O governo federal declarou guerra ao avanço do crime organizado na região Norte com o lançamento do programa Território Seguro, Amazônia Soberana. Coordenada pelo Ministério da Justiça, a ofensiva vai injetar R$ 209 milhões em um pacote que une inteligência, forças de segurança e desenvolvimento social. Mais do que polícia na rua, o programa aposta em tecnologia de ponta e ações sociais para retomar o controle de áreas estratégicas da Amazônia.
Continua depois da publicidade
FOTOS: O cerco ao crime no coração da Amazônia
A estratégia para frear o crime organizado e tráfico na Amazônia
A medida foi oficializada em Manaus pelo ministro Wellington César Lima e Silva e integra o programa federal Brasil Contra o Crime Organizado. A proposta amplia a atuação do projeto Amas, voltado à proteção da Amazônia e da soberania nacional, incluindo rotas logísticas e financeiras ligadas ao tráfico e à exploração ilegal de recursos naturais.
O desenho do programa combina operações policiais com ações sociais em comunidades vulneráveis. Segundo o Ministério da Justiça, a estratégia busca reduzir o domínio territorial de facções por meio da ampliação do acesso a serviços públicos, geração de renda e fortalecimento de economias locais.
Onde serão aplicados os R$ 209 milhões do fundo de segurança
A maior parcela dos recursos, cerca de R$ 85,9 milhões, será destinada a programas de prevenção e garantia de direitos básicos. Outros R$ 69,1 milhões financiarão operações de repressão ao crime organizado e retomada de áreas críticas.
Continua depois da publicidade
O plano também reserva R$ 47 milhões para projetos de inclusão produtiva, cooperativismo e sociobioeconomia, além de R$ 7 milhões para inteligência e monitoramento de dados.
A primeira etapa do programa alcançará 42 municípios distribuídos em sete macrorregiões de alta vulnerabilidade. As ações abrangem cidades do Amazonas, Acre, Pará, Maranhão, Mato Grosso do Sul e Paraná, incluindo áreas estratégicas para rotas do tráfico e circulação de recursos ilegais.
Na mira: o cerco aos caminhos do ouro, da madeira e das drogas
No Amazonas, o monitoramento terá foco em municípios das regiões do Alto Solimões e Alto Rio Negro. O Pará contará com ações concentradas no Baixo Tapajós, enquanto Maranhão, Mato Grosso do Sul e Paraná entram no programa por integrarem corredores logísticos usados por organizações criminosas.
O governo avalia que o crime ambiental e o tráfico passaram a operar de forma integrada, conectando invasões de terras, garimpo ilegal, lavagem de dinheiro e circulação internacional de drogas. A estratégia busca rastrear essas redes desde as áreas de fronteira até os centros de financiamento das atividades ilegais.
Continua depois da publicidade
Facções ameaçam quase 800 Terras Indígenas
Dados do Ministério da Justiça apontam que mais de 622 mil pessoas vivem atualmente em regiões sob algum nível de pressão de facções criminosas e grupos ligados à exploração ilegal de recursos naturais. O levantamento técnico também identificou impacto sobre centenas de Terras Indígenas e comunidades tradicionais.
Segundo os dados oficiais, 796 Terras Indígenas estão inseridas em áreas monitoradas pelo programa. Apenas em 2024, foram registrados mais de 1,2 mil episódios de violência ligados a disputas territoriais, além de invasões e exploração ilegal em áreas protegidas.
O governo afirma que a efetividade do programa dependerá da combinação entre presença do Estado, assistência social e fortalecimento econômico das comunidades locais. A meta é reduzir o aliciamento de jovens pelo crime organizado e ampliar alternativas de renda em regiões historicamente marcadas pela ausência de serviços públicos.
Leia mais
- Como uma nova rota na Amazônia pode impactar o bolso do catarinense
- Mapa do tráfico de animais no Brasil: as rotas e os dados alarmantes na Amazônia
- O plano para substituir pontes que travam escoamento em rodovias federais no Brasil
Continua depois da publicidade
*Com edição de Luiz Daudt Junior.





