Um comportamento registrado em uma parte do Oceano Pacífico capaz de responder se o próximo El Niño será forte ou não acendeu o “sinal amarelo” para pesquisadores norte-americanos. Os ventos que indicam a formação do fenômeno estão apresentando um comportamento preocupante, mas para que um “super El Niño” de fato ocorra é preciso mais tempo de monitoramento. Ou seja, o sinal está amarelo, mas pode mudar para o verde e não necessariamente evoluir para o vermelho.
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No relatório mais recente sobre o assunto, publicado na semana passada, a agência do governo dos Estados Unidos responsável por estudar e monitorar o oceano, a atmosfera e o clima afirmou que as chances do El Niño se formar durante o inverno é de 61%. As condições neutras, que são vividas neste momento e significam que não há nem La Niña nem El Niño em atuação, têm 80% de probabilidade de continuar até junho.
Os modelos usados para fazer essas projeções, porém, ainda não são capazes de afirmar qual será a força do El Niño — que pode, inclusive, chegar mais tarde que o esperado. O que se sabe é que neste momento os chamados ventos alísios estão fracos e persistentes, comportamento que se continuar exatamente dessa forma pode resultar em um El Niño forte. Porém, a própria agência diz no comunicado que isso “não é garantido”.
Ou seja, até agora, qualquer afirmação sobre o impacto do provável El Niño é especulativo. A certeza é que, se ele realmente vier forte, o clima pode alcançar patamares de aquecimento nunca antes vistos — e isso, na prática, significa também aumento no número de eventos extremos, como já alertou a ONU.
Em Santa Catarina, o primeiro ano do El Niño torna a primavera ainda mais chuvosa, mostram estudos. No segundo, é o inverno que sofre grande influência no volume de precipitação. De modo geral, o aquecimento nas águas causado pelo fenômeno interfere diretamente na região ao impedir que as frentes frias, que chegam pelo Hemisfério Sul, avancem pelo país, ficando concentradas por mais tempo no Sul do Brasil.
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O efeito El Niño e La Niña
O ano de 2025 foi um dos mais quentes dos últimos 176 anos, refletindo a transição para condições de La Niña que resfriam temporariamente o planeta. O ano de 2024 – que começou com um forte El Niño – continua sendo o ano mais quente, com cerca de 1,55 °C acima da média de 1850–1900.
O El Niño é o nome dado ao aumento na temperatura da superfície da água no Oceano Pacífico Equatorial, perto do Peru, fazendo ela evaporar mais rápido. O ar quente sobe para a atmosfera, levando umidade e formando uma grande quantidade de nuvens carregadas.
Com isso, no meio do Pacífico chove mais, afetando a região Sul do Brasil, pois a circulação dos ventos em grande escala, causada pelo El Niño, também interfere em outro padrão de circulação de ventos na direção Norte-Sul. Essa interferência age como uma barreira, impedindo que as frentes frias, que chegam pelo Hemisfério Sul, avancem pelo país. Logo, elas ficam concentradas por mais tempo na região Sul.
O contrário, o resfriamento dessas águas, é chamado de La Niña. Os efeitos são o oposto do outro fenômeno, já que as chuvas caem em menor volume no Estado. Para a ciência são necessários cinco meses consecutivos com a temperatura da água abaixo de -0,5ºC para que haja um La Niña (e cinco acima de 1,5ºC para configurar um El Niño).
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