Antes mesmo dos desfiles oficiais e da maratona de blocos tomarem o Centro de Florianópolis, um cortejo simbólico anuncia que é hora de deixar para trás o que pesa. Com direito a Morte, Coveiro, Viúva e Defunto, o Enterro da Tristeza volta às ruas nesta quinta-feira (12), mantendo viva uma tradição que há 62 anos marca a abertura do Carnaval na Capital.
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Fundado em 6 de fevereiro de 1964, o Enterro da Tristeza nasceu como uma celebração irreverente para “sepultar” as mágoas e dar passagem à alegria de Momo. O evento foi realizado inicialmente pelo antigo Clube Paineiras, depois passou pelo Clube Ipiranga, no Saco dos Limões, e pela Boate Dizzy — sempre na quinta-feira que antecede o Carnaval, consolidando-se como o “pontapé oficial” da folia de rua em Florianópolis.
Desde 1995, a tradição é organizada pelo Bloco S.O.S., ligado à Associação dos Servidores da Fundação Hospitalar de Santa Catarina (AFESSC). Criado em 1982 por servidores da área da saúde como uma confraternização de Carnaval, o S.O.S. desfilou pela primeira vez em 1983 entre os blocos da cidade. O que começou como um encontro entre colegas rapidamente ganhou corpo e público, transformando-se em um dos maiores blocos da Capital.
Veja fotos do bloco
Ao resgatar o Enterro da Tristeza há três décadas, o S.O.S. incorporou ao seu calendário uma das manifestações mais simbólicas do Carnaval manezinho. O cortejo mistura teatro popular e festa: personagens caricatos encenam o funeral da tristeza enquanto trios elétricos arrastam milhares de foliões pelo Centro.
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— A gente está sentindo que esse ano o pessoal está bem mais animado. Já acabaram os abadás e precisamos fazer uma nova remessa. A expectativa é de 40 a 50 mil pessoas na rua na quinta-feira — afirmou ao NSC Total Delaine Rosa, da coordenação do bloco.
Neste ano, o tema é “Sou manézinho, sou S.O.S., sou alegria!”, reforçando o orgulho ilhéu e o espírito irreverente que marca a festa. A concentração ocorre a partir das 14h, na antiga rodoviária, na Avenida Hercílio Luz. Por volta das 19h, os trios elétricos e o bloco seguem em cortejo pelas ruas do Centro até a Praça XV e a região da Alfândega.
Além dos personagens tradicionais — Morte, Coveiro, Viúva e Defunto —, o bloco conta com uma corte eleita anualmente. Em 2026, a rainha é Larissa Padilha; Maria Thays Fogaça e Huayna Góes são a 1ª e 2ª princesas; Phamela Oliveira é a musa; Wiliam de Brito e Jennifer Cardoso representam o Cidadão e a Cidadã Samba; Luiz Freitas é a Rainha Gay; Jorge Freitas interpreta a Viúva; e Godói dá vida ao Defunto.
Os abadás custam R$ 30 para sócios e R$ 40 para não sócios e dão acesso a uma área VIP com banheiros exclusivos, bar com valores especiais e vista privilegiada do esquenta com Vivinho e Banda. Mas, como manda a tradição da festa popular, o cortejo é aberto e arrasta uma multidão que acompanha o trio pelas ruas.
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Trânsito terá alterações na Capital
Nesta quinta-feira (12), a partir das 15h haverá bloqueio no cruzamento da Av. Hercílio Luz com a Av. Mauro Ramos. O tradicional desfile do bloco Enterro da Tristeza tem início previsto às 19h30min, percorrendo a Av. Hercílio Luz, as Ruas Anita Garibaldi, dos Ilhéus, Largo da Catedral e Arcipreste Paiva, com chegada na Praça Fernando Machado.
Se houver grande público, a Av. Hercílio Luz pode ser completamente bloqueada, com desvio de trânsito pela Rua Anita Garibaldi. Todos os acessos à Praça XV de Novembro serão bloqueados quando o bloco estiver chegando à Praça, com desvio pela Rua Vidal Ramos.















