adenir Barbieri, de 65 anos, se sente à vontade. Em meio à montagem de mais um festival, ela reflete sobre a carreira. Há 21 anos, quando chegou ali para ser gerente de Manutenção da então Proeb não imaginava que conquistaria o cargo de diretora de Eventos, Operações e Promoção do Lazer. Hoje, é considerada a mulher braço forte à frente das atrações que consolidaram Blumenau como referência turística no Brasil.
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Professora de formação, Adenir sempre esteve nos bastidores e, aliás, não é fã dos holofotes. Cuidava da manutenção, passou a ajudar com a decoração, quando viu já estava trabalhando com as realezas da Oktoberfest. Relembra com carinho as muitas viagens com rainhas e princesas para divulgar a festa pelo Brasil e no exterior. Agora, tem a missão de dar vida não apenas à maior festa alemã das Américas, mas também à Páscoa, Natal, Réveillon e até o Festival Brasileiro da Cerveja.
— A minha diretoria é responsável pela realeza da Oktoberfest, pelo concurso de realeza, pela abertura da festa, encerramento da festa, os desfiles, toda programação de bandas — explica.
Mas antes de chegar a esse posto, viveu muita coisa. Revela, inclusive, o momento mais marcante nessas duas décadas de trabalho: quando os icônicos pavilhões A, B, C e D da então Proeb foram demolidos no dia seguinte ao encerramento da Oktoberfest 2005. Após seis meses de obras, viu nascer o Parque Vila Germânica, com os setores 1, 2 e 3. Não era a história se materializando diante dos olhos dela. Era Adenir ajudando a construir um novo capítulo.
— Participar desse momento de sair o velho e entrar o novo foi muito marcante. Então eu pensava: “Nossa, estou fazendo parte disso”. Doeu essa ruptura de sair o castelinho, o pavilhão A, que era histórico, e virar a chave para o Parque Vila Germânica — confessa.
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A rotina sempre foi intensa e dona Dê, como é chamada pelos mais íntimos, não pensa em colocar o pé no freio. Com fama de exigente entre os colegas, ela admite que levou um susto quando recebeu o convite para assumir a diretoria. Já conhecia cada engrenagem do Parque Vila Germânica, mas liderar uma grande equipe se mostrava desafiador. Hoje a palavra é outra: gratificante. Afinal, encontrou um grupo com quem enfrentou outros desafios históricos que o cargo lhe trouxe.
— A interrupção da Oktoberfest por causa da enchente em 2023 também foi algo muito emblemático, porque tivemos de desmontar tudo, depois montar tudo por duas vezes. São histórias que ficam marcadas, assim como a pandemia. Então tem o sentimento, teve o choro, mas também é uma alegria muito grande estar aqui — relembra Adenir.
Estar ali, para ela, não significa apenas fazer, mas também apreciar o resultado do trabalho que faz. Confessa, por exemplo, que a Páscoa tem espaço especial no seu coração. Com graduação em educação artística, cada detalhe da decoração especial da Vila Germânica para esperar a chegada dos visitantes lhe enche os olhos. E não apenas os dela. A mãe também é uma grande admiradora. Ao parar para refletir sobre a trajetória pessoa, a palavra que fica é recompensa.
— Para você ser uma referência, é porque o teu trabalho foi bom. Então se eu estou aqui ainda, isso me deixa muito feliz e com a responsabilidade lá em cima. Eu não posso decepcionar — afirma.
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