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Patrimônio em deterioração 

Associações culturais reclamam de abandono da Cidadela Antarctica em Joinville

Prédio era administrado pela Secretaria de Proteção Civil e Segurança Pública, que deixou de ocupar o imóvel em dezembro

04/02/2020 - 18h20 - Atualizada em: 04/02/2020 - 20h47

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Hassan
Por Hassan Farias
Portões fechados na Cidadela Cultural Antarctica
Portões fechados na Cidadela Cultural Antarctica
(Foto: )

Construído no século 19, usado por uma cervejaria até o fim da década de 1990 e comprado pela prefeitura em 2000, o prédio da Cidadela Cultural Antarctica está cada vez mais vazio na região central de Joinville. Desde o fim do ano passado, apenas a Associação Joinvilense de Teatro (Ajote) e a Associação dos Artistas Plásticos de Joinville (Aaplaj) continuam ocupando o prédio — a primeira com um teatro onde ocorrem apresentações de artes cênicas desde 2001 e a segunda com um espaço expositivo. As diretorias da associações, agora, fazem queixas pela falta de segurança e de limpeza do espaço público.

O prédio da frente da Cidadela era ocupado até dezembro de 2019 pela Secretaria de Proteção Civil e Segurança Pública (Seprot), mas o órgão público se mudou para outro endereço, deixando as duas associações culturais sozinhas no espaço.

Desde então, a reclamação da Ajote e da Aaplaj é de que os portões ficam fechados durante todo o dia, prejudicando a visitação do público às exposições de arte e os trabalhos das companhias teatrais nas montagens e ensaios no teatro. Na última semana, a temporada de apresentações do Verão Teatral iniciou mas não poderá ocorrer na sede da associação, e as peças serão apresentadas no teatro da Unisociesc no bairro Boa Vista.

— Quando a gente ficou sabendo da saída da Seprot e o Detrans do local, no final de 2019, foi nos informado que o portão ficaria fechado durante o dia. Nós recebemos uma cópia da chave para adentrar ao espaço, mas entramos aqui e ficamos sem segurança nenhuma — conta Cássio Correa, representante da Ajote.

Um dos prédios está interditado por causa da deterioração
Um dos prédios está interditado por causa da deterioração
(Foto: )

O projeto da prefeitura quando comprou o complexo da cervejaria era transformar a Cidadela em um espaço cultural de Joinville. No entanto, 20 anos já se passaram sem que o plano inicial fosse concretizado. Enquanto isso, o prédio sofre com a deterioração, tendo até parte da estrutura interditada, e com cada vez menos espaços para as atividades culturais.

— A gente não teve uma resposta definitiva da prefeitura sobre o que será feito. Temos a chave dos portões, mas também não temos como nos responsabilizar pela Cidadela inteira. Nosso compromisso é com a associação, internamente — explica Marc Engler, vice-presidente da Aaplaj.

Portão fechado e muro estragado na Cidadela
Portão fechado e muro estragado na Cidadela
(Foto: )

A cobrança é de que o município abra os portões para que as pessoas tenham acesso ao espaço, além da realização da segurança 24 horas e a limpeza do local. A Aaplaj, por exemplo improvisou o acesso em um portão com entrada pelo Parque das Águas para que a comunidade possa visitar uma exposição aberta desde dezembro na sede da associação.

— A gente tem que repensar a arte na cidade e reabrir a Cidadela para que as pessoas possam visitar a Aaplaj e a Ajote novamente — defende Engler.

Diretor executivo da Secult diz que vai conversar com associações

Desde a saída da Seprot da Cidadela, o prédio passou a ser administrado pela Secretaria de Cultura e Turismo (Secult). Em entrevista à NSC TV, o diretor executivo Evandro Censi falou sobre a situação do patrimônio municipal e o que pode ser feito para melhorar a condição do espaço público.

NSC TV - O que pode ser feito para melhorar a Cidadela Cultural?

Evandro Censi - A gente tem essa demanda da classe cultural. No final do ano passado, nós recebemos a Cidadela para uma gestão agora da Secretaria de Cultura e Turismo. E saindo o órgão público daqui, a gente entende que parece que está em situação de abandono porque não estão os órgãos e as pessoas circulando, mas não está. A gente vem monitorando, tem seguranças, alarme em todo o prédio. Acabamos de mandar fazer toda a roçada e melhoria do entorno. O que nós temos que fazer agora é, junto com a classe cultura, a Aaplaj e Ajote, sentarmos e entendermos como atender as pessoas nos eventos. Os horários de abertura e fechamento de portão porque a Secult não estará aqui dentro como órgão público, e sim monitorando à distância. Então, caberá à classe cultural junto com a gente fazer essa gestão do espaço.

NSC TV - Até lá os portões permanecem fechados?

Evandro Censi - Permanecem fechados até para a segurança. Como aqui era um órgão de atendimento público, muita gente ainda vem aqui, não lembra de ir no outro prédio onde está a Seprot. Então, é melhor para a classe cultural e para o espaço permanecer fechado. No momento do evento, uma ou duas horas antes, teremos que entender junto a classe cultural como fazer. Abre-se o portão, atende-se a demanda e faz o evento, depois fecha o portão para manter a segurança.

NSC TV - A Cidadela não está muito subutilizada da maneira em que está?

Evandro Censi - Concordo plenamente. Nós temos um prédio que é um grande desafio. É um prédio muito grande que demanda muitos recursos. Temos alguns projetos que vêm caminhando, como a colocação de gradil, melhoria de iluminação, contratação do projeto de restauro de todo o espaço. Concordo que a gente poderia ampliar muito mais a utilização cultural desse espaço, mas hoje não adianta a gente trazer grupos para cá tendo que reformar, restaurar e manter a manutenção.

NSC TV - O prédio da Cidadela é tombado?

Evandro Censi - A Cidadela como um todo tem proteção, é patrimoniada. O prédio do fundo onde era a cervejaria é patrimônio integral, é tombado. Esse prédio (onde era a Seprot) tem volumetria, então tem que ser preservado alguns pontos dele. Por esse assunto ser de patrimônio, a gente toma total cuidado, leva-se à Comphan (Conselho Municipal do Patrimônio Histórico, Arquitetônico, Artístico e Natural), tem essa aprovação para se avançar com qualquer tipo de restauro ou reforma.

NSC TV - Quando vocês vão sentar com a classe artística para discutir isso?

Evandro Censi - Essa é uma demanda da classe cultural. Eu participo dos conselhos, como o de cultura, e a gente vem tratando isso há bastante tempo e essa demanda não é de agora. O que vamos fazer é muito em breve chamá-los na Secretaria de Cultura, ter todas as chaves de todos os espaços na mão, ter um cronograma do que vai ser e o que não vai ser feito neste momento, e apresentar para eles como fazer. Vamos pegar o calendário anual deles e juntos achar o melhor jeito de abrir e fechar os portões, monitoramento online, monitoramento por moto e assim continuar a utilização do espaço.

Atualização: Na noite desta terça-feira, a Secult informou que uma reunião foi agendada para sexta-feira, às 9 horas, entre a secretaria e as associações de teatro e de artes Plásticas de Joinville.

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