O que por décadas pareceu um objetivo inalcançável se tornou realidade para a economia brasileira. O Acordo de Livre Comércio entre o Mercosul e a União Europeia (UE) rompeu as últimas barreiras diplomáticas e caminha para uma execução prática já neste primeiro semestre de 2026. A ratificação do texto pelo Senado Federal, ocorrida no dia 4 de março, foi o “xeque-mate” que faltava para destravar a parceria entre os dois blocos. A medida pode impactar no bolso do consumidor, deixando itens como vinhos e queijos mais em conta.

Continua depois da publicidade

O cronograma da virada: O “Fator Tereza Cristina”

A senadora Tereza Cristina (PP-MS), figura central nas negociações e voz de peso no setor produtivo, confirmou que a meta é colocar o tratado em vigor no dia 1º de maio de 2026. Segundo a parlamentar, o cronograma depende agora apenas de etapas formais de sanção e notificações diplomáticas entre Brasília e Bruxelas.

A União Europeia já havia dado o sinal verde em janeiro, com a aprovação provisória liderada por Ursula von der Leyen. Esse gesto permite que as reduções de impostos comecem a valer sem que se precise esperar a votação individual nos 27 parlamentos europeus.

Impacto Direto: Do Agronegócio ao Supermercado

As mudanças trazidas pelo acordo prometem redesenhar a dinâmica do mercado nacional em múltiplas frentes. Para o consumidor, o impacto será sentido diretamente no carrinho de compras, com uma queda progressiva nos preços de itens de grife europeia, como vinhos, azeites, chocolates e queijos, que chegarão às prateleiras com tarifas reduzidas.

No setor industrial, o acesso facilitado a máquinas e insumos tecnológicos da Europa deve impulsionar a modernização das fábricas brasileiras, embora setores sensíveis, como o automotivo, tenham garantido um fôlego de até 15 anos para se adaptarem à concorrência externa. Já para o agronegócio, o cenário é de expansão: com cotas ampliadas para a exportação de carne bovina, aves, açúcar e etanol, o Brasil consolida de vez sua posição estratégica como o grande “celeiro” do bloco europeu.

Continua depois da publicidade

Os setores impactados pelo acordo Mercosul-UE em 2026

*Com edição de Luiz Daudt Junior.