O aumento no preço do diesel é um dos reflexos da guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã. Com o fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo consumido no mundo, o custo do combustível e de produtos derivados tem aumentado em todo o mundo.
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A alta refletiu também em SC, onde o produto teve um salto de 23% desde o início do conflito. Mas o impacto provocado na economia ocorre de formas diferentes.
Impacto na indústria e agronegócio
A Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) informa que até o momento os setores mais suscetíveis a reflexos da alta do petróleo e do diesel no Estado ainda não reportaram dificuldades à instituição. Entidades do agronegócio também não sinalizaram alertas, mas defenderam no começo do mês a redução de impostos sobre o diesel para frear os impactos da alta do combustível.
O economista-chefe da Fiesc, Pablo Bittencourt, explica que a expectativa é de que os primeiros efeitos comecem a surgir no curto prazo, já nos próximos indicadores, caso o impasse e a guerra no Oriente Médio continuem. Segundo ele, os primeiros a sofrerem impacto seriam os setores mais dependentes de transporte rodoviário e de uso de combustível.
Encaixam-se neste perfil a cadeia de alimentos, especialmente de hortifruti, carnes e grãos, que dependem do transporte viário. O agronegócio como um todo, aliás, é duplamente afetado, porque sofre com aumento no custo de produção, já que os fertilizantes, derivados de petróleo, vêm ficando mais caro, e também com as entregas, com o combustível mais caro.
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Veja vídeo sobre crise dos combustíveis
Outros setores afetados pelo diesel e pela guerra
Outras cadeias produtivas de SC que podem sentir os efeitos da alta do diesel em um segundo momento seriam os de bens de consumos básicos, produtos industrializados e materiais de construção.
No caso dos materiais de construção, nesta quarta-feira (15) a Associação das Construtoras e Incorporadoras de Porto Belo (Acip) emitiu uma nota de repúdio contra reajuste de preços de insumos da construção anunciados por fornecedores. A entidade afirma que fornecedores teriam anunciado reajustes de 20% a 30% em razão de reflexos econômicos de “instabilidades geopolíticas” e elevações nos custos de matéria-prima e de combustíveis.
Veja fotos do conflito no Irã
Alta disseminada em caso de guerra prolongada
Caso o conflito e a instabilidade do preço do diesel continuarem, a alta de preços pode se disseminar entre grande parte dos produtos, em especial os que dependem fortemente de logística, têm grande volume transportado ou baixa condições de estoque.
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Além disso, outros produtos como a indústria de plástico e resinas, produtos derivados do petróleo, também tendem a sofrer com aumento de insumos e consequente alta nos preços finais.
— O ponto central é que, embora o choque inicial esteja concentrado no diesel, seus efeitos se espalham rapidamente pelas cadeias produtivas. Isso pressiona custos em diversos setores e tende a se traduzir em uma inflação mais elevada e disseminada, especialmente se o conflito se prolongar e as empresas forem levadas a repassar esses aumentos ao consumidor final — avalia Bittencourt.
Enquanto isso, no Oriente Médio, o conflito entre Estados Unidos e Irã segue longe de uma perspectiva de desfecho. O governo norte-americano anunciou há dois dias o bloqueio do Estreito de Ormuz e divulgou, nesta quarta-feira (15), áudios de mensagens enviadas a embarcações que teriam tentado passar pelo canal. Os países estão em cessar-fogo e avaliam estender a condição por mais duas semanas, mas até o momento as negociações feitas não chegaram a um acordo para o fim da guerra.





