Cidades de Santa Catarina têm sofrido com a estiagem nesses primeiros meses de 2026, com impactos principalmente na agricultura. O município que reportou o problema à Defesa Civil estadual mais recentemente foi Ibirama, no Alto Vale. Por lá, choveu menos de 30 milímetros em março — quando o normal são de 160 a 200 milímetros. Com a previsão de chuva abaixo da média em abril, produtores catarinenses estão em alerta.

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Conforme dados da Defesa Civil, de janeiro até agora, mais de 20 cidades registraram problemas trazidos pela estiagem em 2026 (veja a lista abaixo). A maioria fica no Oeste, mas há alguns casos na Serra, Planalto Norte e no Alto Vale. Ou seja, todas regiões fora da faixa litorânea.

Ibirama, que decretou situação de emergência no último dia 2, descreveu que há “desabastecimento de água para consumo humano de famílias residentes nas áreas urbanas e rurais, além dos graves danos materiais com prejuízos na agricultura e pecuária”. O setor da Epagri que contabiliza as perdas ainda não tem um balanço final, mas explica que a segunda safra, chamada de safrinha, foi afetada, mas a primeira teria sido boa.

Entre as plantações atingidas estão as de grãos, como o milho, e fumo.

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A estiagem é resultado de um período de redução de chuvas que acaba afetando a umidade do solo e, por consequência, a rotina das lavouras. Em março, houve cidades que tiveram até 150 milímetros de precipitação a menos que o esperado para o mês. Ibirama foi uma delas.

Mariane de Liz, que faz o acompanhamento geral dos mananciais do Estado na Epagri/Ciram, explica que a estiagem fez com que bacias do Oeste e Meio-Oeste — e até rios no Alto Vale e Serra — atingissem nível de emergência. As estações que indicaram a situação crítica no mês passado ficam no Rio Antas, Rio Canoas, Rio do Chapecó, Rio do Peixe, Rio Itajaí-Açú e o Complexo Hidrológico Jacutinga.

Cidades de SC que sofreram com estiagem em 2026

  • Cerro Negro
  • Vargeão
  • Ibiam
  • Barra Bonita
  • São Bento do Sul
  • Iraceminha
  • Celso Ramos
  • Abdon Batista
  • Monte Castelo
  • Papanduva
  • Belmonte
  • Erval Velho
  • Capão Alto
  • Monte Carlo
  • Lajeado Grande
  • Bom Jesus
  • Campos Novos
  • Zortéa
  • Anita Garibaldi
  • Campo Belo do Sul
  • Vargem Bonita
  • Três Barras
  • Flor do Sertão
  • Entre Rios
  • Ibirama

No Oeste, prefeituras fazem o abastecimento de algumas propriedades rurais com caminhões-pipa para amenizar o cenário. O monitor de secas do governo federal considera que parte desse “eixo” de Santa Catarina (Oeste-Serra-Alto Vale) enfrenta uma seca fraca desde janeiro — os dados referentes a março, no entanto, ainda não foram disponibilizados.

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Há “déficits hídricos, com redução no nível de pequenos reservatórios e de rios”, diz a análise de fevereiro. Em abril, pela previsão da equipe de meteorologia da Epagri, a realidade não deve ser muito distinta.

Primeiro, porque abril é um mês que historicamente tem um dos menores volumes de chuva na maioria das regiões catarinenses, mostra uma pesquisa do meteorologista Caio Guerra. Segundo, que a previsão da Epagri/Ciram para os próximos 15 dias demonstra a predominância de uma massa de ar seco, com chuvas que voltam a ganhar força perto da última semana do mês.

Até lá, ainda que ocorram, serão mal distribuídas e não devem ter totais muito elevados.

Previsão de chuva para a próxima quinzena mostram acumulados que não chegam a 100 milímetros (Foto: Epagri/Ciram, Divulgação)

Em maio, a previsão é de mais uma temporada de chuva dentro a abaixo da média, alternando dias consecutivos de tempo firme e ar seco com episódios de chuva irregular e mal distribuída. Em junho o cenário deve mudar, com precipitação dentro da média e melhor distribuída.

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