O Brasil deve entrar, já no segundo semestre de 2026, em um novo ciclo de calor intenso com potencial para afetar desde a saúde da população até o preço da comida. A causa é o retorno do El Niño, fenômeno climático que, segundo o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), tem cerca de 80% de chance de se formar entre abril e junho no Oceano Pacífico.

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Os efeitos mais fortes são esperados a partir de setembro, e o alerta dos especialistas é direto: o país pode enfrentar um “desastre térmico”, com longos períodos de temperaturas acima do limite de conforto humano.

Entenda o El Niño em 10 passos

Quais os efeitos locais do fenômeno

O El Niño ocorre quando as águas do Pacífico equatorial ficam ao menos 0,5°C mais quentes que a média por vários meses. Embora pareça uma variação pequena, esse aquecimento envolve uma massa de calor comparável à extensão da Amazônia.

Na prática, o fenômeno funciona como um “motor climático”, capaz de alterar ventos e regimes de chuva em todo o planeta. Isso provoca extremos como secas, enchentes e ondas de calor em diferentes regiões.

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Esse cenário se agrava porque, segundo a Organização Meteorológica Mundial, a Terra já vive o período mais quente da história recente, o que potencializa os impactos do El Niño.

Mais dias de calor e noites sem alívio

Nos últimos anos, o Brasil tem registrado um aumento na frequência e na duração das ondas de calor. Os dados mostram:

  • 2023: oito ondas de calor
  • 2024: 10 episódios
  • 2025: sete eventos, mesmo sem El Niño

Mais do que os picos de temperatura, o que preocupa é a persistência. Períodos com mais de dez dias consecutivos de calor intenso têm se tornado mais comuns, especialmente no Sudeste e no Centro-Oeste.

Como o El Niño pode afetar o bolso

O calor extremo também chega à conta bancária. Isso porque o uso constante de ar-condicionado ou ventiladores pode elevar significativamente o consumo de energia, mesmo em cenários de bandeira tarifária mais baixa.

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Estudos publicados na revista The Lancet indicam ainda que, acima de 35°C, ventiladores deixam de ser eficazes.

Ao mesmo tempo, a produção agrícola tende a sofrer com a combinação de altas temperaturas, seca e chuvas irregulares. O resultado é a redução da produtividade e a pressão sobre os preços dos alimentos, principalmente hortifrutigranjeiros.

Um país sob diferentes riscos

Os impactos do El Niño não serão uniformes no Brasil:

  • Sudeste e Centro-Oeste: devem concentrar ondas de calor mais intensas, baixa umidade e maior risco de incêndios.
  • Sul: tendência de chuvas acima da média, com aumento do risco de enchentes e deslizamentos, sobretudo em áreas urbanas e encostas.
  • Norte: possibilidade de redução de chuvas e atraso no ciclo hidrológico, dependendo de outros fatores.
  • Nordeste: risco de atraso na estação chuvosa, com impactos nos reservatórios e agravamento da escassez hídrica, especialmente no sertão.

Um problema maior que o El Niño

Especialistas alertam que o fenômeno, sozinho, não explica a intensidade dos eventos recentes. Ele atua sobre um planeta já aquecido e com ecossistemas sob pressão.

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O desmatamento, por exemplo, reduz a capacidade de retenção de umidade e eleva as temperaturas locais, criando condições mais favoráveis para secas, incêndios e perdas na agricultura.

Como o El Niño deve atuar em SC

Em Santa Catarina, o avanço do El Niño deve provocar uma virada no padrão climático, com aumento expressivo das chuvas e maior risco de desastres naturais, também a partir do segundo semestre de 2026.

A tendência é de volumes acima da média e maior frequência de temporais. O cenário que deve elevar o risco de alagamentos, enxurradas, cheias de rios e deslizamentos, principalmente entre setembro e novembro, período considerado mais crítico.

Esse comportamento é típico do fenômeno na Região Sul, onde o aquecimento do Pacífico intensifica a entrada de umidade e favorece a formação de tempestades mais frequentes e intensas.

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Além disso, há possibilidade de eventos severos com rajadas de vento, granizo e chuva volumosa em curtos períodos, o que aumenta o potencial de danos em áreas urbanas e encostas.

Antes da consolidação do fenômeno, entre abril e maio, o Estado catarinense ainda pode enfrentar um período mais seco ou com chuva abaixo da média, mantendo o alerta também para situações de escassez hídrica.

Já em relação às temperaturas, o inverno deve ter episódios de frio menos duradouros e intercalados com períodos de aquecimento, mantendo médias acima do normal, outro padrão associado ao El Niño.

*Com informações da Veja