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    Ao lado de Bolsonaro, ministro usa chocolates para explicar cortes nas universidades

    Presidente fez mais uma transmissão ao vivo pelas redes sociais nesta quinta-feira

    09/05/2019 - 22h23 - Atualizada em: 10/05/2019 - 10h19

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    Por Folhapress
    Jair Bolsonaro
    Bolsonaro fez mais uma transmissão ao vivo pelas redes sociais nesta quinta-feira
    (Foto: )

    *Por Talita Fernandes

    Em meio à repercussão negativa do corte de 30% de recursos para universidades federais, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) fez uma transmissão ao vivo pelas redes sociais durante a qual chamou pesquisadores de duas universidades federais - UFC, do Ceará, e UFPB, da Paraíba - para falar sobre pesquisas de pele de tilápia para tratamento de pessoas com queimaduras.

    Ele exaltou o trabalho dos pesquisadores e defendeu parcerias para aplicação dos estudos para curar outras doenças no país. O presidente voltou a falar também de pesquisas envolvendo o grafeno, tema recorrente em sua fala sempre que cita temas ligados à ciência e tecnologia.

    Num segundo momento do vídeo, ele convidou o ministro da Educação, Abraham Weintraub, para explicar os cortes das universidades federais.

    — Deu uma certa polêmica aí, mas ele vai explicar — disse Bolsonaro.

    Sentado ao lado do presidente, Weintraub usou quatro caixas de chocolates para fazer uma analogia ao corte de verba. No total, elas somavam cem bombons. Para sustentar a argumentação de que o governo não está fazendo corte, mas contingenciando os recursos, ele reserva parte dos chocolates e diz que eles devem ser guardados para serem comidos depois.

    — A gente não está falando pra pessoa que a gente vai cortar. Não está cortado. Deixa pra comer depois de setembro. É só isso que a gente está pedindo. Isso é segurar um pouco. Agora eu me pergunto, senhor presidente, o senhor já passou por uma situação dessa? Um imprevisto, uma dificuldade na vida, e falou assim: "Segura um pouco". Se alguém falasse assim: "Três chocolatinhos e meio, 3,5% dos 100, 3,5% segura, porque o salário está integralmente preservado e pago no dia". A gente tem todo auxílio aos alunos pago, e agora ficam espalhando que a gente está fechando tudo — disse.

    Embora tenha sido anunciado um corte de 30%, o MEC divulgou uma nota afirmando que o impacto será de apenas 3,4% do orçamento total das universidades federais.

    "O orçamento para 2019 dessas instituições totaliza R$ 49,6 bilhões, dos quais 85,34% (R$ 42,3 bilhões) são despesas de pessoal (pagamento de salários para professores e demais servidores, bem como benefícios para inativos e pensionistas), 13,83% (R$ 6,9 bilhões) são despesas discricionárias e 0,83% (R$ 0,4 bilhão) são despesas para cumprimento de emendas parlamentares impositivas", diz a nota.

    Bolsonaro
    Ministro da Educação usa chocolates para explicar cortes de verbas das universidades
    (Foto: )

    A pasta informou ainda que o bloqueio "não incluiu as despesas para pagamento de salários de professores, outros servidores, inativos e pensionistas, benefícios, assistência estudantil, emendas parlamentares impositivas e receitas próprias".

    O bloqueio de verba nas universidades federais chega a R$ 2 bilhões das despesas discricionárias, ou 29% do valor divulgado na nota do MEC, conforme o jornal Folha de S.Paulo mostrou no último domingo (5). O dado é do Sistema Integrado de Planejamento e Orçamento do Governo (Siop), extraído na semana passada.

    O ministro disse na live que, apesar do corte, as ajudas aos alunos para refeitório e moradia estão preservados. Ele diz que o corte foi feito por decisão do Ministério da Economia, que exigiu uma contenção das despesas de todas as pastas do governo, justificando as dificuldades da economia brasileira.

    — O Paulo Guedes (ministro da Economia) teve que fazer isso porque a lei manda a gente contingenciar, segurar um pouco, não cortar. Segurar um pouco os gastos, não só no Ministério da Educação, que eu sou responsável, mas em todos os ministérios a gente está segurando um pouco pra cumprir a lei, e não terminar que nem o governo anterior, que gastou mais, descumpriu a lei e gerou inflação — afirmou.

    — Nesse momento, que está todo mundo segurando, apertando o cinto, a gente não está mandando ninguém embora. Todos os salários estão preservados. Se fosse numa empresa, é difícil numa empresa, numa padaria, a gente às vezes tem que mandar gente embora numa situação dessa. Ninguém está sendo mandado embora, todo mundo está recebendo em dia, professor, técnico, todo mundo — frisou.

    Weintraub disse ainda que o governo está recebendo os reitores das universidades para tirar dúvidas.

    — A gente está recebendo todos os reitores. Todos os reitores que quiserem conversar com a gente para discutir um projeto específico que eles não tenham verba. Se quiser vir conversar, mostrar os números, ou se quiser fazer isso no Congresso, a gente está sempre disposto ao diálogo.

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