O governo de Santa Catarina assinou nesta segunda-feira (18) um decreto de “alerta climático” para antecipar ações de prevenção diante da previsão de um El Niño mais intenso no fim de 2026. A medida, segundo o governador Jorginho Mello (PL), busca reduzir burocracias e permitir que Estado e municípios atuem antes da chegada das chuvas fortes.
Continua depois da publicidade
— É um decreto por antecipação, é preventivo. (…) É para que se facilite a burocracia, os entraves, as demoras em fazer uma contratação de algum serviço para que quando chegue o El Niño, quando chegue a água, a gente já esteja bem preparado para enfrentar — declarou.
Durante entrevista coletiva, Jorginho afirmou que a previsão preocupa o governo.
— O El Niño, pelas informações que a gente tem, ele vem forte. Talvez mais acentuado do que foi a enchente de 2023. Mas o que nós já fizemos preventivamente deve dar resultado — disse o governador.
O que muda na prática
O secretário de Estado da Proteção e Defesa Civil, coronel Fabiano de Souza, explicou que o decreto prevê a criação de um comitê de crise envolvendo todas as secretarias do Estado. Além disso, segundo ele, os municípios terão 15 dias para apresentar relatórios com ações preventivas e planos de contingência.
Continua depois da publicidade
— Os municípios vão encaminhar para a gente tudo o que eles vêm fazendo e o que eles pretendem fazer de maneira preventiva. Desde a atualização dos planos municipais até essa parte mais operacional de limpezas — afirmou.
O governo também pretende ampliar estoques de assistência humanitária para agilizar atendimentos em caso de desastres.
— Se nós fizermos estoque do que a gente vai utilizar lá na frente, eu consigo dar um primeiro atendimento enquanto a empresa vai conseguindo repor estoque — ecemplificou o secretário.

Limpeza de rios e barragens
Além disso, durante o evento desta segunda-feira, foi assinada a entrega de 62 viaturas para a Defesa Civil dos municípios. O investimento é de R$ 40 milhões.
Continua depois da publicidade
Também foi assinada a ordem de serviço pra iniciar a reforma da barragem de José Boiteux, que inclui a manutenção da comporta e a recuperação da casa de máquinas. Durante a coletiva, Jorginho também citou obras em barragens e limpeza de rios como parte das ações preventivas realizadas desde as enchentes de 2023.
O que é o El Niño
Super El Niño pode ocorrer no fim do ano
A previsão do El Niño em Santa Catarina é de aumento das chuvas, temperaturas mais elevadas e episódios de vento intenso, elevando o risco de alagamentos, inundações e deslizamentos em diferentes regiões catarinenses.
Segundo meteorologistas da Defesa Civil, o aumento das chuvas deve começar de forma progressiva a partir de junho de 2026. Durante o inverno, o fenômeno já deve influenciar o clima no Estado, mas ainda com impactos menores. A maior preocupação está concentrada na primavera.
— A partir de setembro, os efeitos começam a se intensificar mais significativamente — explicou o meteorologista Caio Guerra durante o encontro.
Continua depois da publicidade
O auge do fenômeno está previsto para os meses de novembro, dezembro e janeiro. É nesse período que pode ocorrer a formação de um “super El Niño”, ou de um evento classificado como “forte” ou “muito forte”.
As projeções apresentadas pela Defesa Civil apontam mais de 30% de chance desse cenário se concretizar. Ainda assim, especialistas reforçam que a intensidade definitiva do fenômeno só poderá ser confirmada ao longo do ano.
Defesa Civil diz que não é possível cravar desastres climáticos
Questionado sobre como a Defesa Civil classifica o cenário atual, o meteorologista Caio Guerra afirmou que o risco é considerado alto e preocupante, especialmente para o período da primavera, historicamente mais crítico em Santa Catarina. Apesar disso, ainda não é possível cravar a ocorrência de desastres climáticos no Estado.
— Não dá para afirmar e cravar desastres climáticos. O sistema pode canalizar mais para o Paraná, ou para Santa Catarina. Depende muito de como o fenômeno vai se organizar e canalizar — explicou.
Continua depois da publicidade
Os técnicos também fizeram questão de evitar associações automáticas entre intensidade do El Niño e tamanho dos impactos. O exemplo citado foi o Rio Grande do Sul em 2024. Segundo os meteorologistas, apesar da atuação do El Niño durante as enchentes históricas, o fenômeno não estava em seu pico de intensidade naquele momento.
— Um El Niño forte não significa necessariamente mais impactos. Existem outros fatores atmosféricos envolvidos — destacou Guerra.
Independentemente da classificação final do fenômeno, porém, a Defesa Civil afirma já existir um consenso entre os modelos meteorológicos: Santa Catarina deverá registrar chuva acima da média em 2026.











