Três voltas na Figueira da Praça XV no Centro de Florianópolis. Basta isso para que os solteiros consigam encontrar um grande amor, não importa há quanto tempo estão à procura. É isso o que diz a lenda da Figueira, repassada desde o século passado pelos nativos da Ilha de Santa Catarina. Os turistas também se aventuram e resolvem experimentar se a superstição funciona ou não. Afinal, o que há a perder?
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Foi o que pensou a dentista Rayssa Guimarães, de 32 anos, em 2023, quando viajou pela primeira vez de João Pessoa, na Paraíba, para Florianópolis, à convite de uma amiga que estava fazendo residência na capital catarinense. Ela lembra que sempre teve vontade de conhecer a cidade, principalmente para ir até às praias. Porém, ela também queria conhecer outros pontos turísticos de Florianópolis.
Foi aí que ela resolveu pesquisar em uma rede social lugares para que ela pudesse colocar em uma espécie de roteiro turístico pela cidade. Rayssa, então, achou o vídeo de uma jovem que contava a tal lenda da Figueira da praça XV, localizada no Centro, em que ela dizia que se uma pessoa desse duas voltas na árvore centenária, iniciava um namoro; se desse três voltas, casava; e se desse sete voltas, poderia realizar outros desejos.
— Lembro que eu e minha amigas estávamos na cidade, todas solteiras… Então eu falei para elas: “vamos dar voltas nessa Figueira, vamos jogar para o universo” — lembra.
Rayssa estava com outras duas amigas e todas deram duas voltas na Figueira, um tanto desacreditadas. Magia ou não, dois meses depois, os resultados começaram a aparecer.
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A primeira amiga conheceu um rapaz em dezembro daquele ano, com quem até hoje mantém um relacionamento. Enquanto Rayssa conheceu João Vitor Barreto também em dezembro, no dia 30, e começou o namoro depois de sete anos solteira.
— Eu tinha começado já uma mudança de mentalidade, então eu acredito que isso tenha agregado junto com a lenda — diz a dentista.
Mesmo com diferenças em diversos aspectos de personalidade, quase juntando com outra crença que diz que “os opostos se atraem”, o namoro continuou, passando por alguns obstáculos, até uma pausa no relacionamento em 2024, que perdurou por cinco meses. Foi também em dezembro que os dois se reencontraram, mas ainda sentiam que não era a hora de voltarem a ficar juntos.
— A gente realmente não ia ficar junto, mas aí eu acho que essa Figueira tem poder — riu. — Esse ano, em fevereiro, nós voltamos. Estamos agora namorando à distância — disse Rayssa.
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Mesmo à distância, a dentista conta que o casal não se larga. Em agosto, o casal fez uma viagem para Florianópolis, passando por vários pontos turísticos. Claro que a Figueira da Praça XV não poderia ficar de fora desse roteiro.
Rayssa teve a ideia de fazer um vídeo falando sobre a lenda, assim como o vídeo que tinha visto quando veio para Florianópolis pela primeira vez. Desde a publicação, há menos de duas semanas, o post já chegou a quase 200 mil visualizações, com diversos comentários de pessoas que desconheciam a lenda e que, com o vídeo de Rayssa, ficaram curiosas para saber se a magia da Figueira funcionaria com elas também
“Ah, pronto, agora eu sou obrigada a sair de São Paulo e ir para Florianópolis pra fazer isso [dar voltas na Figueira] porque estou sendo influenciada”, brincou uma internauta.
Outro rapaz, morador da capital catarinense, se mostrou surpreso com a lenda. “Eu sempre vou nessa praça e nem sabia disso, agora vou ficar dando voltas aí até achar um namorado”.
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Veja o vídeo
@rayssaguimaraesl Reza a lenda que 2 voltas na Figueira de Floripa te dão um namorado… e não é que deu certo? 😂🍀✨ #relacionamento #ilhadamagia #foryoupage #destino #viraltiktok ♬ How Long, How Low? – Chance Peña & Hayd
Lenda começou com explosão turística de Florianópolis
O historiador Francisco do Vale Pereira explica que não reconhece um registro oficial em termos de data de quando a lenda começou a ser propagada, mas entende que já em meados do século XX, quando houve uma explosão turística em Florianópolis, ela já passava de boca a boca de quem chegava na cidade.
Ele conta, entretanto, que a lenda tem algumas particularidades: é necessário que as voltas dadas sejam no sentido horário da Figueira para que ela tenha efeito, trazendo prosperidade, alegria e, principalmente, um companheiro ou uma companheira para a vida. Há ainda quem acredite que se as voltas forem no sentindo anti-horário, o casamento pode até mesmo se desfazer.
— São voltas que fazem associações a números místicos. As pessoas têm naquele espaço, naquele território, um lugar, digamos que sagrado, um lugar de reverências, de, até mesmo, aconchego — explica.
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O historiador conta que a Figueira se tornou símbolo para a cidade desde que ela foi plantada pela primeira vez, por volta de 1870, próximo à igreja matriz, hoje Catedral Metropolitana, e depois replantada em 1891. O motivo dessa espécie de transplante aconteceu, inclusive, porque a árvore estaria “atrapalhando a urbanização e o crescimento da cidade”, conforme os políticos da época.
Até hoje, a lenda tem plena influência entre os moradores e turistas, segundo o historiador. Para ele, as pessoas fazem questão de passar por ali, como uma forma de “conforto e alívio”.
— Ela ainda é um local de referência de toda a cidade e de todo o município para acontecer as relações sociais, as relações econômicas, as relações políticas, as relações amorosas, as relações até mesmo de desavenças, tudo acaba acontecendo aos braços dessa majestosa árvore que tem muito significado — afirmou Francisco.
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