Aécio Neves, presidente do PSDB e deputado estadual, declarou que o empresário Joesley Batista, da JBS, fez uma “armadilha” para gravá-lo sem o seu consentimento durante uma conversa. Na ocasião, os dois acertaram o pagamento de R$ 2 milhões para advogados que defendiam Aécio. 

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– Quando você vê a gravação, percebe que ele toma a iniciativa de dizer: “Sei que você não tem dinheiro para pagar teus advogados, mas posso te ajudar”. Ele sentou na beira da minha cama, com um microfone de lapela, e induz uma conversa onde usei termos que eram absolutamente inadequados, mas não há ilicitude – disse Aécio ao UOL.

A gravação foi entregue por Joesley Batista ao Ministério Público Federal no acordo de delação premiada no âmbito da Operação Lava Jato. O conteúdo apresentado pelo empresário resultou no afastamento de Aécio do cargo de senador. A conversa ocorreu em 2017.

– Nós tínhamos um apartamento que era uma herança da minha mãe e queríamos vender para pagar isso. Minha irmã foi consultar o Joesley para ver se ele tinha interesse em ficar com esse apartamento. Estávamos realmente apertados para pagar advogados. Ele obviamente já tinha isso armado, construído, e fez uma armadilha – afirmou o político tucano.

Aécio vê gravação de Joesley como “irresponsável”

Durante a entrevista, o político do PSDB afirmou que Joesley se aliou a Marcello Miller, que integrava o grupo de investigação na Lava-Jato. 

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– Marcello era dublê de procurador da República e funcionário de Joesley Batista. Ele foi contratado depois para advogar, mas já recebia antes por isso. Ele deveria punir e prender quem cometeu crimes e se aliou ao Joesley. Aí ele vai numa coisa canhestra, irresponsável, e faz uma gravação comigo – disse.

– Eu fui absolvido por unanimidade em primeira, segunda e terceira instância. Sabe por que eu fui absolvido? Porque o Joesley Batista teve que depor e ele só podia falar a verdade, se não ele é que perderia o seu acordo de delação. Eu não tenho que me envergonhar, jamais tive qualquer relação ilícita – concluiu.