nsc
    dc

    PÓS-MEDALHAS

    Após aposentadorias, medalhistas olímpicas debatem sobre cenário atual do futebol feminino 

    Rosana e Francielle aprovam o progresso do esporte no Brasil, mas cobram por reconhecimento 

    06/08/2019 - 14h36

    Compartilhe

    Por GaúchaZH
    Francielle (E) e Rosana (D) abrem o jogo sobre as dificuldades que enfrentaram dentro de campo
    (Foto: )

    Rosana e Francielle passaram grande parte da vida defendendo a bandeira do Brasil e o futebol feminino, mas as despedidas dos gramados ficaram aquém de suas expectativas. Do lado de fora de campo, as ex-jogadoras acompanharam o desempenho da Seleção feminina na Copa do Mundo da França — eliminada pelas anfitriãs nas oitavas de final e projetam um futuro promissor na modalidade.

    Em entrevista à Betway Esportes, a dupla aprovou o momento que o Brasil vive no campo, com partidas sendo transmitidas em TV aberta, crescimento nas coberturas da mídia e interesse da população. Porém, Rosana destaca que este reconhecimento ainda é muito pouco, em comparação ao que a Seleção já fez por seu país:

    — Pelo que eu fiz por nosso país, acho que merecia um reconhecimento muito maior. A gente pensava que os estádios não estariam cheios (no Pan de 2007). Aí você entra no Maracanã lotado, com 70 mil pessoas apoiando o futebol feminino... Foi muito marcante. Até hoje me arrepio. Foi um momento em que achei que o futebol feminino ia evoluir a passos largos, mas não aconteceu — lamentou.

    Aos 37 anos, Rosana disputou quatro Olimpíadas, quatro Copas do Mundo, três Pan-Americanos e conquistou duas medalhas de prata pela Seleção Brasileira. A aposentadoria planejada veio ao final da temporada passada, quando atuava pelo Santos, como meio-campista.

    — Meu pai não aceitava no início e sempre dizia que "futebol era coisa de menino". Eu pensei em desistir várias vezes, não só pela falta de aceitação do meu pai, mas também pela forma que o futebol feminino era tratado. Me senti desestimulada tanto pelo meu pai, quanto pelo clube que eu estava. Coloquei uma meta: ou eu saía do Brasil ou parava de jogar. E eu acabei saindo — relembra a jogadora.

    Francielle, que também jogou no meio-campo até os 29 anos, esperava jogar até os 30, mas precisou pendurar as chuteiras antes:

    — Foi por uma questão psicológica. Sempre temos que melhorar mais e nem sempre os resultados são o que a gente espera.

    Mesmo mais jovem, a atleta prestou serviços fundamentais para a seleção feminina, que incluem uma prata nos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008.

    Polêmica das estrelas

    Um debate que dividiu opiniões durante o Mundial na França foi a camisa utilizada pelas brasileiras, com as cinco estrelas que remetem aos cinco títulos mundiais conquistados pela seleção masculina.

    — Eu acho que cada um tem suas conquistas. A gente não precisa ter as cinco estrelas no peito só pra dizer que temos. Elas não são nossas — opina Francielle.

    Rosana concorda com a ex-companheira, destaca a luta das meninas por uma melhor estrutura, mas se diz otimista em relação ao futuro do futebol feminino.

    — Tenho certeza que fazendo um trabalho de longo prazo a gente também vai encher a nossa camisa de estrelas — resume.

    Leia também: Saiba como acompanhar o futebol feminino após a Copa do Mundo

    Deixe seu comentário:

    Últimas notícias

    Loading... Todas de Esportes

    Colunistas