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Acabou em pizza

Após atritos, JEC e ex-presidente Jony se reaproximam e acordo pode acontecer

Impasse sobre dívida contraída durante gestão do ex-dirigente é o principal motivo das divergências. Novo acordo pode colocar fim às discussões

15/10/2021 - 07h31 - Atualizada em: 15/10/2021 - 12h00

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Jota
Por Jota Deschamps
Atual diretoria se reaproxima do ex-presidente Jony Stassun.
Atual diretoria se reaproxima do ex-presidente Jony Stassun.
(Foto: )

O clima entre o JEC e o ex-presidente Jony Stassun parece ter melhorado. Após a assembleia geral dos sócios da noite de quinta-feira (14) ter sido adiada por um pedido de vistas da defesa do ex-dirigente, a possibilidade de um acordo entre as partes ganha ainda mais força. Isso porque após a sessão, o atual presidente do clube, Charles Fischer, se encontrou com Jony em uma pizzaria da cidade para costurar uma nova negociação e compartilhou uma foto do momento nas redes sociais. 

— Retomando uma nova negociação do acordo iniciado no final 2019. Sempre buscando o melhor pro clube — publicou Fischer.

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Além deles, estavam presentes nesse encontro o CEO do clube, Luis Carlos Guedes, e ainda o advogado do ex-presidente, Marcel Camilo. A possibilidade de acordo entre JEC e Jony Stassun também foi comentada pelo ex-dirigente. Em entrevista exclusiva ao jornalista Yan Pedro, da CBN Joinville, Jony destacou que possivelmente o valor total da dívida do clube com a sua empresa deverá ser pago em forma de permuta, com a exploração da marca por parte do JEC. Já os valores entre clube e a sua pessoa física, passarão por outras frentes de negociação, mas a ideia é viabilizar um acordo.

— O objetivo agora é nos unirmos pelo clube — destacou.

A relação estre Jony e JEC vinha se estremecendo desde o período da saída do empresário da cadeira da presidência. Acusado pelo clube de ter contraído empréstimos para o JEC junto a sua própria empresa e também em seu próprio nome, sem o aval dos conselhos fiscal e deliberativo entre 2017 e 2018, as partes divergem quanto ao pagamento dos R$ 5,4 milhões que estão pendentes. Jony foi à Justiça requerer o pagamento desses valores, enquanto o JEC não reconhece a dívida e também foi à Justiça para não pagar. Além da disputa judicial, o ex-dirigente foi alvo de processo disciplinar interno e o Conselho Deliberativo votou pela exclusão de Jony do quadro associativo do Joinville pelo período de dois anos.

O empresário comentou que tem uma relação muito boa com a atual diretoria executiva e que a ideia, agora, é negociar os detalhes e apresentar isso como uma proposta oficial para apreciação dos demais conselheiros e sócios. Jony também falou do desgaste que todo esse atrito tem causado. 

— Formalizar isso devidamente pra que a gente possa apresentar isso aos sócios e conselheiros, porque tanto é desgastante pro clube quanto pra minha pessoa — admitiu. 

Questionado se pretende voltar a ser mais ativo nos bastidores do clube, Jony destacou que neste momento trabalha para encerrar a disputa judicial e também ganhar o direito de retornar ao Conselho. O ex-dirigente não escondeu a vontade de voltar a contribuir com o Tricolor e falou que pretende trabalhar na busca de outros fornecedores que possam também ajudar no dia a dia do clube.

— Independente de ter essa situação, de ter esse processo, eu nunca deixei de ser Joinville Esporte Clube. Infelizmente por tudo o que aconteceu e por determinadas pessoas num determinado momento, infelizmente nós tivemos que adentrar a Justiça — comentou.

ASSEMBLEIA EXTRAORDINÁRIA

O evento desta quinta-feira (15) iniciou com a fala do presidente do Conselho Deliberativo do clube, Darthanhan Oliveira, abrindo os trabalhos. Cerca de 50 sócios compareceram a sessão que foi realizada no hall da Arena Joinville. Logo após a abertura da assembleia, o advogado de Jony Stassun, Marcel Camilo, pediu questão de ordem e alegou que a defesa teve pouco tempo para analisar o relatório da acusação que tem cerca de 600 páginas. O advogado Roberto Pugliese Júnior, vice-presidente do Conselho Deliberativo, destacou que apesar do clube acusar o ex-presidente, há um cuidado muito grande para que a lisura de todo o processo seja respeitada, sem prejudicar nenhuma das partes.

— Quem recorreu foi o próprio Jony, é um direito dele, a gente desde o começo do processo tá cuidando, preservando pra que esse processo não prejudique a defesa — comentou. 

O Conselho Deliberativo ouviu o Conselho Fiscal e as partes resolveram aceitar o pedido de Jony. Com isso, a assembleia foi suspensa pelo período de 60 dias para que a defesa prepare seus argumentos. Porém, com a reaproximação das partes, é provável que um acordo seja formalizado até mesmo antes disso. 

Abaixo, a entrevista exclusiva do ex-presidente do JEC, Jony Stassun, ao jornalista Yan Pedro, da CBN Joinville, após a assembleia geral dos sócios do clube.

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