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Despedida

"Ainda tem muita lágrima para ser derramada", diz pai e avô de catarinenses mortos no Chile

Filhos, netos, genro e nora de Ademir da Silva Nascimento morreram intoxicados devido ao vazamento de monóxido de carbono em um apartamento em Santiago

03/06/2019 - 23h12 - Atualizada em: 04/06/2019 - 07h56

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Por Mayara Vieira
(Foto: )

Ademir da Silva Nascimento, 60, escolheu falar dentro da igreja, local onde, segundo ele, tem conseguido encontrar forças para tentar superar a dor. Ele perdeu os filhos Débora Muniz Nascimento de Souza, 38, e Jonathas Kruger Muniz, 30, os netos: Karolyne Nascimento de Souza, 14, e Felipe Nascimento de Souza, 13 e o genro, Fabiano de Souza, 41 e a nora Adriane Padilha Kruger no último dia 23, quando todos morreram intoxicados por um vazamento de monóxido de carbono no apartamento que alugaram em Santiago, no Chile. A família de Biguaçu fazia a primeira viagem ao exterior para comemorar os 15 anos de Karolyne.

– Estive com eles na sexta-feira (18 de maio). Estavam felizes. Karol queria ver a neve... Tinha dado dinheiro para ela comprar o presente lá – recorda.

Ademir trabalha como pedreiro em Biguaçu e também é pastor auxiliar da Igreja Aliança da cidade. A história de Jó, personagem bíblico que perdeu todos os filhos de uma única vez mas não deixou que nada abalasse a sua fé, inspira Ademir a continuar. Além dos seis parentes mortos no Chile no dia 23, um dia antes ele perdeu a ex-mulher, Iete Isabel Muniz, 56, que lutava contra um câncer. Iete era mãe de Débora e Jonathas. Ela e Ademir tiveram outros dois filhos que moram em Biguaçu.

– Ela foi antes para o céu para preparar a chegada deles – diz.

O pai de Débora e Jonathas usava uma camiseta com a foto dos parentes durante a entrevista. Do olhar abatido e triste, não escorreram lágrimas, mas a atual companheira dele, Sueli Regina Lima, 52, revelou que chora quando está sozinho. Sobre a dor da perda e da espera para o sepultamento dos parentes, ele disse que “ainda tem muita lágrima para ser derramada”

– Como se prepara para receber um ente querido que você viu sair feliz e volta no caixão? questiona, com um olhar vago.

A entrevista não terminou sem um pedido de Ademir: divulgar a gratidão dele. Ele fez questão de agradecer as orações, os chilenos, a embaixada e o Airbnb, plataforma digital onde a família alugou o apartamento em Santiago e custeou o translado dos corpos ao Brasil.

O velório coletivo ocorre nesta terça-feira no Ginásio de Esportes em Biguaçu.

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