A possibilidade de um “super El Niño” nos próximos meses ganhou espaço nas redes sociais e debate público, e tem chamado a atenção de meteorologistas. Apesar disso, especialistas reforçam que ainda é cedo para afirmar a intensidade do fenômeno, e que o termo pode gerar mais alarme do que informação.

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De acordo com o meteorologista Caio Guerra, da Defesa Civil de Santa Catarina, o primeiro passo é entender que o chamado “super El Niño” não é um fenômeno diferente, mas sim uma versão mais intensa de um evento já conhecido.

— O El Niño é caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial. Quando esse aquecimento é muito acima da média, alguns cientistas usam o termo ‘super El Niño’ para indicar um evento mais forte — explicou ao NSC Total.

Esse aquecimento ocorre quando há mudanças nos ventos e na circulação atmosférica, permitindo que águas mais quentes permaneçam na superfície por mais tempo, segundo o Instituto Nacional de Meteorologista (Inmet).

Entenda o El Niño em 10 passos

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O que define um “super” El Niño?

Segundo Guerra, não existe uma classificação oficial universal para “super El Niño”, mas, em geral, o termo é usado quando o aumento da temperatura do oceano ultrapassa cerca de 2°C acima da média, patamar considerado elevado.

Eventos desse tipo são raros e ocorreram poucas vezes nas últimas décadas. Em escala global, eles tendem a intensificar extremos climáticos.

Modelos internacionais indicam que há chance de formação de um novo El Niño ao longo de 2026, com possibilidade de ser forte, embora ainda sem confirmação sobre atingir nível “super”.

Quais impactos podem ocorrer?

Os efeitos do El Niño variam conforme a região do planeta, e, no Brasil, também não são uniformes.

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No caso de Santa Catarina e da região Sul, Caio Guerra destaca que o principal impacto costuma ser o aumento das chuvas.

— Historicamente, anos de El Niño estão associados a volumes de chuva acima da média no Sul do Brasil. Isso pode elevar o risco de cheias, deslizamentos e outros eventos extremos — afirma.

Além disso, o fenômeno pode trazer, segundo o meteorologista:

  • episódios de chuva intensa em curto período
  • maior frequência de tempestades
  • períodos de calor acima da média

Esse padrão já é conhecido e tende a se intensificar quando o evento é mais forte.

Em outras regiões do país, o comportamento muda: Norte e Nordeste, por exemplo, podem enfrentar estiagens mais severas.

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Por que ainda é cedo para afirmar a intensidade do El Niño?

Apesar das projeções, meteorologistas pedem cautela. Isso porque a intensidade do El Niño só pode ser determinada com maior precisão mais próximo do seu desenvolvimento.

Além disso, previsões feitas no outono costumam ter maior incerteza — um fenômeno conhecido como “barreira de previsibilidade da primavera”, que dificulta projeções de longo prazo.

Outro ponto destacado por Guerra é que nenhum El Niño é igual ao outro.

— Mesmo quando há indicação de um evento forte, os impactos dependem de uma combinação de fatores atmosféricos e oceânicos. Não dá para prever exatamente como ele vai se comportar meses antes — afirma.

Mudanças climáticas podem intensificar efeitos

Embora o El Niño seja um fenômeno natural e cíclico, especialistas apontam que as mudanças climáticas podem amplificar seus efeitos. Na prática, isso significa que eventos mais intensos tendem a gerar consequências mais extremas — como ondas de calor, secas prolongadas ou chuvas volumosas.

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Ainda assim, o uso do termo “super El Niño” deve ser feito com cuidado.

— É importante evitar alarmismo. O mais correto é acompanhar as atualizações dos órgãos oficiais e entender que o cenário ainda está em evolução — reforça Guerra.

O que a população deve fazer?

Diante da possibilidade de um evento mais intenso, a recomendação é de atenção, mas não de pânico.

A Defesa Civil orienta que a população acompanhe os alertas meteorológicos, especialmente em regiões mais vulneráveis a enchentes e deslizamentos.