Não é só no preço do diesel e da gasolina que a crise dos combustíveis causada pela guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã provoca efeitos. Uma série de produtos e serviços também fica suscetível a aumentos à medida que o conflito no Oriente Médio continua sem previsão de chegar ao fim.
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O maior efeito sentido na economia brasileira até o momento ocorreu, de fato, no preço do diesel. Em SC, o combustível aumentou 23% desde o início do conflito, em março, e tem atualmente preço médio de R$ 7,52. No entanto, como o combustível é usado por caminhões no transporte de mercadorias, há o receio de que a alta no diesel reflita no preço de alimentos e produtos, provocando inflação.
Mas as consequências vão além. O economista e professor da Furb, Bruno Thiago Tomio, explica que para entender quais produtos podem ser mais afetados pela alta do petróleo, em caso de continuidade da guerra, é preciso pensar na cadeia produtiva.
Quanto maior a dependência de derivados do petróleo ou de transporte, maior o risco de um aumento nos preços se os combustíveis seguirem em patamares elevados. Veja abaixo alguns dos produtos e serviços citados pelo especialista como os mais suscetíveis a aumentos:
Alimentos
Como os fertilizantes usados na agricultura também são derivados de petróleo, eles sofrem impacto da baixa na oferta global do produto, em razão do fechamento do Estreito de Ormuz, canal por onde passa 20% do petróleo consumido no mundo e que está no centro da disputa de Estados Unidos e Irã.
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O impasse resulta em aumento de preços dos insumos. Além disso, o setor também depende do transporte de mercadorias para os pontos de venda, em geral feito por via rodoviária, com veículos a diesel. Com isso, o preço de frutas, legumes e verduras poderia sofrer impacto se o cenário se mantiver.
— O Brasil é um grande utilizador de fertilizantes no mundo, a agricultura e a pecuária brasileira dependem muito de fertilizantes, então é um setor fortemente dependente do petróleo. O custo do produtor vai ser repassado aos alimentos — projeta Tomio.
Para escapar do possível efeito, uma saída pode ser recorrer a produtores de frutas e verduras locais, que não dependem tanto de fertilizantes e de transporte de longas distâncias.
— Um ponto “positivo” desta possível crise seria que haveria impulsionamento do consumo local. Produtos locais, serviços locais, vão ser procurados porque não seriam tão dependentes, não teriam tanto impacto — aponta.
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Veja fotos do conflito no Irã
Plástico e embalagens
Também por dependência de insumos derivados do petróleo, a indústria de plástico e de embalagens também pode sofrer com escassez ou aumento no preço da matéria-prima, o que resultaria em elevação nos preços.
— Na Páscoa, houve reajuste grande nos ovos de chocolate porque a forma para fazer esses ovos ficou mais cara, por ser de plástico e ter encarecido em razão da menor oferta de petróleo — ilustra o economista.
A situação afetaria também produtos como sacolas plásticas, copos descartáveis e embalagens de produtos em geral — o que poderia causar aumento também no preço de produtos de supermercado, já que a maioria deles tem embalagens de plástico embutida, além de também ser transportada por via rodoviária.
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Passagens aéreas
No aspecto logístico, a alta no preço de combustíveis, em especial o diesel, pode refletir sobretudo no aumento de serviços de transporte. Um caso especial é o de passagens aéreas. Essa modalidade de deslocamento já tem perspectiva forte de aumento no preço das passagens. Em alguns países, companhias aéreas já têm acesso limitado a querosene de aviação, a preços já elevados, o que deve refletir em aumento nas tarifas.
— Isso afeta diretamente a questão do turismo, por exemplo. No caso do Brasil, por usar fortemente a malha rodoviária como meio de transporte, esses serviços também podem ter aumento de preços — sugere o economista.
Impasse no Oriente Médio
A definição se a guerra no Oriente Médio irá continuar ou terá algum desfecho a partir da negociação entre Estados Unidos e Irã é determinante para apontar se a situação pode se espraiar com aumento de preços em produtos ligados à cadeia de petróleo ou não.
Nesta terça-feira (14), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, insistiu na ideia de fechar o Estreito de Ormuz e interceptar embarcações que tentarem passar pelo local. A expectativa é de que novas rodadas de negociação com mediação do Paquistão possam ocorrer para discutir um possível acordo que coloque fim ao conflito.
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A guerra começou em 28 de fevereiro e já resultou em mais de 3 mil pessoas mortas, segundo o regime iraniano.





