Uma advogada foi presa durante a operação DNA do Crime, do Gaeco, um desdobramento da Mensageiro, nesta terça-feira (2). Segundo informações da Polícia Civil, ela teria alertado uma das clientes sobre o cumprimento dos mandados. A Justiça converteu o flagrante em preventiva durante a audiência de custódia.
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A suspeita é de violação indevida de sigilo e impedimento da investigação de infração penal envolvendo organização criminosa.
As sete ordens de prisão e 15 de busca e apreensão foram cumpridas em Gaspar, Blumenau e Curitiba. Os alvos foram empresários ligados ao escândalo do lixo, em especial uma empresa com sede em Gaspar, a Saays Soluções Ambientais, que teve caminhões apreendidos. O objetivo principal da ação foi bloquear bens para garantir o ressarcimento aos cofres públicos em caso de condenação.
Caderno com anotações
Durante o cumprimento de um dos mandados de busca e apreensão em Blumenau, os policiais encontraram um caderno no carro de uma das investigadas. Nele, havia anotações que faziam referência direta à operação em questão. Para a polícia, os indícios eram claros de que a advogada da suspeita, Daisy Heuer, avisou sobre o que ocorreria na terça-feira.
Não foi informado, no entanto, como a defensora teria tido acesso à informação sigilosa do Gaeco.
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Segundo consta no documento encaminhado à Justiça para explicar sobre o flagrante, as anotações no caderno da investigada diziam que a “Dra. Daisy veio me avisar que amanhã tem OP GAE de Joinv. em Blu. Dai fui lá. Ela ñ recebeu nenhuma info por meio da OAB, provavelmente ñ é c/ a gente, comigo especificamente, mas dai arrumei a casa e vou ficar por aqui hoje, em Itajaí”. Ainda de acordo com os investigadores, o conteúdo indicou que a investigada encontrou a advogada pessoalmente.
“Não se trata de pessoa inicialmente investigada, mas de advogada regularmente presente na diligência, designada para acompanhar o cumprimento do mandado de busca e apreensão. Ainda assim, os elementos apreendidos indicam, em análise preliminar, que teria atuado para antecipar informações sigilosas a investigadas, circunstância que, em tese, compromete diretamente a eficácia da atuação estatal”, descreveu o Ministério Público.
Diante das suspeitas, a desembargadora Cinthia Schaefer converteu a prisão em flagrante em preventiva.
O que diz a OAB
Em nota, a OAB Blumenau disse ter tomado conhecimento dos fatos envolvendo a profissional e que “acompanha a situação com seriedade, preocupação e responsabilidade institucional, observando que qualquer análise sobre os fatos deve respeitar o devido processo legal, a ampla defesa, o contraditório e a presunção de inocência”.
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Operação Mensageiro
A DNA do Crime foi um desdobramento da 6ª fase da Operação Mensageiro, deflagrada em agosto de 2025. À época, três pessoas da mesma família foram presas, integrantes da empresa de Gaspar, presta serviços a pelo menos três prefeituras de Santa Catarina.
O nome da operação desta terça foi escolhido justamente porque o grupo criminoso investigado é composto por irmãs, filhos, cunhados e noras. Eles seriam responsáveis por planejar e articular a lavagem de capitais.
As fases da Mensageiro
Primeira fase
A primeira fase da Operação Mensageiro foi deflagrada em 6 de dezembro de 2022. Nesta etapa foram cumpridos 15 mandados de prisão preventiva e 108 de busca e apreensão nas regiões Norte, Sul, Vale do Itajaí e Serra.
A operação prendeu três prefeitos catarinenses por suposto envolvimento no recebimento de propinas: Deyvisonn Souza (MDB), de Pescaria Brava, Luiz Henrique Saliba (PP), de Papanduva, e Antônio Rodrigues (PP), de Balneário Barra do Sul. Dois dias depois das primeiras três prisões, o prefeito de Itapoá, Marlon Neuber (PL), foi alvo de um pedido de prisão preventiva após voltar de uma viagem de férias.
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Segunda fase
Deflagrada em 2 de fevereiro de 2023, na segunda fase foram cumpridos quatro mandados de prisão e 14 de busca e apreensão no Sul e na Serra catarinense. Ela foi um desdobramento das provas colhidas com as primeiras prisões, em dezembro de 2022.
Principais alvos:
- Antônio Ceron (PSD), prefeito de Lages
- Vicente Corrêa Costa (PL), prefeito de Capivari de Baixo
Terceira fase
Essa etapa foi deflagrada em 14 de fevereiro de 2023. Ao todo, foram cumpridos dois mandados de prisão preventiva e oito de busca e apreensão, todos em cidades do Sul de SC.
Principais alvos:
- Joares Ponticelli (PP), prefeito de Tubarão
- Caio Tokarski (União Brasil), vice-prefeito de Tubarão
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Quarta fase
Foi deflagrada no dia 27 de abril de 2023, com o cumprimento de 18 mandados de prisão e 65 de buscas nas regiões Sul, Planalto Norte, Alto Vale e Vale do Itapocu. As ações ocorrem em Massaranduba, Imaruí, Três Barras, Gravatal, Guaramirim, Schroeder, Ibirama, Major Vieira, Corupá, Bela Vista do Toldo, Braço do Norte e Presidente Getúlio.
Quinta fase
A 5ª fase da Operação Mensageiro foi deflagrada no dia 29 de abril de 2024. Nessa etapa, as cidades de São João do Itaperiú, no Norte do Estado, e Porto Belo, no Litoral Norte, se tornaram alvo das investigações. Foram cumpridos quatro mandados de prisão preventiva e 19 de busca e apreensão.
Na ocasião, o prefeito de São João do Itaperiú, Clezio Fortunato (MDB), e o vice-prefeito, Jaime Antônio de Souza (PL) foram presos na operação. Além disso, o deputado estadual Emerson Stein (MDB), ex-prefeito de Porto Belo, foi alvo de mandado de busca e apreensão.
Dessa vez, o fato investigado foi o de prestação de serviços de abastecimento de água e de iluminação pública nesses municípios.
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Principais alvos:
- Clezio Fortunato (MDB), prefieto de São João do Itaperiú
- Jaime Antônio de Souza (PL), vice-prefeito de São João do Itaperiú
Sexta fase
A sexta fase da Operação Mensageiro apurou os crimes contra a Administração Pública, incluindo corrupção ativa e passiva, fraude à licitação, organização criminosa e lavagem de capitais.

