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Entrevista

"As obras das seis creches de Blumenau terminam até março de 2021", afirma Hildebrandt

Na primeira entrevista concedida ao Santa como prefeito reeleito de Blumenau, Mário Hildebrandt (Podemos) falou sobre saúde, pandemia, obras em creches e articulações políticas; confira

06/12/2020 - 05h28

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Augusto
Por Augusto Ittner
Mário Hildebrandt (Podemos), prefeito reeleito de Blumenau.
Mário Hildebrandt (Podemos), prefeito reeleito de Blumenau.
(Foto: )

Assim como martelou durante toda a campanha, Mário Hildebrandt (Podemos), prefeito reeleito de Blumenau, voltou a destacar que o município não adotará medidas locais de restrição para frear a Covid-19. A alegação é de que a atual estrutura hospitalar da cidade e da região é capaz de atender à demanda de hospitalizações e que a testagem hoje é mais eficiente do que de meio ano atrás. 

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Em entrevista ao Santa — a primeira concedida depois do pleito de 29 de novembro — o prefeito sinalizou o envio de uma pequena reforma administrativa à Câmara ainda neste ano e garantiu que as obras das seis creches em construção terminam até março de 2021. Transporte coletivo, concessões e a própria saúde dele foram alguns dos assuntos abordados. 

Confira a entrevista com Hildebrandt

Em primeiro lugar, prefeito, como está a saúde do senhor?

Vai bem. Na realidade ainda estou tomando os cuidados necessários, hoje (terça-feira) fiz exames, tomografia, ecocardiograma, mas até aqui tudo bem, só por precaução mesmo. O meu médico entendeu que eu devesse descansar durante alguns dias para recuperar as energias a partir da próxima semana. Então até domingo (6) vou me recolher um pouco e fazer atividades diferentes do que apenas ser prefeito.

As pesquisas mostravam o senhor bem à frente do adversário. O resultado de domingo já era esperando, ou havia certa cautela?

Sou muito responsável e prudente. Apesar de ter pesquisas, inclusive as do Santa, que traziam esse percentual, sempre fui responsável porque os fiéis da balança são as urnas. Já tivemos pesquisas aqui que não confirmaram as informações. Creio que a comunidade entendeu e reconheceu o meu trabalho ao longo desses dois anos e meio à frente da prefeitura, trabalho de realização, de entregas, de obras, serviços, ações, e compreendeu aquilo que pretendemos fazer pelos próximos quatro anos à frente da cidade.

O senhor mantém o secretariado, ou estuda algumas mudanças daqui para frente?

Boa parte deve continuar, mas haverá mudanças também, fruto de alguns ajustes necessários para uma perspectiva de novo governo e novo alinhamento que a gente almeja para os projetos apresentados. Mas não comecei a discutir isso ainda com ninguém, nem com partido, nem com equipe interna. Meu foco nesses dois dias que estive na prefeitura (antes da licença médica) foi fazer uma reavaliação da Covid-19 e fazer alguns ajustes.

O que são esses ajustes?

Coisas do dia a dia que acabamos, por causa da correria da eleição, deixando para fazer depois. Pequenas decisões, como por exemplo, se conseguimos lançar um determinado edital com tranquilidade ainda neste ano, ou não... Esse tipo de avaliação que deixamos para fazer depois da eleição.

Como o senhor pretende compor a base governista? Vai conversar com os demais partidos, com a oposição?

Diálogo. Vamos ter diálogo com a oposição, com todos, assim como tivemos nos primeiros dois anos e meio de governo e que foi o que trouxe resultado para que pudéssemos aprovar os principais projetos para cidade.

Alexandre Matias (PSDB) segue como líder do governo?

Matias segue até o final do ano. Depois ainda não conversei com ele sobre como vamos fazer no próximo ano.

Quando deve ser criada a Secretaria de Pessoa com Deficiência e Paradesporto, que o senhor cita no plano de governo, e quem será o secretário?

Não tem secretário mapeado para nenhuma pasta. Estamos avaliando a condição técnica de criação ainda nessa Reforma Administrativa que pretendemos mandar ainda neste ano (para a Câmara de Vereadores). Estamos trabalhando em uma reforma para já deixar o governo pronto para os próximos quatro anos. Nosso foco será com remanejamento de ações, de pastas, de serviços, para essa nova secretaria.

O que vem nessa Reforma Administrativa, prefeito?

Você já citou uma, Augusto (risos)...

Mas essa estava prevista no Plano de Governo do senhor.

São ajustes. Nada de anormal. É que quando você está à frente da prefeitura, você vai corrigindo e aperfeiçoando o governo. São aperfeiçoamentos com base na visão e no conhecimento de quem está na frente da prefeitura desde abril de 2018.

Esses aperfeiçoamentos são junções de pastas, diminuição de comissionados? O que é isso na prática?

Na prática são ajustes necessários para que possamos ter um governo com resultado para entregar o que a população espera em quatro anos.

Com a nova aceleração da pandemia e ocupação de leitos de UTI, a prefeitura já estuda novas restrições? Alguma no radar?

Já temos as restrições definidas pelo governo do Estado, no Mapa de Risco, elas já estão no radar. Cada vez que mudamos de nível, de “alto” para “grave”, de “grave” para “gravíssimo”, as decisões já estão previstas, e nós as acatamos. Recomeçamos nesta semana o cinturão de fiscalização para evitar acidentes com pessoas alcoolizadas, em especial para diminuir acidentes de trânsito e os traumas nos hospitais. Foi um pedido, inclusive, dos próprios hospitais. Nossa equipe de fiscalização está trabalhando forte na orientação, no acompanhamento, com base na portaria do governo do Estado que trata da matriz de risco e das normas em cada um dos pontos. Amanhã (quarta-feira) o governo do Estado tem uma reunião com as maiores prefeituras, o (Marcelo) Lanzarin (prefeito interino de Blumenau) vai participar e monitorar as novas definições que o Estado pode vir a ter.

Dia 9 de julho, quando a média de casos em Blumenau era de 138, o senhor ameaçou lockdown. Hoje (1º/12), com 343 casos em média, o senhor descarta totalmente medidas restritivas. O que mudou de quatro meses para cá?

Mudou que temos uma estrutura preparada. Mudou que nós temos uma matriz de risco do governo do Estado para toda a região, algo que não existia naquela época. Mudou que temos leitos de UTI. Mudou que temos leitos de UTI no Alto Vale do Itajaí, o que não tinha naquela época. Mudou que temos mais leitos de UTI na Foz do Itajaí-Açu do que tínhamos naquela época. Temos uma estrutura diferenciada, local e regional para atendimento. Temos outa questão importante que é a nossa rede pública de atendimento. Estamos testando muito mais e com mais velocidade na entrega dos resultados. Essa semana começamos com o antígeno, cujo resultado sai em 30 minutos.

Quando e quais serão os primeiros AGs que receberão equipamentos de raio-x e exame de sangue?

Estamos com a reforma e ampliação do Ambulatório Geral da Fortaleza, que deve ser um dos primeiros a receber essa estrutura quando a obra terminar... São oito ou 10 meses para conclusão da obra. E também no AG do Badenfurt. São os dois primeiros em que nós implantaremos essas ações. Claro, se tivermos condições de espaço físico, com o arrefecimento da Covid-19 nos outros ambulatórios, temos condições também de passar a implementar nos demais.

Segundo semestre do ano que vem já começa o piloto nesses dois ambulatórios, então?

No do Badenfurt demora um pouco mais porque a construção dele começa só no ano que vem, com prazo de entrega de 18 meses. O da Fortaleza deve começar no segundo semestre do ano que vem. Os demais, dependendo da questão da Covid-19, já que os espaços que tínhamos livres estão sendo usados para atendimento da pandemia.

Preocupa o senhor a situação atual do transporte coletivo, com menos passageiros e dificuldade em torná-lo atrativo para os R$ 4,30 da tarifa atual?

O transporte coletivo no Brasil inteiro é uma preocupação para os prefeitos, tanto que o Congresso acabou de aprovar um auxílio financeiro de R$ 4 bilhões para os municípios, para apoiar o transporte coletivo. Fruto dessa preocupação que tem no Brasil inteiro. De fato, é algo que estamos monitorando, acompanhando e tomando as providências para termos os ônibus funcionando, para que possamos passar por esse momento crítico da Covid-19 e voltarmos a uma situação mais “normal”.

Quando isso tudo passar o senhor imagina situações específicas? Usar a tecnologia a favor do transporte coletivo, por exemplo.

Mas a tecnologia está implantada em boa parte das ações. O que nós queremos é uma tecnologia diferenciada em relação aos corredores de ônibus, os dividindo com veículos. Como faremos isso? Colocando semáforos. Diferente das plaquinhas que temos hoje, de corredor liberado, o corredor poderá ser usado durante o período em que o corredor estiver livre. Colocaremos sensores no ônibus e a partir do momento em que ele é acionado, o sinal fica vermelho para os veículos e eles precisam sair do corredor em “xis” minutos. Dará uma outra condição de ampliação do uso do corredor pelos veículos. O da Rua Itajaí, por exemplo, na Martin Luther... São corredores em que o semáforo implantado, aliado à Central de Controle Operacional, permitirão um maior compartilhamento da pista.

Quando isso será colocado de pé?

Quando a Central de Controle Operacional estiver funcionando, e a perspectiva é de que isso ocorra ainda no primeiro semestre do ano que vem. Aí nós buscaremos as ações de investimento nos corredores, sensores, para implantar. Queremos começar com um protótipo na Rua Itajaí, que é um dos mais questionados pelos motoristas.

As creches em construção, atrasadas há pelo menos dois anos, ficarão prontas em 2021?

As creches começaram (as obras) em 2017, e o governo federal cada vez que mudou ministro, trocou secretário, mudava o entendimento das creches. Elas estão atrasadas no Brasil inteiro, são 1 mil no país. O governo federal passou para nós neste ano R$ 106 mil, valor bem abaixo. Em agosto tive uma reunião com a secretária nacional de Educação, que é responsável pelas creches, e consegui pela primeira vez depois de quase dois anos tentando a autorização para poder executar as obras com recurso próprio. Então é a prefeitura que irá pagar, não estou dependendo mais de repasses. A cobrança agora é para que as empresas reassumam as obras as concluam. A promessa é que a gente consiga concluí-las, mais tardar, a última, no mês de março do ano que vem. Algumas neste ano.

> Quais são as seis creches ditas por Hildebrandt; confira

Quantas vagas em creche o senhor vai comprar?

O foco é comprar até 2 mil vagas. Tendo necessidade, vamos continuar comprando.

No desafio das concessões, quais serão as próximas? Vem por aí a rodoviária, por exemplo?

A rodoviária, no primeiro semestre do ano que vem. O Mercado Público, a tendência é de que seja lançado o edital também até o fim de junho. A Praça Dr. Blumenau abre quinta-feira (último dia 3) e a Estação Blumenau na semana que vem. Então temos boas perspectivas com relação às concessões.

Nessas próximas já há sinalização de interesse de empresários?

Nessas duas últimas, sim.

O Centro de Convenções vem sendo apontado por lideranças empresariais como a principal demanda para alavancar o desenvolvimento econômico da cidade. Mas o projeto está esbarrando na burocracia e atualização de documentos. Afinal, em que pé isso está? Quando vai sair do papel?

O projeto está concluído, no nosso entendimento. Houve uma análise da equipe técnica do governo do Estado, essa análise discordou da aprovação do projeto da Celesc, discordou da aprovação dos bombeiros, e a equipe do Estado disse que precisaríamos mudar. Então estamos fazendo essas mudanças de acordo com a visão da equipe técnica do governo do Estado.

Vai ter Sommerfest?

Estamos fazendo a avaliação. Dentro da atual situação é muito difícil, mas ainda não temos a definição final.

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