Os moradores da cidade de Alfredo Wagner, na região da Grande Florianópolis, foram surpreendidos por luzes coloridas no céu na noite do último domingo (25). O fenômeno, conhecido como Aurora Austral, é muito semelhante à famosa Aurora Boreal, que ocorre especialmente nos países do norte europeu – mas, no caso das austrais, são comuns no Hemisfério Sul.

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Os registros do show de luzes no céu da pequena cidade foram feitos por moradores e visitantes, e publicados nas redes sociais e rapidamente ganhou grande repercussão – inclusive nas contas oficiais do Governo do Estado de Santa Catarina.

Apesar de encantador, a Aurora Austral não é um fenômeno comum em Santa Catarina – na verdade, são raras as ocorrências no Brasil. Para que o céu ganhe luzes coloridas, como as vistas em Alfredo Wagner, é necessário uma combinação de fatores geográficos e meteorológicos, que dificilmente coexistem no estado.

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A formação das Auroras

As Auroras – tanto as boreais quanto as austrais – são formadas pela colisão dos ventos solares com o campo magnético da Terra, espécie de escudo que protege o nosso planeta de ser atingido por ondas carregadas de plasma e energia vindas do Sol – normalmente emanadas por uma tempestade solar.

Esse encontro causa uma série de reações físicas e químicas, gerando os efeitos visuais no céu. Países do norte europeu como Noruega, Finlândia e Islândia são os que apresentam a maior frequência de Aurora Boreal pela proximidade com o Polo Norte, região frequentemente atingida pelos ventos solares. Algumas partes do Canadá e do Estados Unidos também registram o fenômeno, mas com menos frequência e intensidade.

No Hemisfério Sul, regiões da Argentina e do Chile também costumam contemplar as Auroras – chamadas de Austral no Sul.

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Por que é raro ter Aurora Austral em Santa Catarina?

As auroras pelo contato dos ventos solares com o campo magnético da Terra. Acontece que esse campo possui algumas “linhas”, que entram e saem do nosso planeta pelos Polos Norte e Sul. Por isso a ocorrência é significativamente maior em países da região do norte europeu e em partes da Argentina e do Chile.

O Brasil, apesar ter quase todo o território no Hemisfério Sul, fica, em termos geográficos, relativamente longe do Polo Sul. Nosso país está em uma região de baixa latitude, próximo ao Equador e aos Trópicos, e isso faz com que as partículas carregadas trazidas pelos ventos solares “passe por cima” de nós em direção aos extremos.

Para que uma Aurora Austral seja vista em Santa Catarina, é necessário uma Tempestade Solar de grande intensidade – entre G4 e G5, o máximo da escala. E é justamente isso que está acontecendo: a Terra está sendo atingida por fortes tempestades solares desde o segundo semestre de 2025.

Além disso, as tempestades solares encontraram uma pequena “brecha” no escudo da Terra, chamada pelos cientistas de Anomalia Magnética do Atlântico Sul (AMAS). Na semana passada, o fotógrafo Egon Filter registrou uma Aurora Austral, em tons de vermelho, roxo e azul, na cidade de Cambará do Sul, na serra gaúcha.

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