Sebastião Carlini trabalha há cerca de 30 anos na mesma função, como leiturista de uma empresa terceirizada pela Celesc em Joinville, no Norte catarinense. De família humilde, ele conta que trabalha para conseguir viver, já que a aposentadoria não é suficiente para pagar todas as contas. Após ser atacado por um pit bull, no dia 6 de fevereiro, a situação financeira da família foi prejudicada.

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— Eu sou aposentado e ganho um salário de R$ 880, devido a um financiamento que eu tenho com o INSS. Então eu era obrigado a trabalhar, né? — diz seu Sebastião.

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Para ele, porém, o trabalho nunca foi um problema, mesmo no auge dos 70 anos. A maior preocupação dele são as contas que estão para vencer, já que todo o dinheiro que ganhava era contado para arcar com as despesas.

— A gente acostumou com esse salário aí, e agora o problema é o que vai vir pela frente. Esse que vai ser o problema, que eu estou preocupado. Porque a gente é acostumado as fazer as coisas tudo certinho — conta.

Para tentar ajudar nas despesas, a família criou uma campanha virtual de arrecadação. Seu Sebastião contou ao NSC Total que já recebeu doação de alimentos, o que ajudou ele e a esposa, mas precisa pagar algumas dívidas enquanto não pode voltar a trabalhar.

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— Colegas de trabalho fizeram fizeram uma vaquinha e trouxeram uma baita de uma cesta básica para a gente. Tudo que a gente ganha é bem vindo, ajuda bastante. Mas o problema agora vai ser só financeiro — diz.

A arrecadação virtual é feita por meio de uma chave Pix, cadastrada no nome do seu Sebastião Carlini. Para quem quiser contribuir, a chave é: 304.560.969-49.

O que defesa busca

Segundo o advogado Mario Sérgio Peixer, há implicações criminais e cíveis no caso. A defesa busca intermediar o contato com seu Sebastião, a empresa terceirizada e a Celesc. Além disso, estuda a responsabilização do tutor do pit bull.

— Ele teve tanto danos estéticos, médicos e psicológicos. Certamente iremos tomar atitudes para que pedagogicamente também se demonstre para os proprietários de animais desse porte que deve se tomar um cuidado muito maior. Um cuidado para que não aconteça isso com outras pessoas — diz o advogado.

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Peixer ainda reforça que a comunidade tem buscado ajudar a família do seu Sebastião desde o acidente.

— Ele é um senhor de idade, de baixa renda, que tinha esse emprego ainda para poder complementar a renda e conseguir ter o mínimo de subsistência — afirma.

Ainda de acordo com o advogado, a empresa terceirizada possui um seguro que não cobre esse tipo de acidente. Por isso, a defesa solicitou uma apólice para verificar se o caso terá que ser levado à Justiça.

Peixer ainda afirma que ambas as empresas apenas visitaram seu Sebastião para saber sobre o estado de saúde, mas até o momento nenhuma ajuda financeira foi oferecida. O idoso também contou que um dos medicamentos foi custeado pela terceirizada.

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Ataque de pit bull

Sebastião Carlini foi brutalmente atacado por um cachorro na manhã do dia 6 de fevereiro na Rua Nilce Maria Borges, no bairro Boehmerwald.

— Quando eu chego no meio da rua, só senti por trás e nem cheguei na calçada. Ele me agarrou ali e foi me arrastando. Não cheguei a cair, mas me arrastou. Não sei da onde que veio esse cachorro, se pulou o muro, o portão, eu não posso esclarecer direito — relembra.

Sebastião tentou afastar o cachorro, mas quando colocou seu braço direito para a frente, o pit bull o atacou novamente.

— Foi aí que foi meu desespero. Ele agarrou e não largou mais e chacoalhava para lá e para cá. E eu ali desesperado gritando, gritando, pedindo por socorro. Não aparecia ninguém — relata.

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Em certo momento, um homem de bicicleta apareceu no local, enquanto fazia seu trajeto rotineiro para o trabalho. Ele tentou ajudar também gritando por ajuda, até que o dono da casa e tutor do pit bull apareceu e chamou o animal, que retornou imediatamente para dentro do quintal.

— Ele veio, abriu o portão, olhou e gritou com o cachorro. No que ele gritou, o cachorro largou meu braço. Mas nessas alturas eu já tinha perdido o sentido, já tava na verdade me entregado, estava começando a ficar tonto, eu ia me entregar ali — relata.

Quando o cachorro saiu de perto, o homem de bicicleta percebeu a seriedade dos ferimentos e, em seu próprio carro, levou seu Sebastião até a UPA Sul.

O idoso ficou internado por cinco dias e passou por duas cirurgias. Atualmente, ele segue os cuidados em casa, mas está proibido de mexer seu braço direito por dois meses, o que levou ao impedimento de trabalhar.

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O que diz a Celesc

Na época do acidente, a Celesc informou que acompanha o caso de perto e prestará o suporte necessário por meio da empresa responsável pelo serviço.